O Departamento de Educação dos Estados Unidos começa a retirar mutuários do plano de pagamento SAVE a partir de 29 de setembro. Nenhum devedor será movido antes dessa data, segundo a pasta, mas quem já recebeu o aviso do seu servicer tem 90 dias para escolher outro plano — e quem não escolher cai automaticamente no Standard, com parcela normalmente bem maior.
São 7,5 milhões de pessoas no SAVE, o plano criado no governo anterior e barrado na Justiça. Entre elas, há muitos imigrantes brasileiros que financiaram faculdade nos Estados Unidos, além de pais que tomaram empréstimo para bancar os estudos dos filhos.
A data que importa: 29 de setembro.
O Departamento de Educação afirmou que nenhum mutuário será obrigado a sair do SAVE antes de 29 de setembro de 2026. A contagem individual, porém, não começa nessa data: ela começa quando o servicer envia o aviso.
Os avisos passaram a ser disparados em 1.º de julho, em lotes escalonados. Isso significa que boa parte dos devedores terá prazo além de setembro, enquanto quem recebeu a notificação no primeiro lote chega ao fim da janela justamente no fim deste mês.
Como chega o aviso e o que acontece com quem o ignora?
O aviso vem do servicer que administra o empréstimo, e não do Departamento de Educação. É ele que marca o início dos 90 dias. Manter endereço e e-mail atualizados junto ao servicer deixou de ser burocracia e virou prazo.
Quem não fizer a escolha dentro da janela será matriculado automaticamente no plano Standard ou no Tiered Standard, conforme a elegibilidade. A consequência prática é dupla: parcela mensal que pode subir muito, porque deixa de ser calculada pela renda, e perda de progresso rumo ao perdão do saldo.
Juros correndo e tempo que não conta.
Enquanto o SAVE ficou parado na Justiça, os mutuários foram colocados em uma tolerância administrativa, sem parcela devida. O detalhe caro é que os juros continuaram sendo acumulados durante esse período, e o tempo passado nessa tolerância não conta para nenhum programa de perdão.
Isso muda o cálculo de quem estava confortável com a pausa: cada mês parado é saldo crescendo sem contrapartida. Organizações de defesa do consumidor têm recomendado que quem consegue pagar migre logo, em vez de esperar o prazo estourar.
O que é o RAP, o plano novo?
O Repayment Assistance Plan, o RAP, entrou em vigor em 1.º de julho de 2026. A parcela sai de um percentual da renda bruta ajustada anual — de 1% a 10%, conforme a faixa — dividido por 12. Do valor mensal são descontados US$ 50 por filho dependente, e a parcela mínima é de US$ 10 por mês.
Duas regras diferenciam o RAP dos planos por renda anteriores. A primeira: o plano dispensa todos os juros mensais acumulados que a parcela do devedor não cobrir, durante todo o prazo de pagamento. A segunda: se a parcela reduzir menos de US$ 50 do principal no mês, o governo complementa até completar essa redução de US$ 50. O saldo remanescente é perdoado após 360 pagamentos, o equivalente a 30 anos.
Quem pode e quem não pode entrar.
Apenas quem tem Direct Loans é elegível ao RAP. Empréstimos Parent PLUS ficam de fora, a não ser que tenham sido consolidados em um Direct Consolidation Loan antes de 1º de julho de 2026 — prazo que já passou.
Para quem tomou qualquer empréstimo em 1.º de julho de 2026 ou depois, o RAP é a única opção baseada em renda. Esses mutuários contam ainda com o novo plano Standard, cujo prazo varia conforme o saldo do principal. Pais que passaram a tomar Parent PLUS a partir dessa data não têm nenhuma alternativa atrelada à renda.
Planos antigos com data para acabar.
O ICR e o PAYE serão encerrados em 1.º de julho de 2028. Devedores de Parent PLUS que queiram acessar os planos legados precisam ter consolidado antes de julho de 2026 e se inscrever em um plano por renda antes de julho de 2028.
Para empréstimos desembolsados ou consolidados antes de 1º de julho de 2026, continuam disponíveis o IBR, o PAYE, o ICR, o RAP e os planos Standard, Graduated e Extended. A escolha entre eles depende de renda, tamanho da família e objetivo de perdão — e vale simular antes de assinar.
Onde pedir ajuda de graça?
A procuradora-geral de Nova York, Letitia James, alertou os mutuários do estado a escolherem ativamente o novo plano. "Empréstimos estudantis já são um fardo pesado, e nenhum nova-iorquino deveria se ver em um plano de pagamento caro que não escolheu", afirmou. O escritório indicou o Education Debt Consumer Assistance Program, pelo telefone 888-614-5004.
O subsecretário de Educação, Nicholas Kent, resumiu a posição do governo ao anunciar a transição: "Se você toma um empréstimo, precisa pagá-lo de volta. Mutuários atualmente inscritos no ilegal Plano SAVE terão pelo menos 90 dias para entrar em um plano de pagamento legal." O Departamento estimou o custo do SAVE em mais de US$ 342 bilhões ao longo de dez anos.
Fornecer o consentimento para a Receita americana consultar a declaração de imposto acelera o processamento do pedido de plano por renda, segundo a pasta. Nenhum serviço legítimo cobra taxa para trocar de plano de pagamento federal.
Onde confirmar?
- U.S. Department of Education — "Announces Next Steps for Borrowers Enrolled in the Unlawful SAVE Plan", 27/03/2026: ed.gov/about/news/press-release/us-department-of-education-announces-next-steps-borrowers-enrolled-unlawful-save-plan
- Forbes — Adam Minsky, "New Details Emerge On Timing For Student Loans To Change Repayment Plans", 29/06/2026.
- TICAS — "Upcoming Changes to Income-Driven Repayment Plans": ticas.org/affordability-2/upcoming-changes-to-income-driven-repayment-plans/
- Procuradoria-Geral de Nova York — "Attorney General James Urges Student Loan Borrowers on SAVE Plan to Choose New Repayment Options", 06/07/2026.
Comentários
Faça login para comentar
EntrarSeja o primeiro a comentar!