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Golpe do 'falso governo' por SMS quase dobrou em 2025: como reconhecer o USCIS, IRS ou pedágio fraudulento que mira o imigrante

As queixas de golpe por impersonação de órgãos do governo quase dobraram nos EUA em 2025, de 17.367 para 32.424, com prejuízo saltando de US$ 405,6 milhões para US$ 797,9 milhões, segundo o relatório anual do FBI divulgado em abril de 2026. Imigrantes brasileiros são alvo preferencial porque o medo de deportação faz a pessoa pagar por impulso — e há sinais claros para reconhecer a fraude.

Redação Brazuca News 27 de June de 2026, 00:15 3 visualizações
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Golpe do 'falso governo' por SMS quase dobrou em 2025: como reconhecer o USCIS, IRS ou pedágio fraudulento que mira o imigrante
Foto: RDNE Stock project / Pexels License

As queixas de golpe em que criminosos se passam por órgãos do governo dos EUA quase dobraram em 2025: foram 32.424 reclamações registradas no FBI, contra 17.367 no ano anterior, segundo o relatório anual do Internet Crime Complaint Center (IC3) divulgado em abril de 2026. O prejuízo reportado por essas vítimas saltou de US$ 405,6 milhões para US$ 797,9 milhões — perto de US$ 800 milhões em um único ano. A impersonação de autoridade do governo ficou entre os cinco tipos de fraude digital que mais geraram queixas e perdas no país.

O golpe explora a autoridade e a urgência associadas a uma instituição oficial para fazer a vítima reagir rápido, por medo de multa, prisão ou perda de benefício. Para o brasileiro imigrante, esse gatilho ganha um ingrediente extra: a ameaça de deportação. A Federal Trade Commission (FTC) lista, entre os sinais de um golpe de falso governo, a ameaça de que a pessoa "será presa, multada, deportada ou perderá benefícios" caso não pague na hora.

Por que o imigrante é alvo preferencial

Criminosos se passam por agentes do USCIS (Serviço de Cidadania e Imigração) e do ICE (Imigração e Alfândega) justamente porque sabem que muita gente está ansiosa com o processo migratório e nem sempre domina o inglês ou as regras locais. Eles ligam, mandam SMS, e-mail ou mensagem dizendo que a pessoa violou uma lei de imigração, deve uma taxa ou precisa pagar uma fiança — e ameaçam acionar a polícia ou deportar quem não entregar dados ou dinheiro.

A NBC News documentou seis imigrantes em cinco estados que perderam entre US$ 1.300 e US$ 11.000 para golpistas que se passaram por escritórios de advocacia ou encenaram audiências falsas por chamada de vídeo. O esquema se intensificou em meio ao aumento de prisões e detenções migratórias sob o governo Trump, que serve de pano de fundo para o medo que os criminosos exploram.

O golpe também usa "spoofing" de identificador de chamadas: o número que aparece na tela do celular pode imitar o de uma agência real. A própria FTC alerta para não confiar no identificador, porque mesmo um número que "bate" com o do site oficial pode ser truque. Em setembro de 2025, o serviço para estudantes internacionais da Universidade do Colorado em Boulder emitiu alerta sobre uma onda de ligações e e-mails falsos sobre o formulário AR-11 (mudança de endereço), com criminosos se passando pelo USCIS.

O que o USCIS, o IRS e o pedágio nunca fazem

O USCIS é explícito sobre como age — e como não age. A agência não aceita Western Union, MoneyGram, PayPal, Venmo nem gift cards como pagamento de taxas de imigração. O único pagamento online aceito é pela conta oficial do myUSCIS ou pelo pay.gov. O USCIS não pede que você transfira dinheiro para uma pessoa por telefone ou e-mail, e qualquer site ou endereço de e-mail que se diga ligado à agência sem terminar em ".gov" deve ser tratado como impostor.

O IRS (a Receita americana) também não liga, manda SMS ou mensagem em rede social com ameaça ou cobrança. Quando há imposto em aberto, o IRS contata por carta. A Administração da Previdência Social (SSA) avisa que golpistas dizem que o número de Social Security foi "suspenso" por atividade suspeita e mandam confirmar o número ou sacar dinheiro para guardar em gift cards.

O golpe do pedágio não pago virou um dos mais comuns por SMS. O FBI emitiu alerta (número I-041224-PSA) depois de receber mais de 2.000 queixas sobre textos que cobravam pedágio fictício; em 2024, o IC3 acumulou mais de 60 mil reclamações desse tipo. A mensagem segue um padrão: "Detectamos um pedágio em aberto de US$ 12,51 no seu registro. Para evitar uma multa de US$ 50,00, acesse [link falso]". O FBI lembra que agências de pedágio como a E-ZPass não cobram pagamento por SMS.

Os quatro sinais que entregam a fraude

Independentemente de qual órgão o criminoso finge ser, o roteiro costuma ter os mesmos sinais. Urgência: exige ação imediata, com prazo de minutos ou horas. Ameaça: fala em prisão, deportação, suspensão de benefício ou processo. Link estranho: o endereço não termina em ".gov" ou imita o nome do órgão com pequenas variações. Forma de pagamento incomum: pede gift card, criptomoeda, transferência por app (Zelle, Venmo, Apple Pay) ou wire — meios difíceis de rastrear e de recuperar.

A FTC resume a regra de ouro: nenhuma agência do governo liga, manda SMS, e-mail ou mensagem em rede social do nada para pedir dinheiro ou dados pessoais. Diante de qualquer contato assim, o caminho seguro é não clicar em link, não pagar e não passar informação. Procure o número oficial do órgão pelo site terminado em ".gov" e confirme a situação por conta própria, nunca pelo número ou link que veio na mensagem.

Como denunciar

Quem recebeu ou caiu em um golpe deve registrar a queixa no IC3, do FBI, em ic3.gov, incluindo o número de onde partiu a mensagem e a URL do link falso. A FTC recebe denúncias em ReportFraud.ftc.gov. No caso específico de fraude migratória, o USCIS orienta reportar à FTC ou ao órgão estadual de defesa do consumidor. Se você clicou no link ou passou dados bancários, troque senhas, avise o banco e conteste cobranças desconhecidas.

Registrar a denúncia ajuda além do caso individual: é com esses relatos que o FBI mede a escala do problema — os mesmos números que mostraram o salto de quase 100% nas queixas e o prejuízo de quase US$ 800 milhões em 2025.

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