Cerca de 140 pessoas detidas no Centro de Processamento de Imigração do Noroeste, em Tacoma, entraram no sábado no quarto dia de greve de fome. O grupo de defesa La Resistencia informou que a paralisação começou em 11 de agosto.
É a vigésima vez neste ano que detidos na unidade recorrem a esse método para cobrar melhorias na comida e no atendimento médico.
As queixas
Segundo entidades que acompanham o caso, o que é servido chega em porções pequenas — cerca de 60 gramas de proteína — e muitas vezes horas depois do horário normal das refeições.
A pauta médica é mais grave: há relato de detidos com ossos quebrados ou deslocados que não receberam tratamento.
A inspeção do Congresso
Duas deputadas federais chegaram à unidade no sábado para uma visita sem aviso prévio, com o objetivo de apurar a greve e as denúncias.
Elas percorreram alguns alojamentos e a cozinha. Mas o acesso à ala médica e à equipe de saúde foi negado — justamente a área no centro das reclamações. Muitas perguntas sobre a saúde dos detidos ficaram sem resposta ou receberam respostas evasivas.
Por que isso interessa à comunidade brasileira da região?
Mais de 1.450 pessoas estão detidas por questões migratórias na unidade, por tempo indeterminado. O centro é operado pela GEO Group, empresa privada que administra mais de uma dezena de centros de detenção migratória no país.
Quem é detido pelo ICE na região metropolitana de Seattle costuma ser levado para lá. Saber onde fica e como funciona deixa de ser assunto abstrato para quem tem familiar ou colega em situação migratória irregular.
O que fazer se alguém for detido?
O ICE mantém um localizador público de detidos na internet, que permite buscar pelo número de registro de estrangeiro ou por nome, data de nascimento e país. É o primeiro passo para descobrir onde a pessoa está.
A partir daí, dois cuidados fazem diferença: contratar advogado licenciado ou representante credenciado pelo Departamento de Justiça — no processo de imigração não existe defensor público gratuito garantido — e não assinar nenhum documento de saída voluntária sem orientação jurídica.
Consulados brasileiros prestam assistência consular a brasileiros detidos, incluindo contato com a família e verificação das condições da detenção. O pedido pode ser feito pelo próprio detido ou por familiar.
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