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FBI alerta: golpe usa inteligência artificial para clonar a voz de parentes e simular sequestro

Criminosos copiam a voz de um familiar a partir de poucos segundos de áudio publicado em redes sociais e ligam fingindo um sequestro ou emergência para exigir dinheiro imediato. O FBI calcula que americanos perderam mais de US$ 893 milhões em golpes ligados à inteligência artificial no último ano. A defesa mais simples, segundo especialistas, é combinar uma palavra-código com a família e desligar para ligar de volta no número conhecido antes de enviar qualquer quantia.

Redação Brazuca News 29 de June de 2026, 11:22 4 visualizações
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FBI alerta: golpe usa inteligência artificial para clonar a voz de parentes e simular sequestro
Foto: Jan van der Wolf / Pexels License

Uma mãe na Califórnia atendeu o telefone e ouviu a voz da própria filha de 37 anos pedindo socorro: "Sinto muito, mãe. Eu te amo." Em seguida, um homem assumiu a ligação, afirmou que havia sequestrado a jovem em nome de um cartel mexicano e exigiu US$ 20 mil de resgate. Apavorada, Deborah Del Mastro transferiu cerca de US$ 5 mil antes de descobrir que a filha estava em segurança e que a voz na linha tinha sido fabricada por inteligência artificial. O dinheiro nunca foi recuperado. O caso, relatado pela Consumer Reports e pela emissora WSLS, ilustra um golpe que o FBI vem alertando ser cada vez mais frequente.

O esquema funciona com a clonagem de voz. Criminosos coletam poucos segundos de áudio de uma pessoa — em geral, retirados de vídeos em redes sociais ou de outras fontes públicas — e usam programas de inteligência artificial para reproduzir aquele tom de voz quase idêntico ao original. Com isso, montam uma ligação em que o "parente" implora por ajuda enquanto um suposto sequestrador ou autoridade pressiona pelo pagamento.

Quanto os americanos já perderam

Segundo o FBI, americanos perderam mais de US$ 893 milhões em golpes relacionados à inteligência artificial no último ano. Pela primeira vez em quase 25 anos de história, o relatório anual do Internet Crime Complaint Center (IC3), o centro de queixas de crimes pela internet do FBI, abriu uma seção dedicada à inteligência artificial: foram 22.364 reclamações somando aquele prejuízo de quase US$ 893 milhões. O órgão afirma que a IA reduz o tempo e o esforço que o criminoso precisa investir para enganar a vítima e aumenta a credibilidade da fraude.

Por que o brasileiro nos EUA é um alvo conveniente

O golpe explora exatamente o ponto fraco de quem vive longe da família. Para o imigrante brasileiro, parte dos parentes está no Brasil e parte nos Estados Unidos, e ligações internacionais de números desconhecidos já fazem parte da rotina. Uma chamada de madrugada em que a "filha" ou o "irmão" chora pedindo ajuda encontra terreno fértil quando confirmar a história na hora é difícil pela diferença de fuso e de país.

Some-se a isso o hábito de publicar áudios e vídeos nas redes. Um story no Instagram, um recado de voz reenviado em grupo de família ou um trecho de live já bastam para alimentar o programa que copia a voz. Quanto mais material da pessoa circula publicamente, mais fácil fica para o criminoso montar a imitação.

O roteiro do medo

O FBI descreve um padrão. A ligação chega de forma frenética, supostamente vinda de alguém querido, que afirma ter sido sequestrado, preso ou estar em outra emergência e precisar de dinheiro com urgência. A pressa é proposital: o objetivo é tirar a vítima do estado em que ela pararia para checar os fatos.

A Consumer Reports e o FBI apontam sinais que ajudam a identificar a fraude. Vale desconfiar de pausas estranhas ou variações fora do comum na voz do suposto parente, de exigências para agir imediatamente sem nenhuma verificação e, sobretudo, do pedido de pagamento por métodos difíceis de rastrear. Transferência bancária, Venmo, cartões-presente (gift cards) e criptomoeda são os canais preferidos justamente porque, depois de enviado, o dinheiro praticamente some.

Como se proteger

A recomendação mais repetida por especialistas é simples e custa nada: combine uma palavra-código com a família. Escolha uma frase ou palavra que só vocês saibam, que não apareça naturalmente em uma conversa, e use-a como senha. Em qualquer ligação de emergência, peça a palavra-código antes de tomar qualquer atitude. Se a pessoa do outro lado não souber respondê-la, é golpe.

O segundo passo, segundo o FBI, é desligar e confirmar por conta própria. Em vez de continuar na linha com o suposto sequestrador, encerre a ligação e tente falar com o parente por outro caminho — uma mensagem de texto, uma chamada para o número que você já conhece, ou um contato com outra pessoa da família ou amigos que saibam onde aquela pessoa está. Na maioria dos casos, descobre-se em minutos que o familiar estava tranquilo o tempo todo.

Vale fixar uma regra que dispensa qualquer dúvida: nenhuma emergência verdadeira — nem polícia, nem hospital, nem agência do governo — cobra pagamento por cartão-presente, transferência instantânea ou criptomoeda. Quando o pedido vem nesse formato, o assunto já está decidido.

Reduzir o que circula sobre você

O FBI também sugere limitar a exposição da própria imagem e da própria voz na internet. Deixar perfis de redes sociais privados e aceitar apenas pessoas conhecidas reduz a matéria-prima que os golpistas usam para clonar vozes e montar identidades falsas. Não elimina o risco, mas dificulta o trabalho de quem aplica o golpe.

Quem cair na fraude ou receber uma ligação suspeita pode registrar a ocorrência junto ao Internet Crime Complaint Center, no site ic3.gov, e na Comissão Federal de Comércio (FTC), em ReportFraud.ftc.gov. O registro ajuda as autoridades a mapear os esquemas, ainda que a recuperação do dinheiro raramente aconteça depois que a transferência é feita.

A orientação prática para a comunidade é conversar sobre o golpe antes de ele bater à porta. Combinar a palavra-código com pais, filhos e irmãos — inclusive os que estão no Brasil — e avisar os parentes mais velhos, que tendem a atender números desconhecidos, transforma uma ligação assustadora em uma checagem de cinco segundos.

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