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Arábia Saudita fecha oleoduto que desviava petróleo de Ormuz, e galão de gasolina nos EUA passa de US$ 4,30

Ataques com drones lançados do Iraque tiraram de operação o duto Leste-Oeste, rota de até 7 milhões de barris por dia. O governo americano fala em conserto em dias, analistas falam em semanas ou meses, e a gasolina e o diesel já sobem nos EUA.

Redação Brazuca News 16 de September de 2026, 21:07 1 visualizações
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Arábia Saudita fecha oleoduto que desviava petróleo de Ormuz, e galão de gasolina nos EUA passa de US$ 4,30

A Arábia Saudita mantém fechado desde a sexta-feira, 11 de setembro, o oleoduto Leste-Oeste, a rota que vinha levando o petróleo do reino até o Mar Vermelho enquanto os Estados Unidos e o Irã disputam o controle do Estreito de Ormuz. O governo saudita informou que drones lançados a partir do Iraque atingiram a tubulação nas regiões de Riad e Medina na manhã de quinta-feira, 10, provocando incêndios, alguns danos e deixando feridos. O fechamento foi descrito por Riad como medida de precaução.

O efeito chegou rápido ao bolso de quem dirige nos Estados Unidos. Segundo a AAA, o preço médio nacional do galão de gasolina comum era de US$ 4,31 na segunda-feira, 14, cerca de US$ 1,30 acima do nível de antes da guerra, de acordo com a ABC News.

Por que esse oleoduto pesa tanto

O Leste-Oeste atravessa o território saudita e termina em terminais de exportação no Mar Vermelho, entre eles o porto de Yanbu. A capacidade é de 7 milhões de barris por dia, segundo a CNBC. Richard Bronze, cofundador da consultoria Energy Aspects, disse à CNN que a tubulação bombeou em média cerca de 6 milhões de barris diários ao longo da guerra, parte para exportação e parte para abastecer refinarias da costa oeste do reino, que exportam derivados como o diesel.

A ABC News calcula que as exportações pelo duto giravam em torno de 5 milhões de barris por dia, algo como 5% da oferta mundial. Uma nota da Capital Economics publicada na segunda-feira estimou que até 4% do petróleo do mundo pode ficar fora do mercado com o fechamento.

O presidente-executivo da Saudi Aramco, Amin Nasser, afirmou em agosto que o oleoduto teve papel maior para amortecer a falta de petróleo provocada pela guerra do que a liberação das reservas de emergência, conforme relatou a CNBC.

Quem está por trás dos ataques

Nenhum grupo assumiu a autoria. O presidente Donald Trump apontou como suspeitos grupos aliados do Irã que operam dentro do Iraque, e o Ministério das Relações Exteriores iraniano negou a acusação "categoricamente" na segunda-feira, segundo a CNN. O secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, também atribuiu os ataques a milícias apoiadas por Teerã.

O Ministério das Relações Exteriores saudita informou que o reino decidiu não retaliar por enquanto, para dar ao governo iraquiano tempo de impedir novos ataques a partir do seu território.

A pressão sobre a Arábia Saudita vem de mais de uma frente. Os houthis do Iêmen declararam em julho um embargo marítimo contra o reino e, dias antes do ataque ao duto, atingiram instalações de energia e outros alvos civis, com mais de 70 feridos, segundo o governo saudita citado pela CNBC. Na sexta-feira, 11, o grupo chegou à ilha de Perim, na entrada do estreito de Bab el-Mandeb, de acordo com a CNN Brasil.

Dias ou meses de conserto

Riad não divulgou avaliação dos danos nem prazo para a reabertura. Em Houston, onde ministros de energia do G20 estão reunidos, Wright disse à CNBC na terça-feira, 15, que a parada será "breve e temporária" e que "será medida em dias".

Analistas independentes veem um quadro mais longo. Imagens de satélite indicam dano significativo em uma estação de bombeamento. Andy Lipow, presidente da Lipow Oil Associates, escreveu em nota que, "a julgar pelas fotos na internet, o conserto vai levar meses". Bronze, da Energy Aspects, avalia que o reino pode conseguir retomar parte do fluxo enquanto faz os reparos, mas alertou à CNN que uma perda prolongada transformaria "uma crise lenta em um incêndio rápido".

