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Brasil e EUA voltam à mesa sobre o tarifaço, e a sobretaxa de até 37,5% continua valendo

Ministros brasileiros e o representante comercial americano se reuniram por videoconferência na segunda-feira, na primeira conversa direta desde que as tarifas entraram em vigor. Não houve anúncio de redução, e novas reuniões técnicas foram marcadas para as próximas semanas.

Redação Brazuca News 01 de September de 2026, 11:19 3 visualizações
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Brasil e EUA voltam à mesa sobre o tarifaço, e a sobretaxa de até 37,5% continua valendo
Foto: thorl5 / Pexels License

Os ministros Márcio Elias Rosa, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, e Mauro Vieira, das Relações Exteriores, se reuniram por videoconferência às 14h30 de segunda-feira (31), horário de Brasília, com Jamieson Greer, representante comercial dos Estados Unidos. Foi o primeiro contato direto entre as equipes desde que a sobretaxa americana sobre produtos brasileiros passou a valer.

A reunião terminou sem anúncio de redução ou suspensão das tarifas. Os dois governos combinaram reuniões técnicas nas próximas semanas, virtuais ou presenciais, e depois um novo encontro ministerial, em data ainda indefinida, para avaliar o avanço.

Como se chegou até aqui

A retomada foi acertada em telefonema entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, na sexta-feira 21 de agosto. A ligação reabriu o canal entre Brasília e Washington no meio da disputa comercial provocada pelas tarifas impostas pelo governo americano.

Antes disso, o Brasil já havia acionado dois instrumentos. Apresentou consultas na Organização Mundial do Comércio alegando que as medidas são incompatíveis com as regras do organismo, e abriu em 13 de agosto o processo previsto na lei de reciprocidade econômica, com notificação a departamentos do governo americano.

Quais são as duas taxas

A primeira sobretaxa, de 25%, foi imposta em 16 de julho de 2026 com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, segundo o Poder360. É o dispositivo que Washington usa para taxar parceiros cujas práticas comerciais considera lesivas ao comércio americano, e foi contestado pelos ministros brasileiros na videoconferência.

A segunda sobretaxa, de até 12,5%, veio em 24 de julho e foi justificada por supostas falhas do Brasil e de outros países na fiscalização de produtos ligados a trabalho forçado.

Quando as duas incidem sobre o mesmo produto, a conta chega a 37,5%. As medidas valem desde o fim de julho.

As queixas que os EUA colocaram na lista

O governo americano não parou nas práticas comerciais gerais. Segundo o Poder360, a lista de reclamações inclui o Pix, o comércio digital, a propriedade intelectual, o etanol, corrupção e desmatamento.

É um conjunto que mistura tema econômico e tema político, e explica por que a negociação não avança item a item: os dois lados ainda discutem qual é a lista a ser negociada, antes de discutir alíquota.

Quanto da exportação brasileira está sob taxa

As duas medidas da Seção 301 atingem, isolada ou conjuntamente, cerca de 23,1% das exportações brasileiras para o mercado americano, tomando o comércio de 2024 como referência, de acordo com a CNN Brasil. Em 16,5% das exportações, as duas sobretaxas se acumulam e a alíquota vai a 37,5%.

A Agência Brasil calculou o impacto em outra chave: cerca de US$ 6,6 bilhões em exportações brasileiras afetadas.

São duas formas de medir o mesmo problema. A primeira mostra a fatia do que o Brasil vende aos Estados Unidos que passou a pagar taxa extra; a segunda, quanto dinheiro isso representa em um ano de comércio.

O que está na lista de produtos taxados

A sobretaxa alcança ferro e aço, vestuário, calçados, açúcar, etanol, produtos farmacêuticos, maquinário agrícola, máquinas elétricas não ligadas à aviação e uma faixa ampla de manufaturados, segundo a Agência Brasil.

É uma lista que mistura insumo industrial e bem de consumo. Para quem mora nos Estados Unidos e compra produto brasileiro, os itens de prateleira - calçado, roupa, açúcar - são os que aparecem mais rápido no varejo.

O argumento que o Brasil levou à mesa

Os ministros repetiram na videoconferência que as justificativas apresentadas pelo governo americano para as novas tarifas são infundadas e que as taxas são incompatíveis com as regras do comércio multilateral. O governo brasileiro também sustenta que a medida prejudica os dois países.

Diplomatas do Itamaraty reconheceram, no relato das tratativas, a dificuldade de cancelar as tarifas no curto prazo.

O que está aberto e o que o Brasil diz que não negocia

Entre os pontos que podem entrar na conversa técnica estão a redução de alíquotas sobre bens de capital e o etanol. Hoje o Brasil cobra 18% sobre o etanol de milho importado dos Estados Unidos, conforme a CNN Brasil.

Do lado brasileiro, dois temas foram apresentados como não negociáveis: os minerais críticos e o Pix. Ambos aparecem entre as queixas americanas, ao lado de comércio digital, propriedade intelectual, corrupção e desmatamento.

Sem solução à vista antes de outubro

O governo brasileiro não trabalha com a hipótese de resolver a disputa antes das eleições gerais de outubro, segundo o Poder360. Também não há, por enquanto, produto ou alíquota específica identificada para negociação. O que existe é um calendário de reuniões técnicas.

Na prática, a sobretaxa segue valendo enquanto as equipes conversam, e o produto brasileiro que atravessa a alfândega americana continua carregando a taxa.

Onde confirmar

Agência Brasil, sobre a definição da data e o escopo das tarifas; Poder360, sobre o resultado da reunião de 31 de agosto e as datas das sobretaxas; e CNN Brasil, sobre os percentuais de exportação atingidos e os pontos abertos da negociação.

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