O número de pessoas que pediram seguro-desemprego nos Estados Unidos caiu para 196 mil na semana encerrada em 12 de setembro, o menor nível desde meados de julho. O Departamento do Trabalho divulgou o dado na quinta-feira (17): foram 10 mil pedidos a menos que na semana anterior, já com ajuste sazonal, segundo a Reuters, em texto republicado pelo Detroit News.
Os economistas ouvidos pela Reuters esperavam 208 mil. A própria agência ressalva que a queda provavelmente exagera a força do mercado de trabalho. A semana anterior teve o feriado do Labor Day, e feriados de data móvel dificultam o ajuste sazonal desse tipo de estatística.
O que os números mostram
Além dos pedidos novos, o relatório semanal conta quem continua recebendo o benefício depois da primeira semana, um indicador de quanto tempo as pessoas levam para voltar a trabalhar. Esse grupo encolheu 39 mil, para 1,730 milhão de pessoas, na semana encerrada em 5 de setembro.
Na leitura da Reuters, a estabilidade do emprego vem sobretudo das poucas demissões. As empresas seguram quem já está contratado, mas seguem cautelosas para abrir vagas. Entre os fatores de incerteza, a agência cita a guerra de EUA e Israel contra o Irã, que encarece o petróleo e pressiona a inflação.
Uma prévia do relatório de setembro.
A semana coberta pelo dado de quinta coincide com o período em que o governo pesquisa as empresas para montar o relatório oficial de emprego de setembro, o chamado payroll. Por isso, o número é acompanhado de perto como sinal do que vem pela frente.
O relatório de setembro sai na sexta-feira, 2 de outubro, às 8h30 no horário da Costa Leste (6h30 no horário das Montanhas e 5h30 no do Pacífico), segundo o calendário de divulgações do Federal Reserve de St. Louis. O de outubro está marcado para 6 de novembro.
Agosto surpreendeu.
O último relatório, publicado em 4 de setembro pelo Bureau of Labor Statistics (BLS), mostrou a criação de 162 mil vagas em agosto, contra 53 mil previstas pelos economistas consultados pela Dow Jones, segundo a CNBC. Foi o maior ganho mensal desde março. A taxa de desemprego ficou em 4,1%, 0,2 ponto abaixo da registrada um ano antes.
Os meses anteriores foram revisados para cima. Julho passou de uma perda de 23 mil vagas para um ganho de 21 mil, e junho subiu para 31 mil. Uma medida mais ampla de desemprego, que inclui quem desistiu de procurar e quem trabalha meio período por falta de opção, caiu para 7,7%, o menor nível desde junho de 2025.
A taxa de participação na força de trabalho subiu 0,2 ponto. A pesquisa feita com as famílias registrou 683 mil pessoas a mais na força de trabalho e 569 mil a mais empregadas.
Onde estão as vagas?
Restaurantes e bares lideraram as contratações de agosto, com 59 mil postos, segundo a CNBC. Em seguida vieram a educação pública, com 42 mil, e a indústria, com 16 mil.
A saúde, que vinha sendo o principal motor do emprego, abriu só 13 mil vagas no mês, contra uma média de 32 mil nos 12 meses anteriores. O setor de informação perdeu 23 mil postos, e a CNBC vê nesse corte indícios de que a inteligência artificial começa a pesar nas contratações. Na média de 12 meses, o setor elimina 8 mil vagas por mês.
O salário médio por hora subiu 0,3% em agosto e 3,1% em 12 meses, um décimo acima do que o mercado esperava para a alta anual.
O efeito nos juros
O emprego firme pesou na decisão do Federal Reserve. Na quarta-feira (16), o Banco Central subiu os juros pela primeira vez desde julho de 2023, em 0,25 ponto, para a faixa de 3,75% a 4%, e sinalizou novas altas nos próximos meses, segundo a Reuters.
O presidente do Fed, Kevin Warsh, apontou o mercado de trabalho como "um sinal básico de força" e disse que os dirigentes avaliam que a taxa de desemprego está "basicamente compatível com o pleno emprego".
O presidente Donald Trump chamou o relatório de agosto de "grande número de empregos" e cobrou do Fed corte, não alta, dos juros, segundo a CNBC.
O que dizem os economistas?
"O mercado de trabalho está vivo e bem, gerando milhares de novos empregos", afirmou Chris Rupkey, economista-chefe da Fwdbonds, à CNBC, logo depois da divulgação dos números de agosto.
Ellen Zentner, estrategista-chefe de economia do Morgan Stanley Wealth Management, avaliou na ocasião que um payroll acima do esperado aumentaria a preocupação com uma alta de juros, mas que a palavra final ficaria com os dados de inflação divulgados na semana seguinte.
O que muda para quem trabalha aqui?
Para quem procura emprego ou pensa em trocar de vaga, o retrato de setembro combina demissões baixas com contratação seletiva, na descrição da Reuters. Em agosto, restaurantes e bares, educação pública e indústria abriram mais vagas, enquanto saúde desacelerou e o setor de informação cortou postos.
Para quem tem dívida no cartão de crédito ou empréstimo com juro variável, o sinal do Fed de novas altas indica crédito mais caro nos próximos meses. O próximo teste é o relatório de 2 de outubro.
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