A COVID voltou a subir nos Estados Unidos no fim do verão. "Estamos agora no meio de uma onda de verão crescente de COVID aqui nos Estados Unidos", disse à NPR o infectologista John Brooks, da Universidade Emory e ex-integrante do CDC. O vírus circula mais no Sul e no Oeste, mas também avança no Nordeste e no Meio-Oeste.
A onda chega em um momento incomum: as doses atualizadas estão a caminho para o outono, e o CDC segue sem publicar recomendação nova por causa de uma disputa judicial sobre a reformulação da política de imunização do país.
A única virose respiratória com temporada de verão
Gripe e vírus sincicial respiratório se concentram no frio. A COVID não. "É o único vírus respiratório sazonal que tem uma temporada de verão", disse Caitlin Rivers, epidemiologista da Universidade Johns Hopkins.
Isso significa duas subidas por ano, e não uma. A de agosto é a que costuma pegar as famílias fora do radar, entre viagem, volta às aulas e reunião em ambiente fechado com ar-condicionado.
Por que a onda vem mais fraca a cada ano?
O padrão que os médicos observam é de ondas sucessivamente mais brandas, com menos gente indo parar no hospital e menos mortes. "O que estamos vendo é muito provavelmente evidência de uma imunidade coletiva crescente", disse Brooks. A explicação é a soma de infecções passadas e doses tomadas ao longo dos anos: quase todo mundo já teve contato com o vírus de alguma forma.
Quem continua correndo risco
Mais brando na média não quer dizer inofensivo. "A COVID-19 ainda é perigosa, especialmente para adultos mais velhos, bebês e pessoas imunocomprometidas", afirmou Rivers.
O grupo imunocomprometido é maior do que parece: pela estimativa citada na reportagem, a cada 20 colegas de trabalho, uma ou duas pessoas têm algum grau de imunossupressão — por tratamento, por doença crônica ou por transplante. Nem sempre isso é visível ou comentado.
O CDC parou de recomendar; as sociedades médicas, não.
O governo federal deixou de recomendar a dose anual de rotina para todos a partir dos 6 meses de idade. O CDC não publicou recomendação atualizada para esta temporada porque a política de imunização está sendo disputada na Justiça.
As grandes sociedades médicas continuam recomendando a vacinação anual contra COVID e gripe. Na prática, o brasileiro que procurar orientação vai encontrar respostas diferentes conforme a fonte — e a recomendação de quem cuida do paciente costuma ser a que vale na farmácia.
O que a vacina do ano passado evitou
Há número recente sobre isso. Um estudo conduzido pelo CDC e publicado na revista JAMA Network Open acompanhou mais de 111 mil adultos em 253 unidades de emergência e pronto atendimento e 179 hospitais em sete estados, entre setembro e dezembro de 2025.
Quem tomou a dose 2025-2026 teve 50% menos idas ao pronto-socorro ou pronto atendimento por COVID e 55% menos internações. Entre pessoas com 65 anos ou mais, a redução foi de 48% nas idas à emergência e 53% nas internações.
Um segundo estudo, feito na França, na Alemanha, na Irlanda, na Itália e na Espanha entre setembro de 2025 e janeiro de 2026, mediu a proteção ao longo do tempo em idosos: 64% de efetividade entre 14 e 41 dias depois da dose e 52% entre 42 e 83 dias.
Quase ninguém tomou.
O dado que salta desses mesmos estudos é a adesão. Só 11% dos participantes americanos tinham tomado a dose 2025-2026. Na Europa, 6%. É uma cobertura baixa o suficiente para deixar em aberto quanto da onda atual poderia ter sido evitada.
A baixa procura ajuda a situar a explicação de Brooks: a proteção que segura a maior parte dos casos graves hoje vem sobretudo de infecção anterior, e não de dose recente. É a imunidade coletiva que ele descreve — construída do jeito mais caro, com o vírus circulando.
Plano de saúde continua cobrindo até dezembro.
A AHIP, entidade que reúne as operadoras de plano de saúde nos Estados Unidos, anunciou que mantém a cobertura das imunizações recomendadas pelo ACIP até 1.º de setembro de 2025 — o que inclui as versões atualizadas das vacinas de COVID e de gripe — sem cobrança do paciente, até 31 de dezembro de 2026.
"A abordagem baseada em evidências para a cobertura de imunizações vai continuar consistente", declarou a entidade. Para criança, as doses devem seguir gratuitas por programas federais como o Vaccines for Children.
O que dá para fazer agora?
As doses atualizadas devem chegar às farmácias no outono e, segundo os especialistas ouvidos pela NPR, combinam bem com a cepa que está circulando. Quem tem mais de 65 anos, bebê em casa ou alguém imunocomprometido na família é quem mais ganha em não deixar para depois.
"As pessoas deveriam tomar, e tomar para os filhos", resumiu Claire Hannan, diretora executiva da Association of Immunization Managers. Antes de ir à farmácia, vale confirmar com o plano se a dose está coberta sem custo e, em caso de dúvida sobre condição de risco, conversar com o médico que acompanha o caso.
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