A novela sobre quem comanda as escolas públicas de Denver ganhou dois capítulos no mesmo dia. Nesta quarta (8), o conselho escolar de Miami-Dade reduziu de 21 para 6 os semifinalistas à vaga de superintendente — e Alex Marrero, o superintendente do DPS, ficou de fora: ele não atendia ao requisito de experiência como professor de sala de aula. Horas antes, a presidente do board de Denver, Xóchitl Gaytán, havia convocado uma reunião especial para 27 de julho para discutir as queixas de Marrero contra o próprio conselho.
Eliminado da disputa, Marrero tratou de reafirmar o vínculo: “Denver sabe exatamente o que tem em mim”, disse em nota, declarando-se comprometido com alunos, famílias e educadores — não sem uma alfinetada: seus valores “podem não se alinhar com a ideologia cada vez mais conservadora que está moldando a educação pública em certas partes desta nação”.
A briga por trás da busca de emprego
A candidatura à Flórida veio no meio de uma crise de governança que a imprensa educacional expôs por meio de registros públicos. Em e-mail de junho, Marrero acusou o board de “extrapolar sua autoridade” e classificou “a trajetória atual” como “cada vez mais insustentável”; em 8 de junho, enviou carta alegando violações contratuais. A queixa central: membros do conselho se envolveriam demais nas decisões administrativas — o contrato dele determina que o board deve “evitar dizer ao superintendente ou à equipe o que fazer ou como fazer”.
O detalhe financeiro que paira sobre a mesa: se for demitido sem justa causa, Marrero tem direito a 12 meses de salário — cerca de US$ 346,5 mil —, com contrato válido até 2028. Gaytán afirma que o superintendente confirmou que o e-mail “não pretendia acionar” a cláusula de rescisão. A reunião de 27 de julho, convocada a pedido de vários membros do board, será virtual.
Por que a família brasileira deve acompanhar
O DPS é o maior distrito do Colorado e atende milhares de alunos multilíngues — incluindo as crianças brasileiras. A gestão Marrero, desde 2021, tem um placar misto: taxas de graduação históricas, notas em alta e classificação “verde” no ranking estadual, mas também fechamentos de escolas impopulares e atritos constantes sobre autonomia. E o timing importa: a definição da crise chega semanas antes do início do ano letivo 2026-27 — o mesmo em que estreia a proibição total de celulares nas escolas do distrito e em que o board já enfrenta um processo federal contra o seu mapa eleitoral.
Em resumo, o 27 de julho virou a data que define se o DPS começa o ano com comando estável, com trégua negociada — ou com uma transição de liderança custosa no pior momento do calendário. Para os pais, nada muda na matrícula ou no primeiro dia de aula; mas quem decide fechamentos de escolas, orçamento e política de segurança é exatamente o par superintendente-board que hoje não se entende. O Brazuca acompanha a reunião.
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