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Economia

Tarifa canadense de até 50% sobre produtos americanos entra em vigor, e Trump ameaça banir a Bombardier

Retaliação do Canadá a cerca de US$ 20 bilhões em bens dos EUA começou a valer nesta terça (8), após o colapso das negociações em agosto. Trump respondeu mirando a Bombardier e mantém a promessa de dobrar a tarifa sobre carros canadenses em janeiro.

Redação Brazuca News 08 de September de 2026, 11:18 1 visualizações
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Tarifa canadense de até 50% sobre produtos americanos entra em vigor, e Trump ameaça banir a Bombardier
Foto: Andrey Karpov / Pexels License

As tarifas retaliatórias do Canadá contra produtos americanos entraram em vigor logo depois da meia-noite desta terça-feira (8), no horário do Leste. As alíquotas vão de 15% a 50% e atingem centenas de itens, num pacote estimado em cerca de US$ 20 bilhões em bens exportados pelos Estados Unidos — o equivalente a aproximadamente 6% do que o país vende por ano ao vizinho, segundo a CBS News e a ABC News.

A medida é a resposta de Ottawa ao colapso das negociações comerciais entre os dois países no fim de agosto. E encontrou Washington em tom de escalada: na segunda-feira (7), o presidente Donald Trump ameaçou barrar a venda de aviões da canadense Bombardier no mercado americano, depois de já ter prometido dobrar, em janeiro, a tarifa sobre carros e autopeças fabricados no Canadá.

Para quem vive nos Estados Unidos, a disputa saiu do terreno diplomático e começa a rondar o orçamento doméstico. O Canadá é o terceiro maior fornecedor de importações do país, e a lista de Ottawa mira setores de consumo direto: eletrodomésticos, roupas, laticínios e, se a ameaça de janeiro se confirmar, automóveis.

O que o Canadá taxou

Na faixa mais alta, de 50%, entraram leite, perfume, consoles de videogame, tacos de golfe, varas de pesca, aço, alumínio, jaquetas e camisetas, segundo o detalhamento publicado pela CBS News. Queijo, carpetes e eletrodomésticos, como fogões e aparelhos de ar-condicionado, ficaram na faixa de 25%; empilhadeiras e moldes industriais pagam 15%.

A CNBC registra que as tarifas canadenses sobre aço, alumínio e ferro americanos dobraram para 50% e que móveis, motocicletas, roupas e alguns produtos de beleza também receberam a alíquota máxima. Frutos do mar chegaram a constar da lista, mas foram retirados depois da pressão da indústria da lagosta. A contramedida já existente, de 25% sobre automóveis americanos, continua em vigor.

Como as negociações ruíram,

O primeiro-ministro canadense, Mark Carney, afirmou que o governo Trump “pediu demais e ofereceu de menos” na mesa de negociação, e que o Canadá voltará a conversar “quando os americanos estiverem prontos”. As tratativas entre os dois governos desmoronaram no fim de agosto, e o pacote que passou a valer nesta terça é a materialização do impasse.

Ottawa também anunciou 7,5 bilhões de dólares canadenses em apoio a empresas e trabalhadores atingidos, valor que se soma aos 25 bilhões já destinados desde o início da ofensiva tarifária americana, em abril de 2025.

A ameaça à Bombardier

Na segunda-feira, Trump usou a Truth Social para mirar a fabricante de aviões Bombardier. “NO MORE SELLING BOMBARDIER IN THE UNITED STATES!” (“Chega de vender Bombardier nos Estados Unidos!”), escreveu o presidente, em letras maiúsculas, condicionando o acesso da empresa ao mercado americano à transferência da fabricação para os EUA.

Carros na mira em janeiro.

No fim de agosto, Trump prometeu elevar de 25% para 50% a tarifa sobre carros e autopeças fabricados no Canadá a partir de 1º de janeiro. Economistas ouvidos pela ABC News apontam esse como o golpe potencialmente mais disruptivo para o consumidor americano, porque a cadeia de produção de veículos da América do Norte é integrada — peças e carros cruzam a fronteira mais de uma vez antes de chegar à concessionária.

O presidente não escondeu o objetivo. “Não quero carros canadenses, não quero peças canadenses, não quero nada canadense”, disse, em declaração reproduzida pela CBS News.

Quem sente primeiro nos EUA

Economistas citados pela CBS e pela ABC identificam Michigan, Indiana, Wisconsin e Vermont como os estados mais vulneráveis à retaliação, com fabricantes e produtores de laticínios sob pressão imediata. A senadora republicana Susan Collins, do Maine, alertou que a disputa vai ferir negócios e consumidores da região dela.

Uma relação de US$ 700 bilhões

Os números explicam o tamanho do risco. Os Estados Unidos exportaram US$ 333,6 bilhões em bens para o Canadá e importaram US$ 381,9 bilhões, segundo dados citados pela CNBC — um fluxo combinado que passa de US$ 700 bilhões por ano e faz do vizinho o terceiro maior fornecedor de importações do país.

O que observar daqui para a frente.

Para o consumidor — incluindo o brasileiro que vive nos EUA —, há duas datas no calendário. A primeira já chegou: a retaliação canadense está valendo desde esta terça, e a lista de Ottawa concentra itens de consumo cotidiano. A segunda é 1º de janeiro, quando a tarifa americana sobre carros e autopeças canadenses dobraria para 50% — por enquanto uma promessa de Trump, não uma regra publicada.

A retomada das conversas, na formulação de Carney, depende de os americanos “estarem prontos”. Até lá, as tarifas dos dois lados seguem valendo.

Onde confirmar?

  • CNBC — "Canada's retaliatory tariffs worth $27.6 billion take effect as trade rift with U.S. deepens" (08/09/2026).
  • CBS News — "Canadian tariffs on U.S. milk, perfume, golf clubs and other goods take effect as trade war grinds on" (08/09/2026).
  • ABC News — "Canada's retaliatory tariffs set to hit US products as Trump warns of escalation" (08/09/2026)
  • NBC News — "Trump threatens 50% tariffs on Canadian cars, trucks, metals" (24/08/2026).

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