Uma enchente repentina, provocada pelo colapso de uma geleira, devastou a região de fronteira entre o Nepal e o Tibete na manhã de quarta-feira, 26 de agosto, e deixou centenas de mortos e mais de mil desaparecidos, entre eles dezenas de cidadãos americanos. O Departamento de Estado informou estar ciente de cerca de 90 americanos que podem ter sido afetados pelo desastre.
Os distritos de Nuwakot e Rasuwa, no Nepal, e a área do porto de Gyirong, do lado tibetano, concentram os estragos. A região é rota de comércio entre os dois países e caminho de peregrinação para o monte Kailash, o que ajuda a explicar a quantidade de estrangeiros na área no momento da tragédia.
O que aconteceu na manhã de quarta-feira
Segundo levantamento do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) citado pela CBS News, a catástrofe foi disparada por um colapso glacial seguido de fluxo de detritos, e não por um terremoto, como se supôs nas primeiras horas. Especialistas em clima descreveram uma avalanche vinda de uma geleira que bloqueou o rio Lhende Khola. Quando a barreira cedeu, a água desceu de uma vez.
Vilarejos inteiros foram varridos. A NPR ouviu Santa Tamang, estudante de 25 anos, que resumiu a perda: “Tudo se foi. Minha infância, minha família, minha comunidade.”
Os números divergem — e ainda vão mudar
Os balanços das duas maiores redes americanas não batem, e isso diz algo sobre o estágio das buscas. A NPR reportou mais de 500 mortos e mais de mil desaparecidos no Nepal e no Tibete. A CBS News, no mesmo dia, registrava ao menos 360 mortes confirmadas e mais de 1.400 pessoas desaparecidas.
O detalhamento da CBS ajuda a entender quem está na lista: 113 turistas nepaleses, 85 integrantes do Exército e da polícia, 161 moradores locais e 260 estrangeiros do lado tibetano. A NPR contabilizou mais de 600 estrangeiros entre os desaparecidos, além de 290 indianos classificados como “não contactáveis” e 558 sumidos no Tibete.
Balanços de desastre em área montanhosa sem estrada aberta são estimativas em movimento. Vale tratá-los como fotografia de um momento, não como total final.
Cerca de 90 americanos no radar do Departamento de Estado.
Um porta-voz do Departamento de Estado afirmou que a pasta está “ciente de cerca de 90 americanos que podem ter sido afetados pelas enchentes” e segue monitorando de perto. A Nepal Tourism Board listou 65 cidadãos dos Estados Unidos entre os desaparecidos. Três americanos haviam sido resgatados com vida até quinta-feira, segundo a CBS News.
Parte desses americanos viajava em grupo. Vinte e dois deles estão entre os 80 participantes desaparecidos de uma peregrinação organizada pela Isha Foundation.
O secretário de Estado, Marco Rubio, declarou que o departamento “está pronto para apoiar o governo do Nepal com a assistência humanitária necessária”.
Uma geleira, não um terremoto
A distinção técnica importa porque muda a leitura do risco na região. Terremoto é evento sísmico; colapso glacial é consequência de um sistema de gelo que vem perdendo estabilidade. Pesquisadores citados pela CBS News apontam que as geleiras do Himalaia derretem cada vez mais rápido, com a taxa de perda de gelo dobrando desde o ano 2000.
O mesmo sistema de rios já havia transbordado em julho de 2025 — duas inundações graves em 14 meses, segundo a NPR.
Pontes levadas, estradas que sumiram
A infraestrutura da região foi arrasada. A NPR contabilizou 35 pontes destruídas e cerca de 40 quilômetros de estradas levados pela água, o que transforma o resgate em operação aérea.
Dhruba Gurmachhan, da organização World Vision, descreveu a dificuldade: o acesso por estrada já é sempre complicado ali, mas nas circunstâncias atuais “é impossível”.
A ajuda que já foi anunciada
Os Estados Unidos destinaram US$ 500 mil à Catholic Relief Services e enviaram um assessor à região. As Nações Unidas liberaram US$ 2,5 milhões e a Suíça, US$ 1 milhão. A Índia mobilizou helicópteros com suprimentos. Reino Unido e Canadá ofereceram assistência, de acordo com a NPR.
A soma ainda é modesta diante da escala do estrago e da dificuldade logística de chegar aos vales atingidos.
O que o desastre diz sobre o Himalaia
A cordilheira abastece de água uma das regiões mais densamente povoadas do planeta. Com o gelo perdendo massa em ritmo acelerado, cresce a chance de eventos como o de quarta-feira: lagos e barreiras naturais de gelo que se rompem sem aviso e mandam volumes enormes de água ladeira abaixo em minutos.
Para o viajante, o alerta prático é outro. Rotas de peregrinação e trilhas de alta montanha na região concentram estrangeiros em vales estreitos, onde não há tempo de reação quando um evento desses acontece.
Onde confirmar?
- NPR — “Floods kill more than 500 people in Nepal and Tibet, with 90 Americans among the missing”, de 27 de agosto de 2026.
- CBS News — “Nepal flood death toll surges as 65 Americans listed among over 1,000 people still missing”.
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