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Proposta do HUD ameaça ajuda de aluguel de famílias imigrantes de status misto

O HUD propôs em fevereiro acabar com a ajuda proporcional de aluguel para famílias em que parte dos moradores não tem status migratório elegível. Críticos estimam que cerca de 80 mil pessoas, incluindo 37 mil crianças quase todas cidadãs americanas, podem perder o benefício. A regra ainda não é definitiva. Juristas de habitação orientam: não entregue informação de status migratório ao gestor do imóvel sem antes falar com um advogado.

Redação Brazuca News 29 de June de 2026, 02:11 5 visualizações
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Proposta do HUD ameaça ajuda de aluguel de famílias imigrantes de status misto
Foto: Jakub Zerdzicki / Pexels License

O Departamento de Habitação e Desenvolvimento Urbano dos Estados Unidos (HUD) propôs uma regra que encerraria a ajuda de aluguel proporcional concedida a famílias de status migratório misto — aquelas em que parte dos moradores é cidadã ou tem status legal e parte não tem documento. A proposta foi publicada no Federal Register em 20 de fevereiro de 2026 e, se confirmada, pode levar agências locais de habitação a encerrar contratos e despejar essas famílias, segundo a análise da banca de advocacia Ballard Spahr.

O tema interessa diretamente a muitas famílias brasileiras nos EUA, porque é comum a configuração em que os pais não têm documento e os filhos nascidos no país são cidadãos americanos. Hoje, esse arranjo permite à família receber ajuda parcial. A proposta do HUD quer eliminar essa possibilidade.

O que muda na prática

Pela regra atual, basta que ao menos um integrante do domicílio tenha status elegível para a família receber assistência prorated, ou seja, um valor reduzido proporcional ao número de moradores elegíveis. A proposta acabaria com essa proração, conforme explicou a Ballard Spahr em análise jurídica sobre o texto.

A proposta também removeria a opção conhecida como do not contend (não contestar), que hoje permite a um morador declarar que não reivindica elegibilidade pelo seu status migratório, sem ter de comprová-lo. Com a mudança, todos os integrantes do domicílio — independentemente da idade — teriam de ter o status confirmado pelo programa SAVE (Systematic Alien Verification for Entitlements), do Departamento de Segurança Interna (DHS), e quem não tivesse status elegível seria informado ao DHS.

O argumento do HUD

O secretário de Habitação, Scott Turner, defendeu a proposta como o fechamento de uma brecha. "Temos tolerância zero para deixar de lado cidadãos americanos trabalhadores enquanto outros exploram brechas de décadas", afirmou Turner, segundo o The Hill. O órgão apresenta a mudança como uma forma de garantir que a habitação subsidiada por impostos vá apenas a cidadãos e pessoas com status elegível.

Em seus números, o HUD estima que cerca de 24 mil pessoas sem status elegível vivem em aproximadamente 20 mil domicílios de status misto que recebem assistência. O órgão também citou uma auditoria conjunta com o DHS que teria identificado quase 200 mil inquilinos com verificação de elegibilidade incompleta ou desconhecida.

O que dizem os críticos

Organizações de habitação e parlamentares se posicionaram contra a proposta. Segundo a National Low Income Housing Coalition (NLIHC), a regra, se for adiante, levaria cerca de 80 mil pessoas a perder a assistência, entre elas aproximadamente 37 mil crianças, quase todas cidadãs americanas.

A presidente da NLIHC, Renee M. Willis, classificou a proposta como "ilegal, cruel e um flagrante abuso de poder". A coalizão argumenta que os moradores sem status elegível representam menos de um terço de 1% das cerca de 8,9 milhões de pessoas que vivem em habitação assistida pelo HUD.

A própria análise de impacto regulatório do HUD reconhece custos. Segundo a NLIHC, o documento estima que seriam necessários cerca de US$ 300 milhões adicionais para continuar atendendo o mesmo número de famílias, com gastos de verificação que iriam de cerca de US$ 530 mil a US$ 2,1 milhões.

Em que pé está a regra

É importante separar proposta de lei em vigor. Trata-se ainda de uma regra proposta, não de uma regra final. O prazo para comentários públicos terminou em 21 de abril de 2026, e mais de 13 mil manifestações foram enviadas, segundo a NLIHC. Enquanto o HUD não publicar a versão final, as normas atuais seguem valendo, e famílias de status misto continuam autorizadas a viver juntas em habitação assistida.

No Congresso, a deputada Delia Ramirez (Illinois) apresentou a resolução H.Res.1198, que reuniu mais de 25 coautores, de acordo com a NLIHC. Caucuses hispânico, negro e asiático-americano assinaram uma carta conjunta de 75 parlamentares contra a proposta.

O que a família deve fazer agora

A orientação central de juristas de habitação é não entregar informação de status migratório por conta própria. O National Housing Law Project (NHLP) publicou um material de "conheça seus direitos" para famílias imigrantes do HUD. A recomendação: quem nunca informou seu status migratório ao gestor do imóvel não deve fazê-lo sem antes consultar um advogado, segundo a NLIHC.

O material do NHLP revisa a lei atual sobre famílias de status misto, descreve cenários conforme o que o inquilino já informou ou não, e traz exemplos de formulários que moradores que não declaram elegibilidade podem ser solicitados a preencher. Quem precisa de apoio jurídico pode procurar uma organização local pelo site lawhelp.org.

O pano de fundo do aluguel

A disputa ocorre num momento em que o peso do aluguel já é alto. O relatório "America's Rental Housing 2026", do Joint Center for Housing Studies da Universidade Harvard, apontou que, em 2024, 22,7 milhões de domicílios inquilinos — 49% do total — gastavam mais de 30% da renda com aluguel e contas de moradia. Desses, 12,1 milhões eram severamente sobrecarregados, comprometendo mais da metade da renda. Para famílias que dependem de ajuda federal, perder o benefício significa entrar num mercado privado caro.

O Brazuca News seguirá acompanhando o andamento da regra no HUD. Famílias que recebem assistência habitacional e têm dúvidas sobre como responder a pedidos de informação devem buscar orientação jurídica antes de agir.

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