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Waymo abre corrida sem motorista em Denver e liga o sinal amarelo para quem dirige por aplicativo

A empresa da Alphabet passou a levar passageiros em Denver na terça-feira, 1º de setembro, com dezenas de carros e área de 60 milhas quadradas. Nas cidades onde o serviço já roda, o ganho por hora do motorista humano caiu enquanto a mediana nacional subia.

Redação Brazuca News 02 de September de 2026, 11:17 4 visualizações
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Waymo abre corrida sem motorista em Denver e liga o sinal amarelo para quem dirige por aplicativo
Foto: Stephen Leonardi / Pexels License

A Waymo começou a levar passageiros sem motorista em Denver na terça-feira, 1º de setembro. A empresa da Alphabet abriu o serviço ao público na mesma data em San Diego e em Tampa, na Flórida, e chegou a 14 cidades americanas com corrida comercial sem ninguém ao volante.

A operação em Denver nasce com dezenas de carros e cobre 60 milhas quadradas, cerca de 155 quilômetros quadrados. O acesso é liberado em ondas, por convite, entre as dezenas de milhares de moradores que já baixaram o aplicativo e entraram na lista.

Até onde o carro vai.

A área de serviço vai do entroncamento da US 36 com a Interstate 25, ao norte, até a University of Denver, ao sul. A borda oeste alcança trechos da Sheridan Boulevard e o limite leste fica perto do Central Park. Dentro do perímetro estão o Empower Field at Mile High, o Coors Field, a Ball Arena, o LoDo, Capitol Hill e Cherry Creek.

O Aeroporto Internacional de Denver ficou de fora da largada, e é a ausência que mais pesa para quem viaja. A Waymo afirma que as conversas com o aeroporto seguem em andamento, sem data definida para incluir o trajeto.

O carro é novo e foi montado pensando em neve.

Denver e San Diego receberam o Ojai, a van elétrica de nova geração produzida pela Zeekr. O veículo roda com lidar, radar e 13 câmeras, e traz um sistema reforçado de limpeza dos sensores para aguentar neve, detalhe que não é decorativo em uma cidade que passa o inverno com placa de gelo na via.

A frota total da Waymo passa de 4.000 veículos. Cerca de 300 são do modelo Ojai, e o restante ainda é formado pelos hatches Jaguar I-Pace usados nas praças mais antigas.

Como a empresa costuma abrir uma cidade

O roteiro é sempre o mesmo. A Waymo mapeia as ruas, roda testes com operador de segurança a bordo, tira o operador, libera para funcionários e imprensa e só então começa a chamar o público. Antes da abertura em Denver, a companhia diz ter validado o desempenho do sistema nas ruas locais, coordenado procedimentos com equipes de emergência e conversado com grupos comunitários.

A aceleração é recente. Desde março de 2025, quando fechou a parceria com a Uber em Austin, a empresa abriu sete cidades novas. Em Nevada, obteve autorização para operar até 1.000 veículos autônomos no condado de Clark, que inclui Las Vegas, ao longo do próximo ano. Na Califórnia, o serviço depende de licenças de duas agências estaduais distintas: uma para circular em via pública, outra para cobrar pela corrida.

Como entrar na fila e quanto custa.

Quem quiser andar precisa baixar o aplicativo da Waymo e se cadastrar. A empresa avisa por notificação quando libera o acesso e admite grupos aos poucos. A tarifa aparece estimada antes da viagem, varia conforme horário e demanda e fica em patamar comparável ao dos outros aplicativos de corrida. O serviço não aceita gorjeta.

O que os números de outras cidades mostram

A Waymo já ocupa fatia relevante do mercado onde chegou primeiro. Segundo dados da Yipit, o serviço respondeu por 15% do valor bruto das corridas em San Francisco em junho, 15% em Los Angeles e 16% em Phoenix.

No mesmo intervalo, a plataforma de dados Gridwise registrou queda no ganho por hora dos motoristas humanos em Austin, Los Angeles, Phoenix e San Francisco, todas com operação da Waymo, enquanto a mediana nacional subiu 1% no ano passado. Os pesquisadores que examinaram os números não conseguiram estabelecer que o robotáxi fosse a causa da queda.

O que dizem os pesquisadores e as plataformas?

Gad Allon, professor da Wharton, avalia que o efeito não aparece primeiro como demissão em massa e classifica uma fatia de 15% do mercado como choque sério para o trabalho local. Katie Wells, do AI Now Institute, aponta o buraco de informação: "Não sabemos quanto, não sabemos quando, não sabemos onde", afirmou, ao citar a ausência de dados públicos sobre utilização e tempo de espera das frotas autônomas.

Do lado das empresas, o discurso é de convivência. O presidente-executivo da Lyft, David Risher, disse acreditar que "o futuro é híbrido" e que o mercado vai crescer conforme os veículos autônomos ganharem escala. O da Uber, Dara Khosrowshahi, reconheceu que a companhia recruta menos motoristas nas cidades onde os carros autônomos operam.

A conta de segurança que a Waymo apresenta

A empresa sustenta o avanço com um número próprio: o sistema esteve envolvido em 94% menos colisões com ferimento grave ou pior do que motoristas humanos. Suzanne Philion, diretora de marketing da companhia, disse que o foco é "tornar o transporte do dia a dia mais seguro, mais fácil e mais acessível".

A chegada foi bem recebida pelo governo estadual. O governador Jared Polis afirmou que "o lançamento da Waymo ajuda a atingir ar mais limpo mais cedo" no Colorado. Em San Diego, a presidente do capítulo local da Federação Nacional de Cegos, Julia Cardenas, destacou o ganho de autonomia: "poder entrar num carro sem motorista e levar o cão-guia sem atrito é uma sensação realmente boa", disse.

O que vem a seguir

A Waymo diz que vai ampliar área e frota nos próximos meses e cita cerca de 20 cidades adicionais na fila, sem cronograma divulgado. Fora dos Estados Unidos, Londres e Munique estão nos planos.

Para o passageiro de Denver, a mudança prática de curto prazo é ter mais uma opção em horário de pico e de madrugada, dentro de um perímetro ainda restrito e sem o aeroporto. Para quem dirige por aplicativo na cidade, o retrato das praças mais antigas sugere que a conta do fim do mês pode mudar antes que qualquer estatística oficial explique o motivo.

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