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Brasil

PF bloqueia R$ 24,3 milhões de esquema que levou 230 brasileiros aos EUA a partir de Valadares

Operação Chiapas, deflagrada em 2 de setembro em Governador Valadares (MG), cumpriu 13 mandados contra rede de travessias clandestinas; dias antes, o MPF denunciou família da mesma região por enviar 673 pessoas aos EUA cobrando até R$ 100 mil por travessia.

Redação Brazuca News 06 de September de 2026, 21:13 3 visualizações
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PF bloqueia R$ 24,3 milhões de esquema que levou 230 brasileiros aos EUA a partir de Valadares

A Polícia Federal cumpriu 13 mandados de busca e apreensão em Governador Valadares, no leste de Minas Gerais, na quarta-feira, 2 de setembro, contra um esquema que enviou mais de 230 brasileiros de forma irregular aos Estados Unidos entre 2021 e 2024. A Justiça Federal autorizou o bloqueio de até R$ 24,3 milhões em bens e valores ligados aos investigados. A ação, batizada de Operação Chiapas, mira o circuito de travessias clandestinas que alimenta parte da imigração brasileira nos Estados Unidos — e chega uma semana depois de o Ministério Público Federal denunciar outro grupo da mesma região por levar 673 pessoas ao território americano.

Os dois casos tocam um nervo exposto da comunidade brasileira nos Estados Unidos. Parte de quem vive no país chegou por rotas parecidas, muitas famílias ainda quitam dívidas contraídas com atravessadores e há parentes no Brasil avaliando o mesmo caminho neste momento. Os documentos das investigações detalham quanto o serviço custava, como o dinheiro era escondido e o que a Justiça pretende fazer com o patrimônio de quem operava o negócio.

O que a PF encontrou em Valadares

Dos 13 mandados cumpridos na cidade, nove serviram para apreender veículos que já estavam sob sequestro judicial. Os agentes também recolheram documentos e celulares, que passarão por perícia. Uma pessoa foi presa em flagrante por posse e porte ilegais de arma de fogo durante as buscas.

Segundo a PF, o principal alvo "organizava toda a logística das viagens, desde a saída do Brasil, por via aérea, até a entrada irregular nos Estados Unidos". A corporação afirma que o grupo usava empresas de fachada e mecanismos de lavagem de dinheiro "para ocultar e para dissimular a origem ilícita dos valores". A estimativa dos investigadores aponta mais de 230 pessoas transportadas de forma irregular no período de três anos.

A rota subia pela América Central até o México.

O trajeto descrito pela investigação começava com voos que tiravam os clientes do Brasil e seguia por terra, por países da América Central, com passagens pelo Panamá e pelo México, até a tentativa de entrada não autorizada nos Estados Unidos. O nome da operação remete a Chiapas, estado no extremo sul mexicano por onde sobem migrantes vindos da América Central.

Denúncia de agosto atinge família que enviou 673 pessoas.

A Operação Chiapas se soma a um movimento recente do Ministério Público Federal contra redes de contrabando de migrantes com base na mesma região. Em 26 de agosto, o MPF denunciou 12 pessoas na Operação Siblings, contra um grupo liderado por dois irmãos que atuava no Vale do Rio Doce, também a partir de Governador Valadares.

De acordo com a denúncia, o grupo enviou 673 brasileiros de forma ilegal aos Estados Unidos entre 2017 e 2023 e movimentou mais de R$ 40 milhões. Os denunciados respondem por organização criminosa transnacional, contrabando de migrantes, falsificação de documentos e lavagem de dinheiro. O MPF pediu à Justiça o bloqueio de R$ 44,7 milhões para garantir a reparação dos danos, além do confisco dos bens de origem ilícita e de indenização por dano moral coletivo.

Crianças eram usadas para reduzir risco de deportação.

