Trabalhadores de vários estados e cidades dos Estados Unidos passam a ter direito a um salário mínimo mais alto a partir de 1.º de julho de 2026. Oregon, Alasca, o Distrito de Columbia e municípios da região de Seattle estão entre as localidades que reajustam o piso nesta data, segundo as agências estaduais de trabalho e levantamentos de organizações que acompanham a remuneração mínima no país.
O reajuste de meio de ano se soma à leva de aumentos que já tinha entrado em vigor em 1.º de janeiro. O National Employment Law Project (NELP) calcula que 88 jurisdições — 22 estados e 66 cidades ou condados — vão elevar o piso ao longo de 2026, e que 26 dessas mudanças ocorrem depois de janeiro, várias delas justamente em 1.º de julho.
Para o brasileiro que trabalha por hora em restaurante, construção, limpeza, hotelaria ou cuidado a idosos, o ponto prático é direto: o valor mínimo da hora muda na virada do mês, e o empregador é obrigado a pagar o novo piso a partir do primeiro dia em que ele vale.
O que muda em 1.º de julho?
Em Oregon, o salário mínimo sobe 50 centavos em todas as três faixas regionais do estado, segundo o Bureau of Labor and Industries (BOLI). O piso padrão passa a ser US$ 15,55 por hora; na área metropolitana de Portland, dentro do "urban growth boundary", o valor vai a US$ 16,80; e nos condados rurais, a US$ 14,55. O reajuste segue a inflação medida entre março de 2025 e março de 2026, de 3,3%.
No Alasca, o piso estadual sobe para US$ 14,00 a hora. No Distrito de Columbia, o salário mínimo geral vai a US$ 18,40, e o piso para quem recebe gorjeta sobe de US$ 10,00 para US$ 10,30 a hora, conforme as tabelas de reajuste de julho.
No estado de Washington, onde mora boa parte da comunidade brasileira do noroeste, o piso estadual em 2026 é de US$ 17,13 a hora, o mais alto entre os estados do país. Cidades da região de Seattle exigem valores ainda maiores: em Renton, o piso para empregadores de 15 ou mais funcionários é de US$ 21,57 a partir de 1º de julho, e em Tukwila chega a US$ 21,65 para empresas de 15 ou mais empregados, segundo o Departamento de Trabalho e Indústrias (L&I) de Washington e as prefeituras locais. Em Seattle, o piso já estava em US$ 21,30 desde janeiro.
O salário mínimo federal continua em US$ 7,25 a hora, valor que não muda desde 2009 — a maior estiagem sem reajuste federal desde a criação da lei trabalhista de 1938. Por isso, quem está em Washington, Oregon ou outro estado com piso próprio tem direito ao valor mais alto: quando há mais de uma regra (federal, estadual e municipal), o empregador deve pagar a mais favorável ao trabalhador.
O piso vale para todo trabalhador.
O direito ao salário mínimo e às horas extras independe do status migratório. O Fair Labor Standards Act (FLSA), a lei federal que define o piso e o adicional de horas extras, se aplica a todos os empregados, e o Departamento do Trabalho dos Estados Unidos (DOL) não fiscaliza de forma diferente conforme a pessoa tenha ou não documento.
Tribunais americanos têm decidido, de forma consistente, que o status imigratório não retira do trabalhador o direito de receber pelo trabalho feito. Na prática, isso quer dizer que quem trabalhou tem direito a ser pago — inclusive as horas extras, com adicional sobre 40 horas semanais — mesmo sem autorização de trabalho.
As proteções vão além do valor da hora. A lei proíbe o empregador de retaliar quem reclama dos próprios direitos. No estado de Washington, o L&I afirma que todos os empregados, independentemente do status migratório, têm direito de apresentar uma queixa trabalhista, e que é ilegal o empregador punir, demitir ou rebaixar quem aciona o órgão.
Como agir se o pagamento estiver errado?
Confira o contracheque ou o registro de horas a partir de 1º de julho e verifique se a hora foi paga pelo novo piso da sua cidade ou estado. Guarde comprovantes: contracheques, cartões de ponto, mensagens com o empregador e anotações próprias de horários servem como prova.
Se faltou pagamento, o trabalhador pode registrar queixa gratuita e confidencial. No estado de Washington, a queixa pode ser feita ao L&I pela internet, pelo formulário Worker Rights Complaint ou pessoalmente em um escritório do órgão. O prazo é de três anos a partir da violação; nos casos de retaliação, o prazo cai para 180 dias. Em âmbito federal, a denúncia vai à Wage and Hour Division (WHD) do Departamento do Trabalho, pelo telefone 1-866-487-9243.
O empregador não pode usar a imigração como arma. É ilegal ameaçar denunciar o trabalhador ao ICE ou a qualquer órgão de fiscalização como resposta a uma reclamação de salário. As agências trabalhistas afirmam que não questionam o status migratório de quem apresenta a queixa nem usam a denúncia para esse fim.
Quem tem dúvida sobre a própria situação pode procurar organizações de defesa do trabalhador imigrante ou um escritório de assistência jurídica antes de agir, sobretudo se houver receio de represália. O direito ao salário, porém, existe desde o primeiro dia trabalhado — e o novo piso passa a valer já na virada para julho.
Comentários
Faça login para comentar
EntrarSeja o primeiro a comentar!