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Após três horas com Putin no Kremlin, enviados de Trump levam plano de cessar-fogo a Kyiv

Steve Witkoff e Jared Kushner se reuniram com Vladimir Putin no sábado e chegaram à capital ucraniana no domingo, na primeira visita da dupla nesta nova ofensiva diplomática. Moscou e Kyiv concordaram em pausar ataques às capitais durante as conversas.

Redação Brazuca News 06 de September de 2026, 11:17 1 visualizações
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Após três horas com Putin no Kremlin, enviados de Trump levam plano de cessar-fogo a Kyiv
Foto: Tom D'Arby / Pexels License

Os enviados americanos Steve Witkoff e Jared Kushner chegaram a Kyiv neste domingo para apresentar ao governo ucraniano o resultado de mais de três horas de reunião com Vladimir Putin no Kremlin, realizada no sábado. É a primeira visita da dupla à capital ucraniana nesta nova tentativa de acordo de paz, segundo a rádio pública americana NPR.

A sequência Moscou-Kyiv é o movimento diplomático mais concreto em meses na guerra da Ucrânia — e veio acompanhada de um gesto raro: as duas capitais concordaram em pausar os ataques aéreos uma contra a outra enquanto as conversas acontecem.

Três horas de conversa no Kremlin

Witkoff, enviado especial dos Estados Unidos, e Kushner, genro do presidente Donald Trump, se reuniram com Putin na tarde de sábado, 5 de setembro, no Kremlin. A conversa durou mais de três horas, em sessão fechada, e contou com funcionários americanos das áreas de segurança nacional, Estado e Tesouro, de acordo com a ABC News. Na mesa: a situação militar na Ucrânia, questões econômicas e o que o Kremlin descreveu como projetos conjuntos "mutuamente benéficos" entre Rússia e Estados Unidos.

Foi a primeira ida da dupla a Moscou desde janeiro, segundo a NPR. A revista indiana The Week relata que a reunião ocorreu no Palácio do Senado, dentro do complexo do Kremlin, e foi seguida de um jantar privado — e que a visita veio depois de uma passagem do diretor da CIA, John Ratcliffe, pela capital russa.

O que Moscou disse

Yuri Ushakov, assessor de política externa de Putin, classificou a conversa como "substantiva, construtiva, excepcionalmente franca e conduzida em espírito de confiança", mas não divulgou resultados concretos. Ainda segundo a ABC News, Putin confirmou a "intenção de continuar trabalhando conjuntamente com os americanos" em busca de uma solução diplomática. De acordo com a The Week, o presidente russo se disse "confortável trabalhando com os enviados" e pediu que transmitissem saudações a Trump.

A hospitalidade, porém, não veio acompanhada de recuo. A The Week relata que a Rússia manteve sua posição de exigir a retirada ucraniana de Donetsk e Luhansk e a cessão das quatro províncias que reivindica antes de qualquer cessar-fogo — condições que Kyiv rejeita desde o início da guerra.

Do lado americano, os enviados apresentaram o que descreveram como planos substantivos para os próximos passos rumo a um cessar-fogo, com anúncios previstos para as próximas semanas, informou a ABC News. A The Week acrescenta que a delegação levava uma proposta de Trump cujos detalhes também ficaram para as próximas semanas.

A pausa nos ataques às capitais

O presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy se comprometeu a não atacar Moscou com drones durante a visita dos enviados e pediu reciprocidade russa, segundo a ABC News. A NPR informou que os dois lados concordaram em suspender os ataques às capitais enquanto as negociações avançam. A The Week detalha os termos: a Rússia ofereceu 72 horas sem ataques a Kyiv a partir da meia-noite de sábado, restritas à capital, e a Ucrânia concordou em segurar os ataques a Moscou até segunda-feira.

A trégua parcial não alcançou o resto do país. Na noite de sábado para domingo, a Rússia lançou 108 drones e 6 mísseis contra a Ucrânia, que interceptou 82 drones — os ataques deixaram um morto e ao menos dez feridos, segundo a NPR. No sentido contrário, um ataque ucraniano matou uma pessoa e feriu outra com gravidade na região russa de Belgorod, e Moscou afirma ter abatido 258 drones ucranianos em 14 regiões.

A etapa de Kyiv

Em Kyiv, Witkoff e Kushner devem discutir com o presidente Volodymyr Zelenskyy e sua equipe os termos levantados em Moscou. A visita marca a primeira vez que os dois negociadores levam pessoalmente à capital ucraniana o desenho de um eventual acordo nesta rodada de negociação, de acordo com a NPR — uma viagem que, com o espaço aéreo ucraniano fechado, tem até desafio logístico, observa a The Week.

Zelenskyy chega à mesa com linhas vermelhas conhecidas: sem concessão territorial e sem abrir mão da ambição de entrar na Otan, segundo a The Week.

Uma frente de 1.250 quilômetros

A guerra chega a esta rodada de conversas mais intensa no ar e travada no chão. A NPR descreve um conflito cada vez mais disputado com drones e mísseis, ao longo de uma linha de frente de 1.250 quilômetros em que nenhum dos lados consegue avanço significativo. Esse impasse militar dá contexto à ofensiva diplomática de Washington.

O que vem a seguir

A reunião de sábado terminou sem anúncio de avanço concreto, segundo a NPR — e é justamente por isso que a parada em Kyiv ganhou peso. O desfecho da etapa ucraniana deve indicar se a rodada vira processo formal de negociação ou esfria como as tentativas anteriores. Os anúncios prometidos pelos enviados americanos para as próximas semanas — e a durabilidade da pausa nos ataques às capitais — são os primeiros termômetros a observar.

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