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25 anos do 11 de setembro: a cronologia da manhã que mudou os Estados Unidos e o que ficou de lá para cá

Hora a hora, o que aconteceu em 11 de setembro de 2001, os 2.977 mortos de 90 países e o que o atentado deixou: o Departamento de Segurança Interna, a entrevista consular obrigatória e a biometria na entrada. Mais de 9 mil socorristas morreram depois, por doença.

Redação Brazuca News 11 de September de 2026, 12:17 71 visualizações
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25 anos do 11 de setembro: a cronologia da manhã que mudou os Estados Unidos e o que ficou de lá para cá
Foto: Brazuca News USA / Arte própria

Vinte e cinco anos depois, o 11 de setembro de 2001 continua sendo a data que reorganizou a vida de quem entra, sai e mora nos Estados Unidos. Naquela manhã, quatro aviões comerciais foram sequestrados e usados como armas. Morreram 2.977 pessoas, de 90 nacionalidades.

Nesta sexta-feira, o Memorial e Museu Nacional do 11 de Setembro realiza em Nova York a cerimônia dos 25 anos, com a leitura dos nomes feita por familiares. O programa começa às 8h30, e o primeiro minuto de silêncio é às 8h46, a hora exata em que tudo começou.

A manhã, hora a hora

As duas torres do World Trade Center em chamas, vistas do outro lado do rio

As duas torres em chamas na manhã de 11 de setembro de 2001, vistas do Brooklyn. Foto: Michael Foran · Creative Commons BY 2.0

O primeiro avião atingiu a Torre Norte do World Trade Center às 8h46, entre o 93º e o 99º andar. Naquele momento, quase todo mundo ainda achava que era acidente.

Às 9h03, dezessete minutos depois, o segundo avião entrou na Torre Sul, entre o 77º e o 85º andar, diante das câmeras que já transmitiam ao vivo. Deixou de ser acidente na frente do mundo inteiro.

Às 9h37, um terceiro avião atingiu o Pentágono, a sede militar americana, do outro lado do rio Potomac, perto de Washington.

Ala oeste do Pentágono destruída, com guindastes e equipes de resgate

A ala oeste do Pentágono depois do impacto. O prédio é a sede do Departamento de Defesa dos Estados Unidos. Foto: Sgt. Cedric H. Rudisill / Força Aérea dos EUA · domínio público

Às 9h59, a Torre Sul desabou. Tinha ficado em pé 56 minutos depois de ser atingida.

Às 10h02, o quarto avião caiu num campo vazio em Shanksville, na Pensilvânia. Os passageiros reagiram aos sequestradores. O destino provável era Washington.

Às 10h28, a Torre Norte também veio abaixo. Em menos de duas horas, o horizonte de Nova York tinha mudado de forma permanente.

Os números daquele dia

Foram 2.977 mortos: 2.753 em Nova York, 184 no Pentágono e 40 no voo 93. Vinham de 90 países. Foi, desde o primeiro dia, um luto que não coube dentro de uma fronteira.

Equipes trabalham nos escombros do World Trade Center em setembro de 2001

Os escombros do World Trade Center em 25 de setembro de 2001. A remoção durou meses. Foto: Michael Rieger / FEMA · domínio público

O que nasceu depois

A resposta americana redesenhou o Estado. Em 2002 foi criado o Departamento de Segurança Interna, o DHS, juntando 22 departamentos e agências federais numa única pasta. Foi a maior reorganização do governo americano em mais de meio século.

Foi nessa reorganização que o antigo serviço de imigração deixou de existir como era e virou o que o brasileiro conhece hoje pelas siglas: a agência que cuida dos pedidos de visto e cidadania, a que fiscaliza dentro do país e a que controla a fronteira passaram a ser três órgãos separados, todos dentro do DHS.

O que mudou para quem é imigrante

Esta é a parte que ainda pesa no dia a dia de quem vive ou pretende viver nos Estados Unidos.

A entrevista no consulado virou regra. Antes de 2001, era comum a entrevista para visto de turista e negócios ser dispensada. A Lei de Reforma da Inteligência e Prevenção do Terrorismo, de 2004, passou a exigir a entrevista, com exceções limitadas. Quem hoje acha normal enfrentar fila de consulado está vivendo uma consequência direta daquele dia.

