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Economia

Fed decide o juro nesta quarta com aposta forte em alta, e o cartão de crédito é quem sente primeiro

O mercado vê probabilidade acima de 85% de elevação na reunião de 15 e 16 de setembro, a primeira sob o comando de Kevin Warsh. A confiança do consumidor caiu ao segundo pior nível desde 1952.

Redação Brazuca News 12 de September de 2026, 04:08 1 visualizações
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Fed decide o juro nesta quarta com aposta forte em alta, e o cartão de crédito é quem sente primeiro
Foto: RDNE Stock project / Pexels License

O Federal Reserve se reúne em 15 e 16 de setembro, e o mercado chega à reunião apostando em alta de juro. Depois do dado de inflação divulgado em 11 de setembro, os operadores passaram a ver a elevação como quase certa, com probabilidade acima de 85%.

Se confirmada, será a primeira alta sob o comando de Kevin Warsh, que assumiu a presidência do banco central americano em maio. A decisão sai na quarta-feira, 16 de setembro, e é uma das reuniões com projeções econômicas atualizadas.

O que muda no seu bolso?

A taxa básica do Fed não é um número abstrato. Ela afeta o custo do crédito em toda a economia, incluindo financiamento de carro, crédito para pequenos negócios e cartão de crédito.

Para quem carrega saldo rotativo no cartão, a conta já é salgada. Segundo levantamento citado pela NPR em janeiro, a taxa média do cartão americano estava em torno de 22% em novembro, contra cerca de 16% cinco anos antes. Uma alta do Fed empurra esse número para cima.

O juro do Treasury de 10 anos, referência do crédito de prazo mais longo, estava em 4,95% na manhã de 11 de setembro.

A confiança do consumidor despencou.

No mesmo dia do dado de inflação saiu outro número, e ele é ruim. O índice de confiança do consumidor da Universidade de Michigan caiu para 47,8 em setembro, queda de 7,5% em relação a agosto e de 13,2% em um ano. É o segundo pior resultado da série, que começa em 1952.

Dentro da pesquisa, o componente de condições atuais recuou 1,9%. O de expectativas desabou 11,1%. E a expectativa de inflação das famílias para os 12 meses seguintes saltou para 4,6%, alta de 0,6 ponto sobre o mês anterior.

"As expectativas para o ano à frente, tanto para as finanças pessoais quanto para as condições de negócios, despencaram", disse Joanne Hsu, diretora da pesquisa. "Com uma retomada nos preços dos combustíveis e tensões comerciais, os consumidores antecipam maiores pressões sobre seus bolsos."

O que o Fed vem dizendo

Na reunião de 29 de julho, o comitê manteve a faixa do juro básico entre 3,5% e 3,75%, mas por placar apertado: 9 votos a 3. Beth Hammack, Neel Kashkari e Lorie Logan, presidentes de bancos regionais do Fed, votaram por subir a taxa em 0,25 ponto.

O comunicado daquele dia registrou que a inflação segue elevada em relação à meta de 2%, refletindo em parte choques de oferta que empurraram preços em setores específicos, entre eles energia.

A virada nas apostas começou no discurso de Warsh em Jackson Hole, em 28 de agosto. "A inflação está rodando acima da nossa meta de 2%. Então o foco predominante do Fed agora deveria ser nos preços", disse ele. Antes do discurso, o mercado via cerca de uma chance em três de alta em setembro. Depois, a probabilidade passou de 50%.

Warsh voltou ao tema em setembro. "Embora as leituras de PCE e CPI deste verão tenham sido melhores do que o esperado, elas não me dizem que as tendências subjacentes melhoraram de forma significativa", afirmou. O PCE, medida de inflação preferida do Fed, está em 3,7% no dado mais recente.

Em depoimento no comitê bancário do Senado, ele foi mais enfático: "Meus colegas e eu reconhecemos que a inflação alta tem sido um fardo indevido para as famílias e as empresas americanas. Os membros do nosso comitê não têm tolerância para inflação persistentemente elevada."

Nem todo mundo no Fed quer subir.

O diretor Christopher Waller sinalizou o contrário em evento no dia 3 de setembro. "Dados recentes sugerem que estamos finalmente vendo alguns sinais de desinflação", disse. "Agora, se isso continuar nos dados das próximas duas semanas, eu estaria inclinado a apoiar manter a meta da taxa de juros no patamar atual."

O presidente do Fed de Nova York, John Williams, também chega à reunião mais inclinado a esperar.

De onde veio o choque de preços?

O Fed cortou juros três vezes no ano passado por causa da fraqueza do mercado de trabalho. Nesta primavera o emprego voltou a se firmar, e desde então o comitê está parado na mesma faixa.

O pico de gasolina ligado à guerra dos Estados Unidos com o Irã levou a inflação anual a 4,2% em maio, o maior nível em mais de três anos, e o conflito em torno do Estreito de Ormuz mantém risco no preço da bomba. Há ainda uma pressão menos visível: o investimento pesado em data centers de inteligência artificial vem empurrando para cima o custo de construção e de chips de memória.

Parte do mercado já projeta mais 0,25 ponto de alta até o fim do ano.

Onde confirmar?

  • Consumer outlook plunges in September as inflation outlook worsens · CNBC · 11/09/2026
  • Analysis: Hot inflation data sets up a Fed rate hike. O que acontece se Warsh vacilar · CNBC · 11/09/2026
  • Federal Reserve emite comunicado do FOMC · Federal Reserve Board · 29/07/2026
  • A divided Federal Reserve holds interest rates steady despite high inflation · NPR · 29/07/2026
  • Fed's Kevin Warsh warns inflation is too high, sparking bets rate hikes are coming · NPR · 28/08/2026
  • Trump has called for a cap on credit card interest rates. How did they get so high? · NPR · 20/01/2026

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