Os Estados Unidos confirmaram 2.465 casos de sarampo até 6 de agosto de 2026, alta de 92% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados do CDC compilados pela USAFacts. É o maior número anual desde que o país declarou a doença eliminada, em 2000.
O total de 2026 já havia superado o ano inteiro de 2025 antes mesmo da metade do ano. Em julho, quando o CIDRAP, da Universidade de Minnesota, contabilizou 2.318 casos, o surto passou os 2.289 registrados em todo o ano anterior — que já tinha sido o pior desde 1991.
Onde a doença está concentrada.
Pelos números do CDC compilados pela USAFacts entre 1º de janeiro e 6 de agosto, os três estados com mais casos eram Carolina do Sul, com 670, Utah, com 524, e Pensilvânia, com 216.
A Pensilvânia vinha subindo rápido no fim do período. A doença já apareceu em mais de 40 jurisdições do país.
Praticamente todos os casos são de transmissão local: das 2.318 infecções contabilizadas em julho, apenas 16 estavam ligadas a viagem internacional, segundo o CIDRAP. Ou seja, o vírus está circulando dentro das comunidades americanas, não sendo importado.
Quem adoece
O perfil é claro e se repete em todos os levantamentos: 93% dos doentes não tinham vacina ou estavam com situação vacinal desconhecida.
A doença atinge sobretudo crianças. Segundo o CIDRAP, 20% dos casos são de crianças de até 5 anos e 69% de crianças e jovens até 19 anos.
A taxa de internação em 2026 é de 7%, contra 11% em 2025. Até o levantamento de julho, não havia morte registrada neste ano; em 2025 foram três.
O que 2025 ensinou
O ano passado serviu de aviso. Foram 2.289 casos confirmados, o pior resultado desde 1991, com taxa de internação de 11% e três mortes. O maior foco ficou no oeste do Texas, onde mais de 750 casos foram ligados a um único surto e duas crianças morreram, segundo a CBS News.
A comparação com 2026 mostra dois movimentos ao mesmo tempo: mais gente doente e proporção menor de internação. Isso não significa que a doença ficou mais branda — significa que ela se espalhou por mais comunidades, atingindo grupos com perfis diferentes de risco.
O sarampo não é uma doença de manchinha e febre. Entre as complicações estão pneumonia, infecção de ouvido com perda auditiva e, mais raramente, inflamação do cérebro. Crianças menores de 5 anos e adultos acima de 20 têm mais risco de agravamento.
A vacinação está caindo.
A cobertura da vacina tríplice viral entre crianças do jardim de infância caiu de 95,2% no ano letivo de 2019-2020 para 92,4% em 2025-2026, segundo os dados citados pela CBS News. No ano anterior, o índice era de 92,5%.
Esses pontos percentuais parecem pequenos e não são. O patamar de 95% é o limiar em que a imunidade coletiva protege também quem não pode se vacinar — bebê pequeno demais, criança em tratamento de câncer, pessoa com imunidade comprometida. Abaixo disso, uma única infecção encontra caminho aberto.
No último ano letivo, apenas dez estados atingiram os 95%.
O status de eliminação em risco
O país corre risco concreto de perder a certificação de eliminação do sarampo, obtida em 2000. A regra internacional considera a transmissão restabelecida quando uma mesma cadeia de contágio persiste por mais de doze meses.
Andrew Racine, presidente da Academia Americana de Pediatria, disse que o país não deveria aceitar essa situação como o novo normal, segundo o CIDRAP.
Jay Bhattacharya, diretor do Instituto Nacional de Saúde, afirmou à CBS News que, para a maioria das crianças, é muito importante que os pais vacinem os filhos, especialmente contra o sarampo.
O que a família brasileira precisa checar agora
Com o ano letivo começando, três verificações resolvem a maior parte do risco:
- Carteira de vacinação da criança: o esquema americano prevê duas doses da tríplice viral, a primeira entre 12 e 15 meses e a segunda entre 4 e 6 anos;
- Quem chegou do Brasil: a caderneta brasileira vale, mas precisa ser traduzida e apresentada à escola; muitas escolas aceitam registro estrangeiro desde que o esquema esteja completo;
- Adulto nascido depois de 1957: quem não tem comprovante de duas doses pode conversar com o médico sobre reforço, sobretudo antes de viajar.
Sinais de alerta: febre alta, tosse, coriza, olho vermelho e, dias depois, manchas que começam no rosto e descem pelo corpo. Diante da suspeita, o passo é telefonar para a clínica antes de ir, para que a equipe organize o atendimento sem expor outros pacientes na sala de espera. O sarampo é uma das doenças mais contagiosas que existem e se transmite pelo ar.
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