Estudante estrangeiro passou a ser rastreado. Um dos sequestradores estava no país com visto de estudante. Em outubro de 2001, o governo determinou o fim do que chamou de abuso desse visto, e as universidades passaram a ser obrigadas a informar ao governo dados detalhados de cada aluno estrangeiro, num sistema criado para isso. É por ele que a escola precisa avisar quando o aluno tranca a matrícula ou muda de curso.

Entrou a biometria. A partir de 2003, passou a ser coletada impressão digital e foto de estrangeiros admitidos no país. É o procedimento que hoje todo mundo cumpre sem pensar ao desembarcar.

Áreas sensíveis ganharam checagem extra. Estudantes de campos considerados sensíveis passaram a ter uma verificação adicional, que pode atrasar semanas a emissão do visto.

O efeito não foi só burocrático. Relatórios do setor de pós-graduação americano registraram queda nas matrículas de estrangeiros nos anos seguintes, atribuída às mudanças de política, à percepção de um país menos receptivo e à concorrência de outros destinos.

A conta que nunca fechou

O número que mais impressiona 25 anos depois não é o de 2001. Cerca de 400 mil pessoas foram expostas à nuvem tóxica que cobriu o sul de Manhattan, segundo o CDC: moradores, trabalhadores de escritório, estudantes e os socorristas que passaram meses no meio dos escombros.

O programa federal de saúde criado para essas pessoas atendia mais de 150 mil sobreviventes e socorristas em 30 de junho de 2026, com mais de 139 mil problemas de saúde documentados. Entre as condições certificadas nos últimos doze meses, 71% eram cânceres. Os mais comuns foram de pele, próstata e mama.

E há uma comparação que resume tudo: 412 socorristas morreram no dia do atentado. Mais de 9 mil morreram depois, de doenças ligadas à exposição, segundo o programa de saúde do World Trade Center. O ataque durou uma manhã; o que ele provocou continua matando.

Pessoas em serviço de homenagem às vítimas em Nova York

Homenagem às vítimas em Nova York, semanas depois dos ataques. Foto: Andrea Booher / FEMA · domínio público

O lugar, hoje

Onde ficavam as torres existem hoje dois espelhos d'água quadrados, cada um ocupando exatamente a área de uma das bases. A água cai pelas paredes e desaparece num vão central. Em volta, em bronze, estão os nomes de todas as vítimas, inclusive as do atentado de 1993 no mesmo complexo.

Espelho d'água do memorial do 11 de setembro, na área onde ficava uma das torres

Um dos dois espelhos d'água do memorial, na pegada exata de uma das torres. Foto: Mike Norton · Creative Commons BY 2.0

Ao lado, o One World Trade Center subiu até 1.776 pés, número escolhido por ser o ano da independência americana. É hoje o prédio mais alto do hemisfério ocidental e voltou a ser o ponto que se enxerga de longe, do outro lado do rio.

One World Trade Center visto de baixo, em Nova York

O One World Trade Center, erguido ao lado do memorial. Foto: Gaiusahala · Creative Commons BY-SA 4.0

A cerimônia dos 25 anos

A cerimônia desta sexta-feira terá sete momentos de silêncio. Seis marcam as horas exatas em que cada torre foi atingida e caiu, o ataque ao Pentágono e a queda do voo 93.

O sétimo é novo e diz muito sobre o que mudou nesses 25 anos: ele honra quem morreu depois, de doença ou ferimento ligado ao atentado. A entrada dos familiares começa às 7h, e o museu abre das 8h às 17h30.

Os dois feixes de luz do Tribute in Light no céu de Nova York

O Tribute in Light: dois feixes que sobem do sul de Manhattan na noite de cada 11 de setembro. Foto: Denise Gould / Departamento de Defesa dos EUA · domínio público

Para o brasileiro que mora aqui, a data tem um peso duplo. É o luto de um país que o acolheu. E é também a origem de boa parte das regras que ele cumpre toda vez que renova um documento, agenda uma entrevista ou passa por uma fila de imigração no aeroporto.

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