Brazuca News

A informação que conecta brasileiros e latinos nos EUA

Publicidade

Voltar
Mundo

Houthis tomam o porto de Mocha no Mar Vermelho, e o barril do Brent sobe 4% e chega a US$ 105

O grupo iemenita apoiado pelo Irã passou a controlar a maior parte do litoral do Mar Vermelho e se aproxima do estreito de Bab al-Mandeb, rota entre Ásia e Europa. O petróleo reagiu no mesmo dia.

Redação Brazuca News 11 de September de 2026, 11:18 1 visualizações
Compartilhar
Houthis tomam o porto de Mocha no Mar Vermelho, e o barril do Brent sobe 4% e chega a US$ 105
Foto: Pixabay / Pexels License

Combatentes do grupo houthi tomaram na quinta-feira (10) a cidade portuária de Mocha, na costa iemenita do Mar Vermelho, e passaram a controlar a maior parte do litoral do país naquela faixa, segundo a Al Jazeera e a CNN. O ministro da Informação do governo iemenita reconhecido internacionalmente confirmou a queda da cidade à CNN. O barril do petróleo Brent, referência global, subiu 4% no mesmo dia e chegou a US$ 105.

Mocha fica a cerca de 80 quilômetros ao norte da ilha de Perim, que se projeta sobre o estreito de Bab al-Mandeb. Até a manhã de quinta-feira, a cidade estava sob comando das Forças de Resistência Nacional, grupo apoiado pela Arábia Saudita e chefiado por Tarik Saleh, um dos vice-presidentes do governo iemenita.

Por que o Bab al-Mandeb pesa tanto?

O estreito tem cerca de 29 quilômetros no ponto mais estreito, de acordo com a Al Jazeera, e funciona como porta de entrada da rota que liga Ásia e Europa pelo Canal de Suez. A CNN descreve o ponto como um gargalo geopolítico comparável ao estreito de Ormuz: menos decisivo para o comércio de petróleo, mas ainda assim caminho de milhões de barris por dia e de mercadorias essenciais para o mundo inteiro.

O presidente do Conselho de Liderança Presidencial do Iêmen, Rashad al-Alimi, resumiu o temor do seu governo ao dizer que o Bab al-Mandeb não pode virar outro estreito de Ormuz. O analista Wolfgang Pusztai observou que, das posições conquistadas, o grupo conseguiria ameaçar a passagem apenas com artilharia, sem precisar de mísseis ou drones.

O mercado reagiu no mesmo dia.

A alta de 4% do Brent aconteceu à medida que a notícia do avanço houthi circulou, segundo a CNN. O mercado de combustíveis já vinha pressionado pelo número muito baixo de navios cruzando o estreito de Ormuz. A CNN aponta ainda um efeito específico caso o bloqueio se confirme: a Arábia Saudita ficaria impedida de enviar diesel para a Europa num momento delicado para esse combustível.

Petróleo caro e frete marítimo mais arriscado formam a base de custo da gasolina, do diesel e de boa parte do que chega às prateleiras americanas. Para quem vive nos Estados Unidos, o termômetro prático dessa crise distante costuma aparecer primeiro na bomba e no caminhão que abastece o mercado.

Como o Iêmen chegou até aqui?

Depois de anos de impasse desde a trégua de 2022, o combate entre houthis e forças apoiadas pelos sauditas voltou a escalar no último mês, em consequência das tensões entre o Irã e os Estados Unidos, relata a CNN. Em julho, um avião iraniano que levava uma delegação houthi ao funeral do líder supremo aiatolá Ali Khamenei pousou no aeroporto de Sanaa, sob controle do grupo. O gesto desafiou o domínio saudita sobre o espaço aéreo iemenita, e o reino respondeu com ataques à pista.

Os houthis acusaram a Arábia Saudita de romper a trégua de quatro anos, passaram a bloquear navios sauditas, abriram fogo contra embarcações que passavam perto do Iêmen e atacaram instalações petrolíferas do reino. Uma imagem de satélite de 8 de setembro mostrou fumaça subindo de um centro de distribuição da Saudi Aramco em Abha Bulk.

A tomada de Mocha não foi rápida.

A ofensiva sobre a cidade começou no mês passado. Poucas semanas atrás, mais de 25 foguetes houthis atingiram o porto enquanto navios comerciais descarregavam, contou o diretor do terminal, Abdel Malek Al-Sharaabi, à CNN. O governo iemenita classificou a perda da cidade como um golpe significativo e afirmou que suas forças vão retomá-la, com operações já em curso.

O que o grupo diz sobre a navegação comercial?

Vários dirigentes houthis sinalizaram que o avanço não representa ameaça ao transporte marítimo internacional e afirmam mirar apenas embarcações sauditas. A promessa não acalmou as chancelarias: o Conselho de Segurança da ONU realizou sessões de emergência e o Paquistão avisou que seu pacto de defesa com a Arábia Saudita pode ser acionado se os ataques continuarem, segundo a Al Jazeera.

O risco de uma intervenção militar

Um bloqueio efetivo do Bab al-Mandeb abriria uma nova frente na guerra com o Irã e poderia exigir intervenção militar americana, o que enfraqueceria a capacidade de Washington de manter navios circulando por Ormuz, avalia a CNN. Ahmed Nagi, analista sênior para o Iêmen do International Crisis Group, disse à emissora que o grupo ganhou espaço para ampliar a influência na região do estreito e para se proteger de operações terrestres vindas dali.

“A pergunta agora é como a coalizão liderada pelos sauditas vai reagir”, afirmou Nagi. “Este não é o fim da batalha; provavelmente veremos mais acontecimentos nos próximos dias.” Especialistas ouvidos pela CNN lembram que as linhas de frente no Iêmen mudam com frequência.

A conta humana

Além do impacto geopolítico, o avanço ameaça agravar a crise humanitária iemenita, classificada pela ONU como uma das piores do mundo. Os ataques houthis mais recentes contra a Arábia Saudita deixaram 73 civis feridos, segundo a Al Jazeera.

Onde confirmar?

  • CNN, “Iran-backed rebels capture Red Sea port, tightening grip on a key global chokepoint”, 10/09/2026 — cnn.com
  • Al Jazeera, “Yemen’s Houthis seize strategic Red Sea city of Mocha”, 10/09/2026 — aljazeera.com.

Comentários

Faça login para comentar

Entrar

Seja o primeiro a comentar!