A agência reguladora de medicamentos dos Estados Unidos aprovou a primeira vacina contra gripe que usa a tecnologia de mRNA, a mesma das vacinas de covid. Chama-se mFlusiva e é fabricada pela Moderna.
Nos testes clínicos, ela se mostrou cerca de 27% mais eficaz que a vacina de gripe convencional. A previsão é que chegue às farmácias em algumas semanas, a tempo da temporada de vírus respiratórios de 2026-2027.
Para quem foi aprovada
A autorização vale para dois grupos: adultos de 50 a 65 anos e adultos com 65 anos ou mais. A aprovação saiu com uma condição — a Moderna precisa conduzir um estudo clínico adicional no grupo mais velho.
Não há autorização para crianças, adolescentes ou adultos abaixo de 50 anos.
A pegadinha que decide se você vai conseguir tomar
Aqui está o detalhe que a manchete costuma esconder. Nos Estados Unidos, uma vacina aprovada normalmente passa por um segundo passo: a recomendação formal do comitê consultivo de imunizações dos CDC, conhecido pela sigla ACIP.
Esse comitê está impedido de se reunir por decisão judicial.
A consequência é direta no bolso. Planos de saúde privados geralmente cobrem apenas vacinas recomendadas pelo ACIP. Sem essa recomendação, a mFlusiva pode ficar fora da cobertura — o que significa pagar do próprio bolso.
A distribuição pública também fica limitada, porque não há orientação federal oficial dizendo quem deve receber a dose em programas gratuitos.
O que fazer na prática
Para quem tem 50 anos ou mais e se interessa pela vacina nova, o passo é ligar para o plano de saúde antes de ir à farmácia e perguntar especificamente se a mFlusiva está coberta. Perguntar por "vacina da gripe" em geral pode gerar resposta enganosa, já que a versão tradicional segue coberta normalmente.
A vacina de gripe convencional continua disponível, coberta pela maioria dos planos e recomendada. Ela protege menos que a nova nos testes, mas protege — e é gratuita ou barata em rede de farmácia e em clínicas comunitárias.
Quem está sem seguro encontra vacinação por valor ajustado à renda nos community health centers, que atendem independentemente de status migratório, tanto no Colorado quanto no estado de Washington.
Sobre a desconfiança com o mRNA
Levantamentos anteriores mostraram que boa parte dos adultos mais velhos tem dúvida sobre a segurança da tecnologia de mRNA.
Vale separar as coisas: a aprovação da agência reguladora se baseia nos dados de ensaio clínico apresentados, e a condição imposta à fabricante é justamente um estudo adicional no grupo de 65 anos ou mais.
Quem tem dúvida sobre qual vacina tomar deve conversar com o médico que acompanha seu caso, principalmente havendo doença crônica, uso contínuo de medicamento ou imunidade baixa.
Comentários
Faça login para comentar
EntrarSeja o primeiro a comentar!