A economia americana fechou julho com 23 mil vagas a menos, segundo o relatório de emprego que o Bureau of Labor Statistics divulgou em 7 de agosto. A projeção do mercado era de criação — as estimativas iam de 83 mil a 95 mil novos postos.
O número isolado já contraria a expectativa. O que veio junto pesa mais: o BLS revisou para baixo os dois meses anteriores. Maio caiu 66 mil, para um ganho de 63 mil, e junho caiu 37 mil, para 20 mil. Somadas, as revisões apagaram 103 mil vagas que o mercado achava que existiam.
O desemprego caiu, e isso não é boa notícia
A taxa de desemprego recuou de 4,2% para 4,1%. Em um mês de corte de vagas, essa combinação costuma indicar não que mais gente arrumou trabalho, e sim que parte das pessoas parou de procurar — quem desiste da busca sai da conta.
O indicador que mostra isso é a taxa de participação na força de trabalho, que caiu para 61,4%, patamar que não aparecia havia mais de cinco anos.
Outro dado do relatório aponta na mesma direção: o número de pessoas em demissão temporária subiu 153 mil em julho, chegando a 921 mil.
Salário perde da inflação
O salário médio por hora do setor privado subiu 2 centavos em julho, para US$ 37,62, acumulando alta de 3,2% em 12 meses.
É um avanço nominal modesto diante do custo de vida que o brasileiro nos Estados Unidos vem sentindo. A comida no mercado subiu 2,7% no ano e a carne bovina segue em recorde, e o galão de gasolina voltou a passar de US$ 4 em boa parte do país.
O que isso significa para quem é imigrante
A composição do emprego importa mais que o número agregado para a comunidade brasileira. Construção, limpeza, restaurante, cuidado de idoso e transporte por aplicativo concentram trabalhador imigrante e reagem rápido quando a contratação esfria — são os primeiros setores a segurar vaga nova e a cortar hora extra.
O mercado já vinha dando esse sinal por outro caminho. As demissões seguem em nível historicamente baixo, mas quem perde o emprego está demorando mais para achar outro. Um mês de corte líquido de vagas endurece exatamente essa segunda parte.
Para quem depende do emprego para manter status migratório — caso de quem tem visto atrelado a empregador — a leitura é mais delicada ainda, porque troca de patrocinador em mercado desaquecido leva mais tempo.
O que vem a seguir
O relatório entra na conta do Federal Reserve, que vinha mantendo o juro parado. Um mês de perda de vagas pressiona o argumento de quem defende corte, mas o Fed também acompanha a inflação, que segue resistente no núcleo.
O próximo relatório de emprego, referente a agosto, dirá se julho foi um tropeço pontual ou o começo de uma virada. Considerando o tamanho das revisões desta vez, vale esperar o número seguinte antes de tratar qualquer leitura como definitiva.
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