A prefeita de Seattle, Katie Wilson, assinou na quinta-feira (17) uma ordem executiva que obriga os departamentos da cidade a se prepararem melhor para emergências e cria regras claras para o uso do AlertSeattle, o sistema que manda alertas por mensagem de texto aos moradores. O sistema não foi acionado no tiroteio de 26 de julho no festival Bite of Seattle, e a ordem vem depois de críticas à resposta da prefeitura naquela noite.
A assinatura aconteceu durante um simpósio de dois dias sobre gestão de emergências para servidores municipais. Segundo a prefeitura, a ordem responde a três fatores: uma avaliação externa feita em 2025, a Copa do Mundo da FIFA de 2026 e o tiroteio no Bite of Seattle.
O que aconteceu no Bite of Seattle?
O tiroteio no festival gastronômico, no Seattle Center, deixou três mortos: duas pessoas que estavam no festival e o suspeito, segundo a KOMO News. Registros divulgados depois mostraram falhas de coordenação entre os líderes da cidade.
Às 18h36, o subchefe de polícia Tyrone Davis informou: "Sete baleados, dois mortos. Dos cinco levados ao hospital, um é uma criança pequena." Às 18h50, o chefe de polícia Shon Barnes escreveu: "Não sei quem está no comando, mas alguém precisa assumir". Às 19h20, a equipe da prefeita já tinha o número de vítimas, mas a informação só foi divulgada horas depois, de acordo com a KOMO.
Segundo a Fox 13, as mensagens mostraram que autoridades atrasaram a comunicação porque esperavam a chegada da prefeita. Wilson reconheceu a responsabilidade do seu gabinete pelos atrasos entre 21h45 e 22h45 daquela noite.
O AlertSeattle ficou em silêncio.
O AlertSeattle não foi usado naquela noite. Perguntada se sabia de algum departamento que tivesse pedido o acionamento do sistema, a diretora do Escritório de Gestão de Emergências de Seattle (OEM), Curry Mayer, respondeu: "Não sei", segundo a MyNorthwest.
"O AlertSeattle é uma ferramenta específica que poderia e deveria ter sido usada naquela situação", admitiu a prefeita. À Fox 13, Wilson disse: "Não quero dizer que não houve nenhuma discussão sobre o AlertSeattle naquele dia, porque acredito que houve".
As novas regras para os alertas
A ordem cria um Conselho Operacional do AlertSeattle, liderado em conjunto pelo OEM e pelo gabinete da prefeita. O conselho vai definir padrões claros sobre quem envia os alertas, quando enviar, o que dizer e quem deve receber cada mensagem, segundo a prefeitura. A Fox 13 informou que a ordem também prevê testes regulares do sistema.
Os moradores podem se cadastrar para receber os avisos pelo endereço seattle.gov/alert, indicado pela prefeitura.
Treinamento obrigatório para os servidores.
A ordem está dividida em três partes. Na primeira, o gabinete da prefeita passa a coordenar ativamente o planejamento de emergências, e o OEM vai elaborar um plano estratégico. Até o fim de 2027, cada departamento da cidade precisa ter o seu papel definido para situações de emergência.
Na segunda parte, o OEM passa a liderar uma equipe interdepartamental com polícia, bombeiros, transportes, serviços públicos e recursos humanos. A prefeitura vai criar treinamento obrigatório de preparação para novos servidores, com reciclagem anual, e certificação avançada para quem tem funções especializadas. Segundo a MyNorthwest, a cidade fará pelo menos dois exercícios de mesa por ano e um exercício prático no Centro de Operações de Emergência. Os departamentos também terão de atualizar seus planos de resposta, manter e testar planos de continuidade dos serviços e participar de revisões depois de cada emergência.
Bairros, escolas e imigrantes no plano.
A terceira parte trata da preparação da população. A prefeitura vai integrar as escolas públicas de Seattle ao plano por meio do Departamento de Educação e Primeira Infância. Os planos específicos para cada bairro serão feitos com o Departamento de Bairros e com o Escritório de Assuntos de Imigrantes e Refugiados. Segundo a KOMO, a proposta é levar o treinamento para desastres a todas as comunidades, com parcerias com as escolas e com os serviços de atendimento a imigrantes.
A ordem também prevê uma campanha de conscientização sobre tsunami, com placas na orla feitas pelo Departamento de Transportes, e coordenação regional com a Gestão de Emergências do Condado de King, a Gestão de Emergências do Estado de Washington e a Universidade de Washington. Segundo a MyNorthwest, o texto trata de ameaças como calor extremo, enchentes, incêndios florestais, terremotos e a elevação do nível do mar.
O que disseram à prefeita e à diretora?
"O jeito antigo de fazer as coisas não é mais suficiente. "Precisamos fazer mais para estar à altura deste momento", afirmou Wilson no comunicado da prefeitura. "A gestão de emergências só funciona quando é um trabalho de equipe", disse Curry Mayer.
A pressão política continua.
A ordem não encerra a discussão sobre segurança pública na cidade. Vereadores têm criticado a estratégia mais ampla de Wilson para a área, segundo a Fox 13. A prefeita sustenta que a coordenação de emergências reforçada, somada a mais presença policial, vai trazer resultados nos bairros de Seattle.
O prazo mais longo da ordem é o fim de 2027, quando todos os departamentos precisam estar com seus papéis definidos. As regras do AlertSeattle dependem agora do novo conselho, e as fontes consultadas não trazem data para a publicação dos padrões.
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