O maior pacote de mudanças no financiamento universitário federal em décadas entrou em vigor em 1º de julho de 2026. As novas regras — criadas pela lei orçamentária de 2025, conhecida como “One Big Beautiful Bill” — valem para quem contrata empréstimo novo a partir dessa data e mexem diretamente no planejamento de famílias que pagam faculdade nos Estados Unidos. Em regra, o sistema federal de ajuda estudantil (FAFSA) é acessível a cidadãos e a “eligible noncitizens”, como residentes permanentes.
“São as maiores mudanças que vimos nessa escala em muito tempo”, disse à CBS News Sarah Austin, da Associação Nacional de Administradores de Ajuda Financeira Estudantil (NASFAA).
Parent PLUS: acabou o cheque em branco
A mudança que mais atinge famílias imigrantes é o teto no Parent PLUS, o empréstimo que pais tomam para pagar a faculdade dos filhos — muito usado por quem não tem histórico longo de crédito nos EUA. Antes ilimitado até o custo total do curso, ele agora está limitado a US$ 20.000 por ano e US$ 65.000 no total por filho dependente. Pais que já tinham Parent PLUS antes de 1º de julho seguem nas condições antigas por até 3 anos ou até o fim do curso do filho.
Pós-graduação: fim do Grad PLUS
O Graduate PLUS, que financiava pós-graduação sem limite, foi eliminado para novos tomadores. No lugar, valem tetos: US$ 20.500 por ano e US$ 100.000 na vida para pós-graduação em geral; US$ 50.000 por ano e US$ 200.000 na vida para cursos profissionais como medicina, direito e odontologia. Há um teto vitalício geral de US$ 257.500 em empréstimos federais por estudante, sem contar o Parent PLUS.
Existe regra de transição: quem recebeu desembolso de Direct Loan antes de 1º de julho e continua no mesmo programa, na mesma instituição, pode usar o Grad PLUS por até 3 anos acadêmicos adicionais ou até o fim previsto do curso, o que vier primeiro, segundo orientação publicada pela Universidade de Iowa.
Só dois planos de pagamento para contratos novos
Quem pegar empréstimo a partir de 1º de julho tem apenas duas opções de pagamento: o Tiered Standard Plan, de parcelas fixas com prazo de 10 a 25 anos conforme o saldo, e o novo plano por renda, o RAP (Repayment Assistance Plan). No RAP, a parcela é um percentual da renda ajustada, com desconto de US$ 50 por dependente e mínimo de US$ 10 por mês; o saldo restante é perdoado após 30 anos, os juros não cobertos pela parcela são perdoados e há abatimento de até US$ 50 mensais no principal, segundo o National Consumer Law Center.
Para quem já tem empréstimo antigo, o calendário aperta em 2028: os planos PAYE, ICR e SAVE acabam em julho daquele ano — quem estiver no SAVE terá 90 dias para escolher novo plano ou será movido automaticamente para o padrão. “Agora é a hora de garantir que suas informações de contato estão atualizadas”, recomendou à CBS Winston Berkman-Breen, diretor jurídico do Protect Borrowers.
A porta que abriu: Workforce Pell
No mesmo 1º de julho estreou o Workforce Pell, que estende as bolsas Pell — dinheiro que não precisa ser devolvido — a cursos profissionalizantes curtos, de 150 a 599 horas (8 a 15 semanas), em áreas de alta demanda como HVAC, solda, assistente médico e TI. Para quem precisa de renda rápida e quer se requalificar sem anos de faculdade, é a novidade mais promissora do pacote. “Os americanos não deveriam ter que passar anos na faculdade e assumir dívidas que talvez nunca consigam pagar antes de entrar no mercado de trabalho”, afirmou a secretária de Educação, Linda McMahon, no anúncio da regra final, publicada em 18 de maio.
A largada, porém, é lenta: até o fim de junho, só 12 estados haviam publicado suas listas de programas elegíveis — a Flórida identificou 31 certificados; Michigan listou 267 ocupações — e a maioria dos alunos só deve receber o dinheiro na primavera de 2027, com estimativa de mais de 100 mil beneficiados até o outono daquele ano, segundo a NPR. “1º de julho não é uma comporta se abrindo. É o ponto de partida da maratona”, resumiu à emissora Carrie Warick-Smith, da Associação de Conselhos de Community Colleges.
O passo prático para as famílias: antes de assinar qualquer financiamento para o ano letivo 2026-27, refazer as contas com os novos tetos no simulador do studentaid.gov e conversar com o escritório de ajuda financeira da instituição — as regras que valiam na matrícula do ano passado já não são as mesmas.
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