O sindicato dos professores da rede pública de Seattle reúne seus filiados na noite desta quarta-feira (26) para uma votação que decide se o ano letivo começa na data marcada. Os membros do Seattle Education Association (SEA) se encontram no Seattle Convention Center e saem de lá com uma de duas respostas: ratificar o acordo de contrato negociado com o Seattle Public Schools ou autorizar greve.
O contrato em vigor expira em 31 de agosto. O calendário oficial publicado pelo distrito marca 2 de setembro, uma quarta-feira, como primeiro dia de aula para os alunos do 1º ao 12º ano. Pré-escola e jardim de infância começam depois, em 8 de setembro, com encontros de famílias entre 2 e 4 de setembro. Se a paralisação for autorizada e nenhum acordo sair antes, a greve começa justamente no dia 2 e atinge perto de 50 mil estudantes, segundo a KOMO News.
O que travou a negociação
Salário, tamanho de turma e carga de trabalho são os pontos que emperraram a mesa, segundo a KUOW. A proposta em discussão prevê reajuste de 1,5% para os professores certificados neste ano letivo, 2% no seguinte e 2,5% em 2028-29, além dos ajustes anuais de inflação bancados pela fórmula de remuneração do estado de Washington.
A comparação com a rodada anterior ajuda a explicar a resistência. O acordo fechado depois da greve de 2022 deu 7% de aumento já no primeiro ano. Hoje o salário médio de professor no distrito gira em torno de US$ 117 mil por ano, e as vagas anunciadas variam de US$ 75 mil a US$ 146 mil, conforme levantamento da KOMO News.
Um rombo de US$ 87 milhões no orçamento.
Do outro lado da mesa está um distrito apertado. O Seattle Public Schools movimenta cerca de US$ 1,3 bilhão por ano e enfrenta um déficit de US$ 87 milhões, o que limita o quanto a rede diz poder oferecer em reajuste e em contratações para reduzir turma.
Heather Barker, professora do terceiro ano na Sanislo Elementary e integrante da equipe de negociação do sindicato, atribui parte do problema ao financiamento estadual. Em declaração à KUOW, ela disse que o buraco no orçamento é resultado da falta de verba do estado e que foi agravado ao longo dos anos por má gestão.
O que o sindicato diz querer
Barker resumiu a posição dos professores em entrevista à KOMO News: "Não queremos entrar em greve. Mas, se for para melhorar as condições de trabalho e as condições de aprendizado dos nossos alunos, nós vamos." Sobre a proposta do distrito, ela afirmou à KUOW que o que foi colocado na mesa não leva os professores até onde eles precisam chegar.
O superintendente Ben Shuldiner descreve as conversas em outro tom. Segundo a KUOW, ele afirmou que as negociações foram "cuidadosas, respeitosas e concentradas em encontrar soluções que apoiem alunos, funcionários e as comunidades escolares", com as partes se reunindo de forma constante. O sindicato informou que seus negociadores estavam disponíveis das 9h às 21h, todos os dias, até fechar um texto.
Segurança de aluno imigrante já foi acordada.
Nem tudo ficou em aberto. Segundo a KUOW, distrito e sindicato já chegaram a acordos provisórios em dois temas: segurança escolar para alunos imigrantes e política de uso de inteligência artificial nas escolas.
Para a família brasileira que matriculou filho na rede de Seattle, esse ponto tem peso próprio. O texto sobre segurança de aluno imigrante entra no contrato coletivo, ou seja, passa a valer como obrigação negociada entre a rede e os professores, e não apenas como orientação administrativa que muda a cada gestão.
O precedente de 2022
A última greve de professores em Seattle foi em 2022 e adiou o começo do ano letivo. A KUOW registra quatro dias de atraso; a KOMO News fala em uma semana. As duas versões apontam para o mesmo efeito prático: milhares de famílias tiveram de improvisar cuidado infantil em cima da hora, no início de setembro, sem saber por quantos dias.
A diferença em relação a 2022 está no tamanho do reajuste em disputa. Naquele ano, o acordo saiu com 7% no primeiro ano. Agora a proposta parte de 1,5%, num distrito que já anunciou déficit de dezenas de milhões de dólares.
O que a família pode organizar agora?
Até a votação terminar, nenhuma data está cancelada: 2 de setembro segue como primeiro dia de aula no calendário oficial da rede. O que muda conforme o resultado é o grau de incerteza.
- Se os filiados ratificarem o acordo, o contrato entra em vigor e as aulas começam em 2 de setembro, como previsto.
- Se autorizarem a greve, a paralisação pode começar em 2 de setembro, mas ainda há a janela entre a votação e essa data para as partes fecharem um texto na mesa.
- Quem depende de transporte escolar, merenda ou programa de contraturno deve acompanhar os comunicados do distrito, porque esses serviços foram afetados na greve anterior.
O distrito comunica mudança de calendário pelos canais oficiais e pelo sistema de mensagens às famílias. Quem está com cadastro desatualizado na escola perde o aviso, e esta é a hora de corrigir telefone e e-mail na secretaria.
Onde confirmar?
- Seattle Public Schools, página oficial com as datas do ano letivo 2026-27 (seattleschools.org).
- KOMO News, cobertura da votação do SEA em 26 de agosto de 2026 (komonews.com).
- KUOW, reportagem sobre o impasse na negociação em 24 de agosto de 2026 (kuow.org).
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