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Saúde e Bem Estar

Remédio de emagrecimento por US$ 50 no Medicare já soma cerca de 200 mil receitas em CVS e Walgreens

O programa Medicare GLP-1 Bridge vende Wegovy e Zepbound por US$ 50 mensais a quem tem Part D e cumpre critérios clínicos estreitos. A cobertura vai até 31 de dezembro de 2027 e exclui quem tem diabetes tipo 2 ou apneia do sono.

Redação Brazuca News 28 de August de 2026, 21:19 1 visualizações
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Remédio de emagrecimento por US$ 50 no Medicare já soma cerca de 200 mil receitas em CVS e Walgreens
Foto: World Sikh Organization of Canada / Pexels License

Duas das maiores redes de farmácia dos Estados Unidos aviaram cerca de 100 mil receitas cada uma no Medicare GLP-1 Bridge, o programa federal que vende remédios de emagrecimento por US$ 50 ao mês a beneficiários do Medicare. Os números foram informados por CVS e Walgreens à NPR menos de dois meses depois do início da iniciativa.

“Acho que houve uma adesão até maior do que esperávamos”, disse Rick Gates, diretor de farmácia da Walgreens. Walmart e Sam's Club também processam as receitas do programa, em mais de 5.000 lojas pelo país.

O que é o Bridge?

O Medicare GLP-1 Bridge é uma demonstração de curto prazo criada pelos Centers for Medicare & Medicaid Services (CMS) que funciona de 1º de julho de 2026 a 31 de dezembro de 2027. Ele dá acesso a certos medicamentos da classe GLP-1 para perda e manutenção de peso a quem está inscrito na cobertura de medicamentos do Medicare, o Part D.

“Por muito tempo, muitos americanos não conseguiram acessar esses tratamentos por causa do custo”, afirmou o administrador do CMS, Mehmet Oz, no anúncio do lançamento. Os remédios cobertos incluem Wegovy, Zepbound e Foundayo.

US$ 50 por mês, mas fora do Part D.

O desenho tem uma particularidade que muda o cálculo de quem já gasta muito com farmácia. O programa opera fora do fluxo de cobertura e pagamento do Part D:. A franquia do plano não se aplica, e nenhum centavo dos US$ 50 conta para o limite de gasto do próprio bolso do beneficiário. Também não há subsídio de baixa renda para quem tem direito a esse benefício.

Em 2026, um processador central único cuida da autorização prévia, do processamento das cobranças e do pagamento às farmácias. Os planos do Part D não precisam aderir para que o beneficiário elegível consiga o medicamento, e não assumem risco financeiro pelos remédios fornecidos por essa via.

O arranjo existe porque a lei proíbe o Medicare de pagar por medicamentos de emagrecimento, como registrou a NPR. O CMS se apoiou em uma autorização antiga para contornar a barreira: a Seção 402 das Emendas à Previdência Social de 1967, que permite ao secretário conduzir projetos de demonstração para testar mudanças em métodos de pagamento e reembolso no Medicare.

Quem cumpre os critérios

As regras clínicas são estreitas. Segundo análise da KFF, entidade independente de pesquisa em saúde, entra no programa quem tem índice de massa corporal (IMC) de 35 ou mais; ou IMC a partir de 30 com insuficiência cardíaca, hipertensão não controlada ou doença renal crônica em estágio 3a ou pior; ou ainda IMC a partir de 27 com pré-diabetes, infarto ou AVC prévios, ou doença arterial periférica.

Quem fica de fora

Quem tem diabetes tipo 2, apneia obstrutiva do sono moderada a grave ou MASH — a doença hepática associada à disfunção metabólica — não pode usar o Bridge, mesmo cumprindo os demais critérios. O motivo é que esses diagnósticos já dão direito à cobertura de GLP-1 pelo próprio Part D. Também fica de fora quem já recebeu prescrição de GLP-1 em 2026.

O CMS reforça o mesmo ponto: não qualifica quem já obtém esses medicamentos pela cobertura de medicamentos que possui.

Quantos são e quanto custa?

A KFF calculou o alcance real do programa com dados de 2023. Havia 13,3 milhões de beneficiários do Medicare com IMC de 27 ou mais; 9,7 milhões inscritos no Part D cumpriam os critérios clínicos; mas, aplicadas todas as exclusões, 3,8 milhões seriam de fato elegíveis — 8% dos inscritos no Part D.

A conta para o governo depende da adesão. Considerando 18 meses de programa e custo líquido de US$ 245 por mês, a KFF projeta gasto de US$ 1,3 bilhão a US$ 3,3 bilhões se de 10% a 25% dos elegíveis participarem, e de US$ 6,7 bilhões a US$ 10 bilhões se a adesão chegar a 50% ou 75%.

Como checar se entra no programa?

O CMS orienta o beneficiário a consultar a página Medicare.gov/glp1bridge e conversar com o médico sobre a indicação. A linha 1-800-MEDICARE (1-800-633-4227) também atende dúvidas, com opção para usuários de TTY no 1-877-486-2048.

O preço de US$ 50 só vale para quem passa pelos critérios e tem a autorização prévia aprovada. Cartões de desconto de farmácia, incluindo o TrumpRx, não são considerados cobertura equivalente, e o que se gasta com eles não entra na franquia nem no limite de gasto do Medicare.

O prazo é o ponto fraco.

A validade do programa termina em 31 de dezembro de 2027. O CMS afirma que a extensão até essa data serve para coletar dados de uso dos GLP-1 e compartilhá-los com os planos do Part D antes de uma eventual implementação do modelo BALANCE, que não será lançado em 2027.

Jeremy Shane, do Leonard D. Schaeffer Institute, da Universidade do Sul da Califórnia, avalia que a iniciativa abre espaço para repensar preço e custo de medicamentos. Para o beneficiário, a pergunta prática é outra: o que acontece com o preço quando a demonstração acabar?

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