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EUA e Irã voltam a trocar ataques após um mês de calmaria, e o Estreito de Ormuz volta ao centro do conflito

Os EUA atingiram dois lançadores de foguetes na Ilha de Larak, no sul do Irã, e Teerã respondeu com mísseis contra bases americanas na Jordânia e nos Emirados. Não houve feridos nas bases; o galão de gasolina segue acima de US$ 4.

Redação Brazuca News 31 de August de 2026, 11:20 1 visualizações
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EUA e Irã voltam a trocar ataques após um mês de calmaria, e o Estreito de Ormuz volta ao centro do conflito
Foto: Punit Singh / Pexels License

Estados Unidos e Irã voltaram a trocar ataques na virada de domingo (30) para segunda-feira (31), na primeira escalada militar direta em mais de um mês. A troca reacende um conflito que estava em relativa calma e recoloca o Estreito de Ormuz no centro da disputa.

Os EUA atingiram dois lançadores de foguetes iranianos na Ilha de Larak, um pequeno território ao largo de Bandar Abbas, no sul do Irã. Horas depois, Teerã disparou mísseis contra bases usadas por forças americanas na Jordânia e nos Emirados Árabes Unidos.

O que os EUA atingiram, e por quê

Segundo o Comando Central americano (Centcom), forças iranianas foram observadas preparando o lançamento de foguetes carregados com minas marítimas em direção ao estreito. O militar tomou uma "ação limitada e precisa" contra as "forças de mineração que representavam ameaça iminente" na via navegável, disse o Centcom em publicação na rede X.

"O Irã criou a ameaça e o militar dos EUA a eliminou para proteger marinheiros civis, o transporte comercial e o livre fluxo do comércio global", acrescentou o comando. O porta-voz do Centcom, capitão Tim Hawkins, confirmou que os alvos eram os dois lançadores.

O ataque veio poucos dias depois de o presidente Donald Trump declarar que o Estreito de Ormuz estava livre de minas.

A versão de Teerã

A mídia estatal iraniana relatou que moradores ouviram uma explosão perto da ilha e informou baixas entre militares e civis. A Guarda Revolucionária (IRGC) classificou o ataque americano como "um erro estratégico e mortal" do governo Trump e prometeu retaliação, em nota divulgada pela emissora estatal IRIB.

A retaliação contra bases na Jordânia e nos Emirados

A resposta veio batizada de "Punição do Agressor" — uma operação combinada de mísseis e drones. A Guarda Revolucionária disse ter atingido duas bases usadas por forças americanas na Jordânia, as de Rei Hussein e Al Azraq, e alvos militares na base aérea de Al Minhad, nos Emirados.

Segundo o IRGC, a operação "destruiu a infraestrutura técnica e de reparos, assim como os locais de posicionamento dos caças inimigos". Não houve registro de feridos em nenhuma das bases.

Interceptações, desmentidos e o drone abatido

As forças armadas da Jordânia interceptaram oito mísseis que entraram no espaço aéreo do país. Os Emirados derrubaram drones sobre suas águas territoriais.

O Ministério da Defesa dos Emirados negou a versão iraniana de que a base aérea de Al Minhad tenha sido atingida. É o tipo de divergência que costuma marcar as primeiras horas de uma escalada: cada lado descreve o mesmo episódio com resultados diferentes, e a checagem independente demora.

O Irã afirmou ainda ter abatido um drone americano MQ-9 Reaper sobre o Estreito de Ormuz. Nenhuma das duas bases na Jordânia registrou feridos, o que sugere que a retaliação foi calibrada para produzir efeito político sem provocar uma resposta americana de outra magnitude.

"Não buscamos a guerra"

O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, falou nesta segunda-feira em tom de contenção calculada. "Não buscamos a guerra... Mas diante da agressão, nunca ficaremos parados, e somos capazes de dar uma resposta decisiva", disse, segundo a emissora estatal IRIB.

Um vídeo feito por inteligência artificial

Durante a escalada, Trump publicou na Truth Social um vídeo gerado por inteligência artificial que mostrava a Ilha de Kharg — o principal terminal de exportação de petróleo do Irã — sendo bombardeada, com a legenda "Ilha de Kharg sendo explodida em pedacinhos!!!". A imagem não corresponde a um ataque real.

Seis meses de disputa pelo estreito

O conflito começou em fevereiro e chegou ao sexto mês travado em torno da mesma via marítima. Teerã afirma ter o direito de administrar o estreito e faz ataques regulares a embarcações; Washington mantém o tráfego funcionando com escolta de navios e um bloqueio naval aos portos iranianos.

A tentativa de minar o canal é o que está no centro do episódio de domingo. Foi essa a justificativa apresentada pelo Centcom para atacar: impedir que os foguetes com minas fossem lançados sobre a rota. O comando ligou a operação à proteção de "marinheiros civis, do transporte comercial e do livre fluxo do comércio global" — a formulação que Washington vem usando para descrever seu objetivo na região.

Nas últimas semanas, o governo americano vinha priorizando pressão econômica em vez de ação militar. O ataque de domingo rompe essa linha e devolve o conflito ao terreno militar, poucos dias depois de Trump declarar o estreito livre de minas.

O peso disso no bolso de quem vive nos EUA

O Estreito de Ormuz é a rota por onde passa boa parte do petróleo negociado no mundo, e a guerra já se traduziu em preço de combustível. O galão de gasolina segue acima de US$ 4 nos Estados Unidos, contra menos de US$ 3 antes do início do conflito, em fevereiro.

Para o trabalhador que depende do carro para chegar ao serviço — construção, limpeza, entrega, cuidado —, cada nova rodada de ataques no estreito tende a aparecer na bomba antes de aparecer em qualquer outro lugar.

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