O número de mortos pelas enchentes que atingiram o Nepal e o Tibete passou de 1.280 em 3 de setembro, com mais de 5.600 desaparecidos. As autoridades nepalesas recuperaram 1.252 corpos, e o lado chinês contabiliza 21 mortos e 541 desaparecidos.
Entre os desaparecidos no Nepal há pelo menos 550 estrangeiros. A Autoridade Nacional de Redução e Gestão de Riscos de Desastres do país, a NDRRMA, coordena as buscas, que entraram na segunda semana.
O que aconteceu em 26 de agosto
O desastre começou no alto do Himalaia. Uma massa de rocha sob uma geleira cedeu perto do pico Langtang Lirung e despejou pedra, gelo e água de degelo nos vales abaixo. O colapso foi forte o bastante para ser registrado como um evento sísmico de magnitude 5,2.
Cientistas citados pela Euronews apontam que o desabamento envolveu a falha da rocha que sustentava a geleira, e não apenas o derretimento do gelo. A onda de detritos desceu pelos vales do lado tibetano e do lado nepalês, arrastando casas, estradas e pontes.
Os números do desastre
As equipes nepalesas resgataram quase 12 mil pessoas, 11.814 até 1º de setembro, segundo balanço divulgado pelas autoridades. Helicópteros e aviões foram usados para alcançar comunidades que ficaram sem acesso por terra.
O volume de material deslocado dá a dimensão do estrago: 2,2 milhões de toneladas de detritos. Cerca de 7.500 casas foram destruídas, e o país calcula que precisa reconstruir por volta de 20 mil moradias. Mais de 3.400 pessoas estão deslocadas em 27 acampamentos.
A corrida nas hidrelétricas
A parte mais difícil das buscas está nas usinas. Cerca de 900 trabalhadores estão desaparecidos em 12 projetos hidrelétricos danificados, e por volta de 500 são dados como presos dentro de túneis.
As equipes trabalham sem parar para chegar até eles. "Ainda temos esperança de que haja sobreviventes lá dentro", disse um oficial do exército nepalês à Al Jazeera. Onze dias depois do desabamento, nenhuma operação de resgate nesses túneis havia sido concluída.
O que restou das comunidades
A paisagem da região de fronteira mudou de forma. O piloto de helicóptero Bimal Sharma descreveu à Euronews o que viu ao sobrevoar Timure, cidade nepalesa vizinha ao Tibete: "Foi como se eu estivesse voando sobre uma paisagem completamente diferente".
As enchentes destruíram casas, prédios, estradas e pontes ao longo do trajeto. O acesso a boa parte dos vilarejos depende de rotas aéreas, o que atrasa tanto o socorro quanto a contagem de vítimas.
O Nepal cobra compensação climática
O ministro das Relações Exteriores do Nepal, Shisir Khanal, pediu compensação climática internacional em razão do desastre. O argumento do país é conhecido nas negociações do clima: nações do Himalaia respondem por parcela mínima das emissões globais e concentram parte grande do risco de colapso de geleiras.
O tema volta com peso às reuniões internacionais quando um evento dessa escala acontece. O que o Nepal reivindica é financiamento para reconstrução e para sistemas de alerta, não apenas ajuda humanitária de emergência.
O que vem a seguir
As buscas continuam concentradas nas hidrelétricas e nas comunidades isoladas, e o número de mortos deve subir conforme as equipes alcançam áreas ainda bloqueadas por detritos. A reconstrução de cerca de 20 mil casas define o tamanho do problema que o Nepal enfrenta depois da fase de emergência.
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