A prefeitura de Denver apresentou nesta quinta-feira (10) a proposta de orçamento para 2027, e o tom mudou em relação aos dois últimos anos. Depois de um período de corte, congelamento de vagas e demissões, a administração do prefeito Mike Johnston projeta um crescimento moderado das contas da cidade, sem novas demissões e com reajuste por mérito para os servidores.
O fundo geral, que paga o dia a dia da cidade, ficaria em US$ 1,68 bilhão, um aumento de 1% em relação ao orçamento atual. O pacote completo, que inclui obras, fundos próprios como o do aeroporto e o serviço da dívida, soma US$ 6,08 bilhões.
De onde a cidade está saindo?
O gasto do fundo geral caiu mais de 2,5% nos dois orçamentos anteriores, enquanto Denver enfrentava queda de arrecadação e fim de repasses federais da pandemia. Em 2025, para fechar um rombo projetado em US$ 200 milhões, a prefeitura fechou centenas de vagas abertas e demitiu 171 servidores.
"Sabíamos que tínhamos de ajustar o tamanho do orçamento", disse Johnston em entrevista coletiva. "Queríamos garantir que dava para equilibrar as contas sem repassar esses custos aos moradores de Denver." Ele classificou o resultado como progresso, apesar de dificuldades reais, e disse que a cidade atravessou um ano e meio duro.
O que muda para quem trabalha na prefeitura?
A proposta não prevê demissões nem licenças não remuneradas. Servidores elegíveis receberiam reajuste por mérito de 2%, ao custo de US$ 10,4 milhões.
A cidade também quer integrar os serviços 311 e 911, de forma que os atendentes consigam encaminhar quem liga para o canal certo, seja um caso de emergência ou um pedido de serviço municipal. Sete pontes viárias entram na lista de reparos.
A conta que sobra para o morador
Dois itens da receita merecem atenção de quem dirige na cidade. A prefeitura espera arrecadar US$ 5,3 milhões a mais com multas de trânsito e com a ampliação do horário de cobrança dos parquímetros. Não é aumento de imposto, mas é dinheiro que sai do bolso de quem estaciona no centro ou é flagrado por câmera.
Do lado da arrecadação, o governo aposta que a retomada da atividade econômica sustente o imposto sobre vendas. A região da 16th Street, corredor de pedestres reaberto depois de anos de obras, registrou salto na arrecadação. "Olhamos para os lugares onde estamos vendo crescimento e como esse crescimento aparece", disse Johnston, lembrando que a área vinha em queda real.
O colchão de reserva segue abaixo do exigido.
A receita do fundo geral deve crescer 1,1% em 2027, o maior avanço desde 2023. A reserva da cidade subiria de 11,4% para 12% das despesas do fundo geral. O porcentual continua bem abaixo dos 15% exigidos por lei, o que deixa Denver com menos margem caso a economia volte a travar.
O que aconteceu no orçamento anterior?
O histórico recente ajuda a entender o que está em jogo nas próximas semanas. Em novembro de 2025, o Conselho Municipal rejeitou o plano de gastos de US$ 1,66 bilhão em votação apertada, de 6 a 6, com uma vereadora ausente. Mesmo assim, o orçamento passou a valer, porque a carta da cidade exige um plano em vigor até 12 de novembro. Vereadores reclamaram da complexidade do processo e da falta de colaboração e transparência.
Antes disso, o prefeito e o Conselho negociaram emendas. Das mais de duas dezenas apresentadas, dez foram adotadas, e Johnston aceitou todas sem usar o poder de veto. Entre elas, US$ 2,7 milhões devolvidos ao cartório eleitoral do Clerk and Recorder, US$ 500 mil para o programa de resposta a crises STAR, US$ 286 mil para uma equipe de crise na cadeia municipal e US$ 1,6 milhão para o programa de rotas seguras para escolas.
Moradia e abrigo, o ponto sensível para a comunidade imigrante.
O orçamento de 2026 manteve US$ 15 milhões no programa de assistência temporária de aluguel e contas, o TRUA, voltado a famílias sob risco de despejo, e seguiu bancando o abrigo 24 horas em dias de frio extremo. Ao mesmo tempo, os cortes mais pesados do ano passado caíram justamente sobre a área de moradia: o escritório de estabilidade habitacional absorveu US$ 33 milhões em redução, somando várias fontes.
Para a família brasileira que aluga em Denver, esse é o item a acompanhar nas audiências, porque ele decide quanta ajuda existe quando o aluguel atrasa e quantas vagas de abrigo ficam abertas no inverno.
O calendário até a votação
A proposta segue para o Conselho Municipal na semana de 21 de setembro, quando começam as audiências de orçamento. Os vereadores apresentam pedidos e emendas, e a administração leva a versão final em novembro. É nesse intervalo que moradores conseguem falar diretamente com o vereador do seu distrito.
O pano de fundo político não é neutro. Johnston lançou há pouco a campanha de reeleição e credita a melhora das contas ao trabalho da sua gestão em temas como moradia de rua e criminalidade. O Conselho, que já rejeitou um plano dele, decide se compra a narrativa.
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