Um dado da denúncia do MPF pesa mais que os números financeiros: entre os migrantes identificados no esquema dos irmãos, 223 eram menores de idade, o equivalente a 32,4% do total. Os procuradores descrevem o uso do método conhecido como "cai-cai", em que adultos cruzam a fronteira acompanhados de crianças para diminuir a chance de deportação imediata.

O grupo também recorria a cartões de vacinação falsos e a documentos de proteção humanitária forjados para viabilizar a entrada pelo México, segundo o MPF. Essas fraudes agravam a situação jurídica de quem as utilizou, inclusive dos próprios migrantes, que podem ter processos de regularização comprometidos por documentos falsos apresentados no caminho.

Quanto custava e como as famílias pagavam?

A denúncia da Operação Siblings expõe a engenharia financeira do negócio. Cada travessia era vendida por valores entre R$ 50 mil e R$ 100 mil por pessoa. Para pagar, migrantes e familiares eram pressionados a entregar veículos, assinar notas promissórias e autorizar a venda de imóveis. O dinheiro passava depois por estruturas de lavagem para parecer lícito.

No caso investigado pela Operação Chiapas, a PF identificou o mesmo padrão: empresas de fachada e mecanismos de lavagem davam aparência lícita ao dinheiro do grupo — base do bloqueio judicial de R$ 24,3 milhões autorizado agora.

O que acontece com os dois casos daqui em diante?

Na Operação Chiapas, o material apreendido segue em análise e a investigação continua na Polícia Federal, com foco em contrabando de migrantes e lavagem de dinheiro. O homem preso em flagrante responde de imediato pelo porte ilegal de arma.

Na Operação Siblings, a denúncia foi apresentada à Justiça Federal. Se for recebida, os 12 acusados viram réus. A pena base para o crime de contrabando de migrantes vai de 2 a 5 anos de reclusão, mais multa, e aumenta quando há violência ou envolvimento de menores — circunstância que os procuradores já apontaram no caso.

O que isso significa para quem está nos EUA?

Quem pagou a um desses grupos e perdeu carro, imóvel ou assinou promissória entra na conta da reparação: o pedido de bloqueio de R$ 44,7 milhões feito pelo MPF existe para cobrir danos causados pelo esquema. Guardar contratos, recibos, comprovantes de transferência e conversas com os atravessadores ajuda a documentar o prejuízo caso a Justiça determine ressarcimento.

Para famílias no Brasil que estão sendo aliciadas, os autos dão uma régua concreta do risco: dívidas de até R$ 100 mil por pessoa, patrimônio tomado como garantia, documentos falsos que contaminam qualquer tentativa futura de regularização e crianças expostas a uma rota que atravessa vários países por terra. As duas operações mostram ainda que o patrimônio de quem opera o negócio está sendo bloqueado no Brasil por decisão judicial.

Onde confirmar?

  • Polícia Federal (gov.br) — "PF combate o contrabando de migrantes" (https://www.gov.br/pf/pt-br/assuntos/noticias/2026/09/pf-combate-o-contrabando-de-migrantes)
  • Metrópoles — "PF: homem movimenta R$ 24 milhões enviando brasileiros ilegalmente aos EUA" (https://www.metropoles.com/colunas/mirelle-pinheiro/pf-homem-movimenta-r-24-milhoes-enviando-brasileiros-ilegalmente-aos-eua)
  • Ministério Público Federal — "Operação Siblings: MPF denuncia 12 pessoas por contrabando de migrantes e lavagem de dinheiro" (https://www.mpf.mp.br/o-mpf/unidades/procuradoria-geral-da-republica-pgr/noticias/operacao-siblings-mpf-denuncia-12-pessoas-por-contrabando-de-migrantes-e-lavagem-de-dinheiro)
  • Rádio Itatiaia — "Operação da Polícia Federal em Governador Valadares, em Minas, mira contrabando de migrantes" (https://www.itatiaia.com.br/brasil/sudeste/mg/operacao-da-policia-federal-em-governador-valadares-em-minas-mira-contrabando-de-migrantes/)

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