Entrar
Brazuca News

A informação que conecta brasileiros e latinos nos EUA

Voltar
Direitos

Salário mínimo sobe em vários estados no dia 1º de julho.

Aumentos de salário mínimo entram em vigor em 1º de julho de 2026 em estados e cidades como Oregon, Alasca, Washington, D.C. e municípios da região de Seattle. O piso e o pagamento por hora trabalhada valem para todo trabalhador, independentemente do status migratório.

Redação Brazuca News 30 de June de 2026, 01:08 1 visualizações
Compartilhar
Salário mínimo sobe em vários estados no dia 1º de julho.
Foto: RDNE Stock project / Pexels License

Trabalhadores de vários estados e cidades dos Estados Unidos passam a ter direito a um salário mínimo mais alto a partir de 1.º de julho de 2026. Oregon, Alasca, o Distrito de Columbia e municípios da região de Seattle estão entre as localidades que reajustam o piso nesta data, segundo as agências estaduais de trabalho e levantamentos de organizações que acompanham a remuneração mínima no país.

O reajuste de meio de ano se soma à leva de aumentos que já tinha entrado em vigor em 1.º de janeiro. O National Employment Law Project (NELP) calcula que 88 jurisdições — 22 estados e 66 cidades ou condados — vão elevar o piso ao longo de 2026, e que 26 dessas mudanças ocorrem depois de janeiro, várias delas justamente em 1.º de julho.

Para o brasileiro que trabalha por hora em restaurante, construção, limpeza, hotelaria ou cuidado a idosos, o ponto prático é direto: o valor mínimo da hora muda na virada do mês, e o empregador é obrigado a pagar o novo piso a partir do primeiro dia em que ele vale.

O que muda em 1.º de julho?

Em Oregon, o salário mínimo sobe 50 centavos em todas as três faixas regionais do estado, segundo o Bureau of Labor and Industries (BOLI). O piso padrão passa a ser US$ 15,55 por hora; na área metropolitana de Portland, dentro do "urban growth boundary", o valor vai a US$ 16,80; e nos condados rurais, a US$ 14,55. O reajuste segue a inflação medida entre março de 2025 e março de 2026, de 3,3%.

No Alasca, o piso estadual sobe para US$ 14,00 a hora. No Distrito de Columbia, o salário mínimo geral vai a US$ 18,40, e o piso para quem recebe gorjeta sobe de US$ 10,00 para US$ 10,30 a hora, conforme as tabelas de reajuste de julho.

No estado de Washington, onde mora boa parte da comunidade brasileira do noroeste, o piso estadual em 2026 é de US$ 17,13 a hora, o mais alto entre os estados do país. Cidades da região de Seattle exigem valores ainda maiores: em Renton, o piso para empregadores de 15 ou mais funcionários é de US$ 21,57 a partir de 1º de julho, e em Tukwila chega a US$ 21,65 para empresas de 15 ou mais empregados, segundo o Departamento de Trabalho e Indústrias (L&I) de Washington e as prefeituras locais. Em Seattle, o piso já estava em US$ 21,30 desde janeiro.

O salário mínimo federal continua em US$ 7,25 a hora, valor que não muda desde 2009 — a maior estiagem sem reajuste federal desde a criação da lei trabalhista de 1938. Por isso, quem está em Washington, Oregon ou outro estado com piso próprio tem direito ao valor mais alto: quando há mais de uma regra (federal, estadual e municipal), o empregador deve pagar a mais favorável ao trabalhador.

O piso vale para todo trabalhador.

O direito ao salário mínimo e às horas extras independe do status migratório. O Fair Labor Standards Act (FLSA), a lei federal que define o piso e o adicional de horas extras, se aplica a todos os empregados, e o Departamento do Trabalho dos Estados Unidos (DOL) não fiscaliza de forma diferente conforme a pessoa tenha ou não documento.

Tribunais americanos têm decidido, de forma consistente, que o status imigratório não retira do trabalhador o direito de receber pelo trabalho feito. Na prática, isso quer dizer que quem trabalhou tem direito a ser pago — inclusive as horas extras, com adicional sobre 40 horas semanais — mesmo sem autorização de trabalho.

As proteções vão além do valor da hora. A lei proíbe o empregador de retaliar quem reclama dos próprios direitos. No estado de Washington, o L&I afirma que todos os empregados, independentemente do status migratório, têm direito de apresentar uma queixa trabalhista, e que é ilegal o empregador punir, demitir ou rebaixar quem aciona o órgão.

Como agir se o pagamento estiver errado?

Confira o contracheque ou o registro de horas a partir de 1º de julho e verifique se a hora foi paga pelo novo piso da sua cidade ou estado. Guarde comprovantes: contracheques, cartões de ponto, mensagens com o empregador e anotações próprias de horários servem como prova.

Se faltou pagamento, o trabalhador pode registrar queixa gratuita e confidencial. No estado de Washington, a queixa pode ser feita ao L&I pela internet, pelo formulário Worker Rights Complaint ou pessoalmente em um escritório do órgão. O prazo é de três anos a partir da violação; nos casos de retaliação, o prazo cai para 180 dias. Em âmbito federal, a denúncia vai à Wage and Hour Division (WHD) do Departamento do Trabalho, pelo telefone 1-866-487-9243.

O empregador não pode usar a imigração como arma. É ilegal ameaçar denunciar o trabalhador ao ICE ou a qualquer órgão de fiscalização como resposta a uma reclamação de salário. As agências trabalhistas afirmam que não questionam o status migratório de quem apresenta a queixa nem usam a denúncia para esse fim.

Quem tem dúvida sobre a própria situação pode procurar organizações de defesa do trabalhador imigrante ou um escritório de assistência jurídica antes de agir, sobretudo se houver receio de represália. O direito ao salário, porém, existe desde o primeiro dia trabalhado — e o novo piso passa a valer já na virada para julho.

Comentários

Faça login para comentar

Entrar

Seja o primeiro a comentar!