A onda de calor que abriu julho chegou junto com uma conta salgada: refrigerar a casa neste verão custa cerca de 10,5% mais do que no verão passado, segundo a associação nacional dos diretores de assistência energética (NEADA). A família americana média deve gastar quase US$ 800 na temporada de ar-condicionado — aproximadamente 40% mais do que em 2020, informa a CBS News.
Três fatores puxam a alta, segundo a reportagem: o consumo crescente dos data centers, o preço mais alto do gás natural e os reparos necessários na rede elétrica envelhecida. O padrão é estrutural — os preços de eletricidade sobem mais rápido que a inflação desde 2022, com alta média de 13% no país entre 2022 e 2025, segundo a agência federal de energia (EIA). No pico do calor do feriado, os preços no atacado da Nova Inglaterra chegaram a superar US$ 900 por MWh, contra uma média de US$ 60 em julho do ano passado.
Denver: US$ 6,13 a mais por mês, se o acordo passar
No Colorado, o próximo capítulo se decide no regulador estadual. A Xcel Energy pediu US$ 355 milhões de aumento na tarifa-base — descrito pelo Colorado Sun como o maior da história do estado. Um acordo protocolado em junho reduziu o valor a cerca de US$ 225 milhões: se aprovado pela Public Utilities Commission, a conta residencial média sobe US$ 6,13 por mês (5,86%), para US$ 110,81, e a de pequenos negócios, US$ 8,90 (5,6%). As audiências começaram em 11 de junho e a decisão final é esperada para o terceiro trimestre — ou seja, o reajuste pode aparecer na conta ainda neste verão ou no início do outono.
O acordo tem opositores de peso: o escritório estadual de defesa do consumidor de energia, a AARP Colorado, a cidade de Boulder e a Energy Outreach Colorado. “Empresa, equipe da PUC e interesses corporativos fizeram um acordo que impõe aos clientes residenciais o maior aumento de tarifa da história do Colorado”, criticou Joseph Pereira, diretor do órgão de defesa do consumidor. Do outro lado, o texto inclui créditos na conta e reforço dos programas para famílias de baixa renda.
Seattle: 5,4% agora, 7% a 10% ao ano depois
Em Seattle, o aumento já está na conta: a Seattle City Light aplica desde 1º de janeiro reajuste médio de 5,4% — cerca de US$ 4 por mês para a residência padrão, e US$ 2 para quem está no Utility Discount Program. E o horizonte é de mais: a própria empresa municipal projeta aumentos anuais de 7% a 10% a partir de 2027, para bancar a modernização da rede, novas fontes de energia e a renovação da licença federal da hidrelétrica do Rio Skagit.
Como amortecer o golpe
“Não há nada que as pessoas possam fazer sobre o preço da eletricidade. Mas elas podem administrar o consumo com mais eficiência”, resume Mark Wolfe, diretor-executivo da NEADA. As recomendações práticas:
- A regra dos 3%: “Para cada grau que você sobe no termostato de refrigeração, economiza 3% na conta de luz”, diz Wolfe. A referência do setor é manter 78°F (25,5°C) quando há gente em casa.
- Programas de desconto: em Seattle, o Utility Discount Program corta a conta de quem tem renda mais baixa; no Colorado, o acordo da Xcel amplia o apoio a famílias income-qualified — vale conferir a elegibilidade no site da concessionária.
- LIHEAP: o programa federal de assistência energética também cobre refrigeração em muitos estados; a porta de entrada é o departamento de serviços humanos do condado (ou o 211).
- Horário pesado: adiar máquina de lavar, secadora e forno para depois das 20h alivia a conta em tarifas por horário e ajuda a rede nos dias de pico.
Para quem faz as contas do mês em português: a eletricidade já é a segunda maior despesa de “combustível” da família americana, atrás só da gasolina — média de US$ 1.760 por ano, segundo a EIA. Com o verão só começando, o termostato virou item de orçamento.
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