O mapa do U.S. Drought Monitor com dados válidos em 1º de setembro coloca 88,7% do território do Colorado em algum grau de seca. A categoria mais severa, chamada de seca excepcional, cobre 12% do estado. A seca extrema alcança 32,2%, a severa 30,9% e a moderada 13,7%. Outros 5,2% aparecem como anormalmente secos.
Cerca de 4,5 milhões de moradores do Colorado vivem em área sob seca, segundo o levantamento. Houve leve melhora em relação à semana anterior, de 2,5 pontos percentuais, efeito das chuvas isoladas da monção de verão nas montanhas.
Um ano de calor e pouca chuva
Os registros meteorológicos ajudam a explicar o mapa. Julho foi o 45º mês de julho mais seco desde o início da série, em 1895, com 1,82 polegada de chuva, 0,28 abaixo do normal. O período de janeiro a julho foi o quinto mais seco já medido no estado, com 7,67 polegadas — 3,50 abaixo do padrão.
Em Denver, a Denver Water registrou o ano mais quente da série até julho, com temperatura 5 graus Fahrenheit acima do normal e chuva 4 polegadas abaixo da média.
A neve veio pouca e derreteu cedo
O problema começou no inverno. No sistema de captação da Denver Water, o acúmulo de neve de 2025-26 atingiu o pico mais de um mês antes do normal e no menor nível dos últimos 40 anos.
Na bacia do rio Colorado, o pico foi em 18 de março, a 58% do normal — a segunda data mais precoce e o segundo menor pico do histórico. Na bacia do South Platte, o pico veio em 17 de março, a 42% do normal, também a segunda data mais precoce e o menor pico já registrado. O derretimento acelerado começou em meados de março.
Vazão de 22% do normal em 110 anos de registro
O resultado apareceu nos rios. Entre abril e julho, a vazão natural que abastece o sistema da Denver Water somou 95 mil acres-pé, o equivalente a 22% do normal e o menor volume em 110 anos de medição.
Em 31 de agosto, os reservatórios da companhia estavam 71% cheios, contra uma média de 93% para a mesma época. A projeção da própria empresa é de que a armazenagem caia para cerca de 60% antes do degelo da primavera de 2027.
O que muda em 1º de outubro
Em 26 de agosto, o conselho da Denver Water alterou a resolução de seca de estágio 1 para proibir a rega de gramado a partir de 1º de outubro. A restrição vale por prazo indeterminado: os aspersores devem continuar desligados na primavera de 2027, até que o conselho decida em contrário.
Depois de 30 de setembro, o cliente ainda pode molhar árvores, arbustos, plantas perenes, anuais e horta, mas somente com mangueira de mão com bico de fechamento ou irrigação por gotejamento. Sistemas de aspersão ficam proibidos. Parques e campos esportivos seguem regras próprias, com orçamento de água aprovado.
Tyrone Gant, presidente do conselho da Denver Water, afirmou que encerrar formalmente a temporada em 1º de outubro “vai ajudar a esticar nossas reservas, já que entraremos na próxima primavera com armazenagem muito abaixo do normal”. O diretor-executivo Alan Salazar foi direto: “É fundamental que nossos clientes desliguem os aspersores em 1º de outubro”.
As regras que valem até lá
Até 1º de outubro, continua em vigor a restrição de dois dias de rega por semana, definidos pelo endereço. Endereços terminados em número par regam domingo e quinta. Endereços terminados em número ímpar, quarta e sábado.
Os demais clientes — inclusive prédios multifamiliares, imóveis comerciais, associações de moradores e próprios públicos — só podem regar às terças e sextas. Quem mora de aluguel em prédio de apartamento se enquadra nesse grupo. A companhia orienta pular um ou dois dias de rega quando chove.
A Denver Water abastece 1,5 milhão de pessoas em Denver e nos subúrbios. O conselho declarou seca de estágio 1 em 25 de março, pedindo redução de 20% no consumo, e aprovou em 8 de abril uma tarifa temporária de seca, aplicada ao consumo de maio e refletida nas contas de junho.
A região inteira no vermelho
O quadro do Colorado se repete nos estados vizinhos. Um boletim do sistema federal NIDIS de 20 de agosto apontou quase 95% do Intermountain West — Arizona, Colorado, Novo México, Utah e Wyoming — sob seca, com cerca de 30% nas faixas extrema ou excepcional. Julho foi o mais quente já registrado no Wyoming e o segundo mais quente no Colorado.
Nos grandes reservatórios, o lago Powell estava a 22% da capacidade, contra uma média de 33%. O lago Mead atingiu o menor nível desde que começou a encher, em 1937. O Blue Mesa, maior reservatório do Colorado, aparecia perto de um quarto da capacidade, com risco de perder a geração hidrelétrica caso caia abaixo do mínimo operacional até o fim de 2026. No Novo México, o Elephant Butte chegou a 1,4% e um trecho de 82 milhas do Rio Grande secou por completo.
O que vem pela frente
Produtores rurais da região relatam pasto degradado, menos água nos reservatórios para irrigação, queda na produção de feno e abate antecipado de rebanho. O risco de incêndio segue elevado com a vegetação seca.
Greg Fisher, gerente de planejamento de demanda da Denver Water, resumiu o pedido da companhia aos clientes: “Se você é o único no quarteirão com o gramado verde e viçoso, talvez seja hora de rever suas práticas de rega”. Para quem mora em Denver, a mudança de rotina tem data marcada e não depende de aviso individual: em 1º de outubro, o sistema de aspersão precisa estar desligado.
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