Debaixo das ruas do bairro histórico de Pioneer Square, em Seattle, existe uma rede de passagem subterrânea que já foi o nível original da cidade — resultado direto do grande incêndio de junho de 1889, que destruiu 25 quarteirões de construção de madeira no centro da cidade.
Antes do incêndio, Seattle enfrentava problema sério de infraestrutura: rua de serragem e lama, construção sobre estaca de madeira e esgoto que funcionava mal com a maré alta, herança de uma cidade erguida sobre floresta, penhasco e porto de água profunda.
Depois do incêndio, autoridade da cidade aproveitou a reconstrução para elevar o nível da rua em cerca de 3,6 metros (12 pés), buscando resolver o problema crônico de enchente — mas, em vez de esperar a nova rua ficar pronta, comerciante reconstruiu a própria loja no nível antigo, que depois virou porão.
Quando a calçada elevada finalmente ficou pronta, o antigo térreo — agora subterrâneo — precisou ser interditado por medo de peste bubônica, deixando muito prédio original vazio.
Parte desse espaço abandonado acabou abrigando atividade ilícita ao longo das décadas seguintes, incluindo prostituição, bar clandestino, fumódromo de ópio e abrigo para morador em situação de rua — chegando a abrigar cerca de 2 mil pessoas no auge da ocupação, segundo a History Hit.
Só nos anos 1950, o morador local Bill Speidel resgatou o interesse pelo espaço, liderando campanha pela restauração de Pioneer Square. Ele lançou, em 1965, a primeira visita guiada ao Seattle Underground — passeio que ainda hoje permite ver antiga loja, casa e rua inteira preservada abaixo do nível atual da cidade.
Hoje, o acesso ao Seattle Underground só acontece por meio de tour guiado, com saída do Pioneer Place Park — um dos passeios mais procurados por quem visita a cidade e quer conhecer um lado pouco conhecido da própria história.