O número de beneficiários do SNAP, o programa federal de auxílio-alimentação conhecido como food stamps, caiu de 42.382.439 pessoas no fim do ano fiscal de 2025 para 37.011.096 em abril de 2026. A diferença é de 5.371.343 pessoas em sete meses, segundo dados do Departamento de Agricultura.
A queda começou depois que as novas exigências de trabalho passaram a valer, em 1º de fevereiro. Elas fazem parte da lei orçamentária sancionada em 4 de julho de 2025.
O que mudou na regra
O beneficiário adulto precisa comprovar 80 horas mensais de trabalho, voluntariado ou participação em programa de qualificação profissional. Quem não cumprir fica limitado a três meses de benefício num período de três anos.
A exigência foi estendida a dois grupos que antes estavam fora: adultos de 55 a 64 anos e pais cujo filho mais novo já tenha 14 anos ou mais. Também foram eliminadas isenções que valiam para pessoas em situação de rua, veteranos e jovens que deixaram o sistema de acolhimento ao completar a maioridade.
Onde a queda foi maior
O Arizona registrou a redução mais acentuada: mais de 400 mil pessoas a menos, queda de 54,8%. Flórida, Geórgia e Louisiana tiveram retração acima de 20%. O Alasca foi o único estado com aumento no período, de 8,2%.
Um levantamento divulgado pela NPR em 3 de agosto calcula que mais de 4 milhões de pessoas perderam o auxílio entre julho do ano passado e abril, boa parte delas crianças.
O Escritório de Orçamento do Congresso projeta que só a mudança nas exigências de trabalho reduzirá a participação no programa em 2,4 milhões de pessoas por mês, na média, ao longo do período de 2025 a 2034.
O que também está mudando
Além do corte de beneficiários, dezoito estados pediram e obtiveram autorização federal para restringir o que pode ser comprado com o benefício, sob argumento de saúde nutricional. No Havaí, a limitação a refrigerantes passou a valer em 1º de agosto; na Carolina do Sul, a data marcada é 31 de agosto.
Outra alteração da lei limita quanto o valor do benefício pode ser reajustado, mesmo quando o preço dos alimentos sobe.
O que a família imigrante precisa saber
Filhos nascidos nos Estados Unidos são cidadãos americanos e têm direito ao benefício conforme a renda familiar, independentemente do status dos pais. Muitas famílias recebem o auxílio apenas para as crianças, e não para os adultos da casa.
Quem recebe o benefício deve ficar atento a duas coisas: as cartas de recertificação, porque o corte por falta de resposta é a causa mais comum de perda, e o registro das horas trabalhadas, já que a comprovação passou a ser exigida com mais frequência. Trabalho informal e horas variáveis precisam de documentação — contracheque, extrato ou declaração do empregador.
Perder o benefício por não comprovar horas não é definitivo: é possível recorrer e reapresentar a documentação ao escritório estadual responsável.
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