O Legislativo do estado de Washington aprovou quase 20 milhões de dólares para garantir que imigrantes não perdessem a cobertura do seguro estadual de cuidados de longa duração, retirada por mudança na lei federal. A expectativa dos parlamentares e das entidades que defenderam a medida era atender cerca de 1.200 não cidadãos com presença legal no país.
A conta não fechou. O valor alcança 173 pessoas.
O que é esse seguro?
Washington mantém um programa estadual que financia cuidados de longa duração — assistência domiciliar, apoio para atividades do dia a dia, cuidado de quem perdeu autonomia. É custeado por contribuição sobre a folha de pagamento dos trabalhadores do estado.
A distorção que o dinheiro tentava corrigir é conhecida: o trabalhador imigrante contribui como qualquer outro, mas mudanças nas regras federais de elegibilidade podem tirá-lo do rol de quem pode receber o benefício.
Por que a diferença foi tão grande?
A distância entre 1.200 e 173 pessoas é o tipo de erro de estimativa que aparece quando o custo médio por beneficiário é subdimensionado. Cuidado de longa duração é caro por natureza: envolve horas de profissional, muitas vezes por anos.
O efeito prático é que a maioria das pessoas que a lei pretendia proteger continua sem cobertura, apesar de o dinheiro ter sido aprovado.
O que isso significa para a comunidade em Washington?
Duas leituras importam para o trabalhador brasileiro no estado.
A primeira é sobre a contribuição em folha: vale conferir no contracheque se o desconto do programa está sendo feito e, em caso de dúvida sobre elegibilidade futura, guardar o histórico de contribuição. Ele é a base de qualquer pedido posterior.
A segunda é sobre planejamento familiar de cuidado. Quem tem pai, mãe ou cônjuge idoso no estado e contava com esse tipo de apoio precisa considerar as alternativas existentes — programas de assistência domiciliar por faixa de renda, serviços de agências de idosos de âmbito local e apoio comunitário — em vez de esperar a cobertura que pode não vir.
Vale também acompanhar a próxima sessão legislativa. Quando a lacuna entre o previsto e o entregue fica documentada dessa forma, o assunto costuma voltar à mesa na discussão orçamentária seguinte, e é nesse momento que a pressão de entidades comunitárias tem efeito.
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