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Imigração

ICE vai abrir centro de detenção para famílias e crianças ao lado do maior hub de voos de deportação do país

O contrato assinado no fim de junho prevê 528 leitos em Alexandria, Louisiana, com operação a partir de agosto — e crianças desacompanhadas sob custódia do ICE, não do órgão de bem-estar infantil, numa ruptura com o modelo legal vigente. Entenda o que muda e como as famílias devem se preparar.

Redação Brazuca News 07 de July de 2026, 12:31 5 visualizações
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ICE vai abrir centro de detenção para famílias e crianças ao lado do maior hub de voos de deportação do país
Foto: Simeon Galabov / Pexels License

A detenção de famílias migrantes vai ganhar um endereço novo — e estratégico. O ICE assinou no fim de junho um contrato para construir um centro de 528 leitos destinado a famílias e crianças desacompanhadas em uma antiga base militar junto ao Aeroporto Internacional de Alexandria, na Louisiana, com previsão de começar a operar em agosto, segundo reportagem da Associated Press publicada pela PBS e pela ABC. O local não é acaso: Alexandria já é o maior hub de voos de deportação do país, com mais de 4.400 voos de fiscalização migratória entrando e saindo do aeroporto em 2025, segundo o ICE Flight Monitor.

Os documentos de planejamento obtidos pela AP indicam que a unidade funcionaria como centro de retenção de 72 horas — o ICE afirma que as pessoas ficariam “poucos dias no máximo” antes do embarque. As instruções aos contratados tentam suavizar o formato: sem barras nem gaiolas no transporte, sem contagens obrigatórias, famílias com as próprias roupas e proibição de chamar os ocupantes de “prisioneiros, detidos ou internos”. A operação ficará com a LaSalle Family Foundation, braço sem fins lucrativos da LaSalle Corrections, empresa que administra prisões privadas e centros de detenção no Sul.

A ruptura: crianças sob o ICE, não sob o órgão de proteção.

O ponto mais controverso está em quem manda. Pela lei federal, crianças desacompanhadas devem ser rapidamente transferidas a abrigos licenciados sob o Office of Refugee Resettlement, do Departamento de Saúde (HHS) — estrutura de bem-estar infantil, não de fiscalização. Nos documentos do novo centro, porém, famílias e crianças “estão sob custódia legal do ICE e só podem ser liberadas por direção do ICE”. “É uma expansão do sistema de deportação de formas que nunca vimos antes”, avalia Leecia Welch, conselheira jurídica-chefe da organização Children's Rights.

O histórico do entorno alimenta a preocupação: desde abril, duas mortes de detidos foram reportadas em um centro da LaSalle no estado, e inspeções em junho apontaram violações em saúde ambiental, segurança alimentar, uso de força e cuidados médicos em outra unidade da empresa. Advogados também lembram o precedente legal do Acordo Flores, que limita tempo e condições da custódia de menores — e citam episódios recentes de crianças acordadas de madrugada para esperar horas na pista antes de voos. Do lado local, a defesa é outra: “São pessoas que estão se voluntariando para voltar para casa e voltam como unidade familiar”, disse Ralph Hennessy, diretor da autoridade que administra a área do aeroporto.

O que a família brasileira deve fazer agora?

Para quem vive sem status consolidado — sobretudo com filhos —, o recado prático não é pânico, é preparo:

  • Plano de emergência familiar por escrito: quem busca as crianças na escola, procuração ou designação de guardião temporário para os filhos (um advogado ou organização comunitária ajuda a formalizar), documentos importantes num lugar acessível a uma pessoa de confiança.
  • Documentos das crianças: certidões de nascimento (inclusive a brasileira), registros escolares e de vacinação organizados — filhos cidadãos americanos não podem ser deportados, mas a família precisa provar vínculos rapidamente.
  • Advogado antes, não depois: quem tem processo de remoção em andamento deve manter o contato do advogado à mão e informado; audiência marcada continua sendo compromisso obrigatório (a falta gera ordem de deportação à revelia).
  • Direitos que valem sob qualquer custódia: permanecer em silêncio, não assinar documentos que não entende — inclusive termos de “saída voluntária” — sem orientação jurídica, e pedir para contatar advogado e consulado.

Grupos de defesa da infância já sinalizam contestação judicial e monitoramento das condições e do tempo de permanência de menores na nova unidade. O Brazuca acompanha a abertura, prevista para agosto.

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