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Clima

Atlântico chega ao pico da temporada sem nenhum furacão, e o recorde pode cair na sexta-feira

Cinco tempestades tropicais se formaram no Atlântico em 2026 e nenhuma virou furacão. Se nada mudar até 11 de setembro, a temporada iguala o começo mais tardio já registrado na era dos satélites.

Redação Brazuca News 09 de September de 2026, 11:12 1 visualizações
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Atlântico chega ao pico da temporada sem nenhum furacão, e o recorde pode cair na sexta-feira
Foto: Peggy Anke / Pexels License

O Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos abriu a manhã desta quarta-feira, 9 de setembro, sem nenhum ciclone tropical ativo no Atlântico e sem previsão de formação para os sete dias seguintes. Faltam dois dias para o pico climatológico da temporada e o oceano que banha a Flórida, o Golfo e o Caribe ainda não produziu um único furacão em 2026.

Cinco tempestades receberam nome desde 1º de junho: Arthur, Bertha, Cristobal, Dolly e Edouard. Nenhuma delas alcançou os ventos de 74 milhas por hora, cerca de 119 quilômetros por hora, que transformam uma tempestade tropical em furacão. Se a conta continuar assim até sexta-feira, 11 de setembro, a temporada iguala o começo mais tardio já registrado desde que os satélites passaram a vigiar a bacia.

O recorde que está em jogo na sexta-feira

A data mais tardia para o primeiro furacão do Atlântico na era dos satélites é 11 de setembro, marca alcançada duas vezes, em 2002 e em 2013. Chegar a essa data sem nenhum sistema em força de furacão empata o recorde. Qualquer furacão que se forme depois disso estabelece uma marca inédita.

“Parece extremamente improvável que a gente tenha um furacão até sexta, o que significa que esta temporada vai bater o recorde”, disse o meteorologista Nick Arman, da AccuWeather, à revista Newsweek.

O começo mais fraco em 60 anos.

A contagem de tempestades conta só metade da história. O índice de Energia Ciclônica Acumulada, que soma a intensidade e a duração de cada sistema em vez de apenas contá-los, aponta o início mais fraco desde pelo menos 1966, primeiro ano em que os satélites cobriram o Atlântico de forma rotineira, segundo o The Weather Channel.

Na comparação com a média do período de 1991 a 2020 para esta altura do calendário, faltam duas tempestades nomeadas, três furacões e um furacão de grande intensidade, calculou a Newsweek a partir dos dados oficiais.

El Niño é o motivo.

O El Niño surgiu no Pacífico equatorial em junho e ganhou força a cada mês. O fenômeno aumenta o cisalhamento do vento sobre o Atlântico, ou seja, faz o vento mudar de velocidade e de direção conforme se sobe na atmosfera. Aglomerados de tempestade que precisam de uma coluna vertical organizada para virar furacão acabam desmanchados nesse ambiente. Entre julho e o começo de setembro, esse cisalhamento foi o mais forte já medido desde 1979, segundo o The Weather Channel.

“Quando o El Niño aparece, ele costuma se tornar o fator dominante da atividade total da temporada de furacões, e este El Niño continua ficando mais forte a cada mês”, afirmou Matt Rosencrans, meteorologista responsável pela previsão sazonal de furacões do Serviço Nacional de Meteorologia, na atualização divulgada pela NOAA em 6 de agosto.

A previsão oficial já apontava para baixo.

Naquela atualização, a NOAA manteve a expectativa de temporada abaixo da média: de 7 a 13 tempestades nomeadas, das quais 2 a 6 poderiam virar furacão, incluindo de zero a dois furacões de grande intensidade, com ventos acima de 111 milhas por hora. A agência estimou 75% de chance de atividade abaixo do normal, 20% de temporada dentro da média e 5% de temporada acima. Uma temporada típica no Atlântico entrega 14 tempestades nomeadas, sete furacões e três de grande intensidade.

Chuva mata sem precisar de furacão.

As duas primeiras tempestades do ano mostraram por que a categoria não resume o estrago. Arthur se formou em meados de junho nas águas quentes do Golfo, na costa do Texas, despejou chuva recorde em partes da Louisiana e gerou tornados no litoral. Bertha nasceu também no Golfo, ao sul do Panhandle da Flórida, e tocou o solo em St. Bernard Parish, na Louisiana.

“A chuva no interior é uma das principais causas de estrago em tempestades tropicais e furacões, como Arthur demonstrou”, disse Ken Graham, diretor do Serviço Nacional de Meteorologia. “Por isso é importante se preparar para toda tempestade prevista para a sua área, mesmo que ela nunca chegue à força de furacão.”

No Pacífico, a história é outra.

O mesmo El Niño que trava o Atlântico solta a corda do outro lado. A NOAA manteve a previsão de 15 a 22 tempestades nomeadas no Pacífico Oriental, acima da média, e de 5 a 13 sistemas no Pacífico Central. Até a atualização de agosto, o Pacífico Oriental já tinha sete tempestades nomeadas, duas delas furacões, incluindo um de grande intensidade. Quem tem família ou viagem marcada para o Havaí, para a costa do México ou para a Baja Califórnia segue dentro de uma temporada movimentada, independentemente do silêncio no Atlântico.

A temporada só termina em 30 de novembro.

Restam quase três meses de calendário oficial. A previsão sazonal da NOAA mede a atividade total da bacia e não indica onde uma tempestade vai tocar o solo. Esse recorte só aparece com cerca de uma semana de antecedência, quando o Centro Nacional de Furacões emite avisos e alertas para sistemas específicos.

Para o brasileiro que mora na Flórida, na Geórgia, em Massachusetts ou em Nova Jersey, a leitura prática não mudou: o kit de emergência, a revisão da apólice de seguro e o plano de saída continuam valendo até 30 de novembro. Um recorde de tranquilidade em setembro não é garantia de temporada sem prejuízo.

Onde confirmar?

  • NOAA — atualização da previsão da temporada de furacões no Atlântico, 6 de agosto de 2026.
  • National Hurricane Center — boletim de ciclones tropicais ativos no Atlântico, 9 de setembro de 2026.
  • The Weather Channel — reportagem sobre o início menos ativo em 60 anos, 4 de setembro de 2026.
  • Newsweek — reportagem sobre o recorde de temporada sem furacão, 8 de setembro de 2026.
  • FOX 35 Orlando — levantamento sobre o possível recorde nesta semana, 8 de setembro de 2026.

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