A conta do churrasco confirmou o que a comunidade já sentia na balança do açougue: a carne está no preço mais alto já registrado. O churrasco clássico de 4 de Julho para 10 pessoas custou US$ 73,82 neste ano — alta de 4% e o maior valor desde que o American Farm Bureau começou a pesquisa, em 2016. O vilão é o item mais brasileiro da lista: duas libras de carne moída a US$ 14,06, alta de 5,5% e recorde absoluto da série.
E não é pico passageiro. O USDA projeta carne bovina 7,5% mais cara em 2026 (num intervalo que pode chegar a 12,2%), e a razão é estrutural: o rebanho americano está no menor nível em cerca de 75 anos, depois de anos de seca e custos altos que levaram pecuaristas a abater matrizes. Agora, na fase de reconstrução do plantel, eles seguram as fêmeas — o que reduz ainda mais a oferta no curto prazo. Análises de mercado citadas pela imprensa econômica não esperam recuo real dos preços antes de 2028.
Onde o orçamento respira
A mesma pesquisa que registrou o recorde da carne mostra as rotas de fuga:
- Frango: o peito subiu só 3,5% (US$ 8,06 por duas libras) — a proteína que menos pesou no ano.
- Porco: costeletas subiram 4,7%, ainda bem abaixo da carne bovina.
- Ovos: a melhor notícia do ano no supermercado — o USDA projeta queda de 30,4% em 2026, com o alívio da gripe aviária.
Na outra ponta, vegetais frescos devem subir 7,7% e açúcar e doces, 6,9%. Morangos já saltaram 12,4% depois de uma geada na Flórida, e até o feijão com porco enlatado subiu 13,8% — em parte pelo custo do alumínio das latas. No agregado, a projeção do USDA para a comida em 2026 é de +3,2% (supermercado +2,8%; restaurante +3,6%).
O quadro geral — e a ata do Fed amanhã
A cesta do churrasco subiu em linha com a inflação geral, que roda a 4,2% em 12 meses. O núcleo do índice PCE — a medida preferida do Federal Reserve — marcou 3,4% ao ano em maio, o maior desde outubro de 2023, bem acima da meta de 2%. “Famílias por todo o país estão lidando com preços mais altos em muitas despesas, incluindo o supermercado”, resume Faith Parum, economista do Farm Bureau.
É nesse cenário que sai, nesta quarta-feira (8), às 14h do leste, a ata da reunião de junho do Fed — o documento que revela o tom interno do banco central e mexe nas expectativas de juros. Para o consumidor, a régua é direta: juro alto por mais tempo significa cartão de crédito, financiamento de carro e hipoteca caros por mais tempo.
Até lá, a estratégia da semana no mercado é tática: trocar parte da carne bovina por frango e porco, aproveitar a queda que vem nos ovos — e lembrar que, mesmo com tudo isso, o americano gasta com comida uma fatia menor da renda disponível do que a maioria dos países, como nota a economista do Farm Bureau. Consolo estatístico; a estratégia no carrinho continua valendo.
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