O estoque de Yanbu e os navios parados

Sem o oleoduto, o terminal de Yanbu depende do que já está armazenado. Johannes Rauball, analista da Kpler, disse à CNN que há cerca de 15 milhões de barris no local, o suficiente para uns quatro dias no ritmo médio de retirada. Janiv Shah, vice-presidente da Rystad Energy, estima que o estoque acabe em cinco a sete dias.

Ashley Hikmet, chefe de petróleo bruto da Axis Limited, disse à CNN que dados de satélite mostram que nenhum carregamento de petróleo saudita deixou os portos do Mar Vermelho desde o sábado, 12. Segundo ele, a Saudi Aramco avisou clientes europeus de que não conseguirá entregar cargas até meados de novembro, informação publicada primeiro pela Reuters.

Matt Smith, diretor de pesquisa de commodities da Kpler, calcula que o mercado perderia 120 milhões de barris se o duto ficar fechado por um mês. A Rystad chegou ao mesmo número.

A volta por Ormuz, com escolta americana

Enquanto o duto está parado, os sauditas passaram a mandar parte das exportações de novo pelo Estreito de Ormuz, com apoio militar dos EUA, segundo Wright. As forças americanas abriram uma rota junto à costa de Omã que permitiu aos países do Golfo aumentar os embarques, embora o volume continue bem abaixo do nível de antes da guerra.

Na terça-feira, quatro superpetroleiros com capacidade total de 8 milhões de barris carregavam nos portos sauditas de Ras Tanura e Juaymah, no Golfo Pérsico, de acordo com Smith, da Kpler. O trajeto segue arriscado: pelo menos duas embarcações foram atacadas em Ormuz desde o sábado, segundo relatos da agência britânica de segurança marítima UKMTO citados pela CNBC.

Sobe e desce do barril

Na segunda-feira, 14, o Brent chegou a US$ 109 antes de recuar para perto de US$ 107, segundo a ABC News, que aponta alta de 50% desde o início da guerra. No fechamento daquele dia, o Brent para novembro ficou em US$ 105,68 e o WTI, referência americana, em US$ 101,39, de acordo com a CNN Brasil.

Na quarta-feira, 16, as declarações de Wright derrubaram os preços. O WTI caiu 3,2% e fechou a US$ 102,43, e o Brent recuou 2,7%, para US$ 105,83, segundo a CNBC. Mesmo assim, o petróleo acumula alta de mais de 16% em setembro.

A diplomacia não ajuda a acalmar o mercado. O chanceler de Omã, Badr Albusaidi, informou no domingo, 13, que foi adiada a reunião entre o Irã e países do Golfo sobre Ormuz. Não houve negociação de paz desde que um acordo provisório fracassou em junho, segundo a CNN Brasil.

O que muda na bomba de gasolina

O petróleo é negociado no mercado mundial, e por isso a interrupção no Oriente Médio encarece o combustível nos EUA mesmo com pouca importação direta da região, explicou a ABC News. Em boletim de 10 de setembro, anterior ao fechamento do duto, a AAA já registrava alta de 13 centavos em uma semana, para US$ 4,27, num período do ano em que o preço costuma cair por causa da demanda menor.

O mesmo boletim colocava Washington como o segundo estado mais caro do país, com o galão a US$ 5,53, atrás só da Califórnia. O diesel passou de US$ 6 por galão na média nacional pela primeira vez na semana anterior ao dia 14, segundo dados da AAA citados pela CNN, e Lipow projeta que pode ir além de US$ 6,50 se a paralisação se prolongar.

Ramanan Krishnamoorti, da Universidade de Houston, disse à ABC News que a gasolina deve subir de 25 a 50 centavos nas próximas semanas e pode passar de US$ 5 se o fechamento durar meses. Tom Seng, da Texas Christian University, vê um cenário mais moderado: a demanda cai no outono, e o mercado talvez já tenha incorporado parte da interrupção nos preços.

O que acompanhar

  • Um anúncio saudita com a avaliação dos danos e o prazo de reabertura do Leste-Oeste, que Riad ainda não divulgou.
  • O nível dos estoques em Yanbu, que analistas da Kpler e da Rystad calculam durar poucos dias.
  • Novos ataques a navios em Ormuz e o avanço dos houthis sobre Bab el-Mandeb.
  • O boletim semanal da AAA, que mostra se a alta chega à bomba em Colorado e em Washington.

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