Trabalhar sem documento nos Estados Unidos não tira do trabalhador o direito de receber o que é devido. Pela lei federal — a Lei de Padrões Justos de Trabalho (FLSA) — todo empregado tem direito a salário mínimo, hora extra e proteção contra o calote de salário (wage theft), independentemente do status migratório. O empregador não pode usar a situação imigratória da pessoa como desculpa para não pagar.
Na prática, isso significa que quem não recebeu pelas horas trabalhadas pode cobrar, mesmo sem ter documentos — e os órgãos que fiscalizam o trabalho não se importam com o status migratório de quem denuncia.
Quem faz valer a lei
As queixas podem ser feitas ao Departamento do Trabalho dos Estados Unidos (DOL) ou ao departamento de trabalho do estado, dependendo do tipo de violação. Esses órgãos investigam se o empregador cumpriu as regras de salário e jornada, e não têm como função verificar imigração. O DOL não denuncia trabalhadores ou testemunhas sem documentos a autoridades de imigração.
Proteção contra retaliação
A lei também protege o trabalhador que reclama. O empregador não pode, legalmente, demitir, ameaçar ou denunciar à imigração alguém por ter reivindicado seus direitos de salário. Em alguns estados, a fiscalização ficou mais dura: em Nova York, por exemplo, o departamento de trabalho ganhou, no orçamento de 2025-2026, poderes ampliados para colocar penhora sobre bens de empregadores e emitir ordens de paralisação para cobrar salários atrasados.
O que fazer
O trabalhador deve guardar registros da jornada e dos pagamentos (anotações de horas, comprovantes, mensagens) e pode registrar uma denúncia — em muitos casos, de forma anônima. Ter esses documentos em mãos fortalece o pedido de pagamento das horas devidas, com ou sem status migratório.
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