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Reino Unido, França e Canadá proíbem produtos de assentamentos israelenses, e Israel fecha o consulado britânico

Doze países anunciaram restrições ao comércio com os assentamentos na Cisjordânia ocupada, e Londres ainda sancionou empresas que financiam a expansão. Israel respondeu fechando o consulado do Reino Unido em Jerusalém Oriental.

Redação Brazuca News 12 de September de 2026, 11:13 1 visualizações
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Reino Unido, França e Canadá proíbem produtos de assentamentos israelenses, e Israel fecha o consulado britânico

O Reino Unido proibiu na terça-feira, 8 de setembro, a importação de produtos vindos dos assentamentos israelenses na Cisjordânia ocupada, e França e Canadá anunciaram medida equivalente no mesmo dia. Ao todo, doze governos assinaram compromissos de restringir o comércio com os assentamentos, no maior movimento coordenado de aliados ocidentais contra a política israelense de ocupação.

O anúncio veio do chanceler britânico Ed Miliband, em pronunciamento no Parlamento. Ele classificou a decisão como uma redefinição da relação entre Londres e Israel. Israel reagiu no mesmo dia com uma lista de retaliações diplomáticas.

O que Londres anunciou

Pelo texto oficial do governo britânico, a proibição alcança os bens produzidos nos assentamentos e cria um regime amplo de sanções, com exceções de caráter religioso. O Reino Unido também proibiu a publicidade de assentamentos em seu território e passou a sancionar empresas e pessoas que forneçam serviços de construção, infraestrutura, financiamento ou negócios imobiliários ligados à expansão.

Miliband confirmou ainda a manutenção da suspensão de mais de trinta licenças de exportação de armas e disse que o governo recusará novos pedidos de licença para itens que contribuam materialmente para a ocupação. Ao anunciar as sanções contra prestadores de serviço, ele foi curto: quem fizer isso enfrentará a força total das sanções britânicas.

Os doze países e o que cada grupo prometeu.

O bloco reúne Canadá, Dinamarca, Espanha, Finlândia, França, Islândia, Irlanda, Noruega, Polônia, Portugal, Suécia e Reino Unido, segundo a Al Jazeera. Nem todos estão no mesmo estágio. Miliband citou Países Baixos, Irlanda, Bélgica, Espanha e Noruega como países que já barraram produtos ou estão em processo de fazê-lo, enquanto Dinamarca, Finlândia, Islândia, Polônia, Portugal e Suécia se comprometeram a apoiar novas medidas.

O chanceler francês Jean-Noël Barrot foi objetivo sobre a decisão do seu país: a França vai encerrar o comércio com os assentamentos israelenses na Palestina. Setembro marca um ano desde que Canadá, Reino Unido e França reconheceram o Estado palestino. Em declaração conjunta, o primeiro-ministro canadense Mark Carney e seus colegas britânico e francês disseram que chegou a hora de agir e reafirmaram compromisso com a segurança de Israel.

O estopim: 1.200 casas em E1.

Miliband disse que a ação foi tomada agora porque Israel cruzou uma linha vermelha de longa data, referindo-se à abertura, em agosto, de licitações para a construção de mais de 1.200 moradias para colonos na área conhecida como E1, na Cisjordânia ocupada.

O pano de fundo é de violência crescente. Levantamento citado pela revista Time aponta oitenta ataques de colonos com feridos ou danos materiais apenas entre 11 e 24 de agosto de 2026. No acumulado do ano, mais de 1.040 palestinos ficaram feridos nesses episódios e 79 foram mortos por militares israelenses ou por colonos.

A retaliação de Israel

Israel anunciou o fechamento do consulado britânico em Jerusalém Oriental, o fim do treinamento britânico às forças de segurança da Autoridade Palestina e a proibição de entrada de alguns funcionários do Reino Unido. O país também retirou os britânicos de uma missão de coordenação sobre Gaza liderada pelos Estados Unidos.

O chanceler israelense Gideon Saar rejeitou a acusação central do discurso britânico. “As acusações feitas hoje pelo secretário de Relações Exteriores do governo trabalhista no Parlamento britânico foram mentiras escandalosas”, afirmou. Israel considera a Cisjordânia território disputado, e não ocupado.

Os Estados Unidos ficaram de fora.

Washington não aderiu. O secretário de Estado, Marco Rubio, descartou a possibilidade em uma frase, ao dizer que os Estados Unidos obviamente não farão o que o Reino Unido fez. A posição americana isola o principal aliado de Israel em relação a boa parte do G7 e da União Europeia nesse ponto específico.

A divergência também tem peso político interno no Reino Unido. O primeiro-ministro Andy Burnham havia assumido sete semanas antes do anúncio, e a medida foi recebida com aplausos no plenário, segundo relato da CBC.

O que muda no comércio, na prática?

Os assentamentos exportam principalmente produtos agrícolas, como tâmaras, abacates e ervas, além de itens fabricados em zonas industriais. Segundo levantamento citado pela Time, mais de 17% dos carregamentos agrícolas analisados com destino à Europa continham produtos de assentamentos, e parte deles chega rotulada como se fosse originária de Israel.

Essa rotulagem é o nó da fiscalização. Sem separar a origem exata na declaração aduaneira, a proibição depende de auditoria de cadeia de fornecimento. Chris Doyle, diretor do Council for Arab-British Understanding, resumiu o desafio do lado israelense: cabe ao Estado de Israel desacoplar sua economia da economia dos assentamentos.

A base jurídica e as críticas

As medidas se apoiam no artigo 49 da Quarta Convenção de Genebra, que proíbe a transferência forçada de pessoas protegidas de território ocupado e também impede a potência ocupante de transferir a própria população civil para lá. A ONU e a maioria dos países consideram os assentamentos ilegais com base nesse dispositivo. Cerca de 620 mil colonos israelenses vivem na Cisjordânia e em Jerusalém Oriental, distribuídos por aproximadamente 620 assentamentos.

Nem toda a crítica vem do governo israelense. Sara Yael Hirschhorn, professora de história da Universidade de Haifa, apontou uma limitação do desenho das sanções: elas não miram, em primeiro lugar, os autores da violência de colonos. Miliband defendeu a decisão em outra chave, ao dizer que o governo britânico se recusa a ser espectador de mais sofrimento e da destruição da solução de dois Estados.

Onde confirmar?

  • Al Jazeera, “UK, France among 12 states backing sanctions on illegal Israeli settlements”, 08/09/2026 · aljazeera.com.
  • CBC News, “Canada, U.K., France to ban trade of goods from Israeli settlements in occupied West Bank”, 08/09/2026 · cbc.ca
  • GOV.UK, “Foreign Secretary Oral Statement on Israel-Palestine”, 08/09/2026 · gov.uk
  • TIME, “Why the U.K., Canada, and France Are Banning Trade With Israeli Settlements”, 08/09/2026 · time.com

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