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Fed sobe o juro pela primeira vez desde 2023, e o cartão de crédito é o primeiro a sentir.

O Federal Reserve elevou a taxa básica em 0,25 ponto, para a faixa de 3,75% a 4%, em decisão unânime. As projeções do próprio comitê apontam mais um aumento ainda neste ano.

Redação Brazuca News 17 de September de 2026, 21:17 1 visualizações
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Fed sobe o juro pela primeira vez desde 2023, e o cartão de crédito é o primeiro a sentir.
Foto: K / Pexels License

O Federal Reserve elevou nesta quarta-feira (16) a taxa básica de juros dos Estados Unidos em 0,25 ponto percentual, para a faixa de 3,75% a 4%. É o primeiro aumento desde julho de 2023, e a decisão saiu por unanimidade, com 12 votos a zero no Comitê Federal de Mercado Aberto, o FOMC.

Para quem vive nos Estados Unidos, o efeito não chega todo de uma vez. Ele aparece primeiro nas dívidas de juro variável, principalmente o cartão de crédito, e depois se espalha pelo financiamento da casa e pelo crédito de carro.

O que o Fed decidiu?

No comunicado oficial, o comitê afirmou que “a inflação permanece elevada” e que a alta dos juros favorece “um retorno mais rápido à meta de 2% do comitê”. O texto também registra que “a atividade econômica está se expandindo em ritmo sólido”, com gasto doméstico resiliente e crescimento forte da produtividade.

Sobre o mercado de trabalho, o comunicado é curto: “a criação de vagas acompanhou o crescimento da força de trabalho, e a taxa de desemprego mudou pouco”. O Fed afirma ainda que vai manter reservas amplas no sistema bancário enquanto persegue a estabilidade de preços.

Warsh diz que a inflação está alta há tempo demais.

O presidente do Fed, Kevin Warsh, resumiu a decisão em uma frase: “O fato simples é que a inflação está alta demais e está assim há tempo demais”. Ele acrescentou que teria dificuldade em descrever as condições financeiras gerais como restritivas. Na leitura dele, o dinheiro ainda circula com folga, mesmo com o juro mais alto.

Em outra declaração, reproduzida pela Associated Press, Warsh disse que “os menos favorecidos são os que mais têm a ganhar com preços estáveis”. A Fox Business registrou o índice PCE, medida de inflação preferida do Fed, em torno de 3,6% em agosto, com o núcleo em 3,2%, bem acima da meta de 2%.

As projeções apontam mais uma alta em 2026.

O quadro de projeções divulgado junto com a decisão, o chamado dot plot, mostrou 16 dos 18 participantes esperando pelo menos mais um aumento em 2026. Quatro deles trabalham com a possibilidade de dois aumentos adicionais, o que somaria meio ponto. A mediana do comitê aponta mais uma alta de 0,25 ponto neste ano e juros por volta de 4% em 2027.

O mercado reagiu sem pânico e sem festa. O S&P 500 caiu 0,5%, o Dow Jones recuou 1,3% e a Nasdaq ficou praticamente de lado, com queda de 0,08%.

O cartão de crédito reajusta em até um mês.

Quem carrega saldo no cartão sente rápido. As taxas variáveis costumam ser reajustadas dentro de um mês após a mudança do Fed, porque acompanham a taxa de referência dos bancos. O saldo total de cartões de crédito nos Estados Unidos está em US$ 1,26 trilhão.

Matt Schulz, analista-chefe de finanças do consumidor da LendingTree, colocou o tamanho do efeito em perspectiva: “A realidade é que um único aumento de um quarto de ponto não vai ter um impacto enorme”. O problema, segundo ele, é a soma. “Isso passa a pesar de verdade quando você empilha alguns desses aumentos, um em cima do outro.”

Financiamento da casa já subiu para 6,95%.

A média nacional do financiamento imobiliário de 30 anos com juro fixo chegou a 6,95% na pesquisa semanal da Freddie Mac divulgada nesta quinta-feira (17). Na semana anterior estava em 6,76%, e um ano atrás em 6,26%. A linha de 15 anos foi a 6,26%, contra 6,09% na semana passada e 5,41% um ano antes.

Vale a distinção para quem já fechou contrato: quem tem juro fixo não muda de parcela. A decisão do Fed atinge contratos novos e dívidas de juro variável, como cartão, linha de crédito com garantia de imóvel (HELOC) e parte dos empréstimos estudantis e empresariais.

Carro novo e usado seguem caros.

O financiamento médio de carro novo está em 7%, e o de usado em 10,6%, segundo levantamento citado pela Associated Press. O preço médio de um carro novo chegou a US$ 50.089, e a parcela média mensal a US$ 765. Nesse mercado, o juro alto se combina com um preço de etiqueta que já vinha subindo, e o resultado aparece direto no valor da prestação.

Quem poupa ganha um pouco mais, e devagar.

Do outro lado do balcão, a alta tende a melhorar o rendimento de contas de poupança de alto rendimento e de certificados de depósito, os CDs. O repasse, porém, costuma ser lento nos bancos grandes. Instituições comunitárias menores e bancos digitais tendem a reagir mais rápido para atrair depósitos. O CD de um ano pagava 1,71% no mês passado, abaixo dos 1,88% registrados em setembro de 2024.

O que observar daqui para frente?

Se as projeções do comitê se confirmarem, esta não foi a última alta do ano, e o efeito no cartão se acumula a cada rodada. Schulz deixou um alerta que cabe no orçamento de casa: “A maioria dos americanos está indo bem, de modo geral. Mas não precisaria de muito para deixarem de estar”.

O calendário também pesa. Cada decisão do FOMC vem acompanhada de um novo quadro de projeções, e é ali que o comitê sinaliza se pretende parar ou seguir. Para o consumidor, o indicador mais concreto continua sendo a própria fatura: a taxa impressa no extrato do cartão e a tabela oferecida no balcão do banco na hora de financiar.

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