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Obra da 16th Street custou US$ 175,6 milhões, e o aditivo de US$ 18 milhões foi pago sem passar pelo conselho

Auditoria do gabinete do auditor de Denver concluiu que a reforma da 16th Street terminou US$ 27,2 milhões acima do contrato original e que o maior aditivo, de US$ 18 milhões, driblou a análise da Câmara Municipal. A causa foi um sistema de drenagem de tijolo do século 19 que não estava em mapa nenhum.

Redação Brazuca News 01 de September de 2026, 11:19 1 visualizações
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Obra da 16th Street custou US$ 175,6 milhões, e o aditivo de US$ 18 milhões foi pago sem passar pelo conselho
Foto: Sergei Starostin / Pexels License

A reforma da 16th Street, a rua mais movimentada do centro de Denver, foi contratada por US$ 149 milhões em março de 2021 e terminou custando cerca de US$ 175,6 milhões. Os 11 aditivos somaram US$ 27,2 milhões, um estouro de cerca de 18% sobre o contrato. A maior parte desse valor nunca foi submetida a voto da Câmara Municipal.

A conclusão está em auditoria do gabinete do auditor Timothy M. O'Brien sobre o projeto tocado pelo Departamento de Transporte e Infraestrutura (DOTI), divulgada em agosto e noticiada pela Denver7 e pela CBS Colorado.

O sistema de drenagem que ninguém tinha no mapa

Em maio de 2022, cerca de um ano depois do início das obras, os operários encontraram sob a rua um sistema de drenagem de tijolo que não constava em documentação alguma. A estrutura foi construída entre 1880 e 1937. A CBS Colorado apurou que a rede de tubulação de tijolo não mapeada da cidade passa de 69 milhas.

A descoberta parou a frente de trabalho e obrigou a redesenhar o cronograma. O resultado foi um atraso de 301 dias e um aditivo de US$ 18 milhões, fechado como acordo entre a cidade e a construtora PCL.

Como o aditivo passou por fora do conselho

A Câmara Municipal só soube do gasto extra depois que o dinheiro já havia sido pago, segundo o relatório. A explicação formal veio da procuradoria da cidade: como a PCL apresentou uma ordem de alteração (change order) e não uma emenda ao contrato, a revisão e a aprovação dos vereadores não eram exigidas.

A auditoria criticou exatamente esse caminho. O relatório questiona se as mudanças não configuraram uma alteração de fundo do contrato, do tipo que deveria voltar ao conselho, e aponta o que classifica como contorno da supervisão dos vereadores por parte do DOTI.

A regra que falta no contrato-padrão da cidade

Há um detalhe estrutural por trás do caso. As especificações-padrão de contrato de construção da prefeitura foram atualizadas pela última vez em 2011 e não trazem mecanismo que converta uma ordem de alteração em emenda contratual quando o valor cresce.

Como o contrato original já ultrapassava US$ 500 mil, a alteração escapou da supervisão do conselho sob as regras vigentes. O aditivo de US$ 18 milhões não violou o texto: o texto é que não previa a situação.

O aviso que ficou na licitação

A auditoria também apontou planejamento insuficiente diante do risco de encontrar redes históricas no subsolo. Uma das três empreiteiras qualificadas chegou a desistir de disputar a obra justamente por causa do risco com as tubulações enterradas.

A cidade seguiu adiante sem investigar a fundo esse risco. Foi esse ponto cego que, meses depois, virou o aditivo milionário e o quase um ano de atraso.

O que a prefeitura respondeu

O DOTI afirmou ter seguido todas as políticas e exigências legais e sustentou que o aditivo tratava de atrasos e de sequenciamento da obra, não de mudança fundamental de escopo. O vice-gerente do departamento, James Potter, disse que a pasta está comprometida em fortalecer a governança de entrega de projetos de capital.

Do lado do conselho, os vereadores Shontel Lewis, que preside o comitê de transporte, e Chris Hinds, vice-presidente do colegiado, avaliaram que a ordem de alteração merecia discussão no comitê e que custo e atraso deveriam ter sido comunicados. A Câmara Municipal, como instituição, declinou de comentar o mérito, alegando não poder opinar sobre decisão que não chegou a analisar.

A PCL Construction destacou a colaboração entre as partes para resolver os desafios encontrados durante a obra.

O comércio da rua ainda sente

A obra durou três anos e meio e foi concluída no fim de 2025, ano em que a via também deixou de se chamar oficialmente 16th Street Mall. Para quem vende ali, a recuperação não veio junto com a reabertura.

Marissa Williams, coproprietária da Rocky Mountain Chocolate Factory na rua, resumiu à CBS Colorado que o movimento oscila muito: há picos e há vales, e os vales são brutalmente baixos. O fluxo de pedestres, segundo ela, ainda não voltou ao que era.

Por que isso importa para quem mora em Denver

A 16th Street é o eixo por onde passa boa parte de quem trabalha, faz compras ou pega transporte no centro da cidade, inclusive a comunidade imigrante empregada no comércio e nos serviços do downtown. O caso mostra em que ponto do processo o contribuinte perde a chance de acompanhar o gasto: não na assinatura do contrato, que é pública e votada, mas no aditivo que vem depois.

A recomendação central da auditoria vai nessa direção: dar ao conselho e ao público visibilidade sobre alterações de contrato de grande porte antes de o pagamento acontecer, e não meses depois.

Onde confirmar

Reportagem da Denver7 sobre a auditoria do gabinete do auditor Timothy M. O'Brien a respeito do projeto da 16th Street; e reportagem da CBS Colorado de 23 de agosto de 2026 sobre a descoberta do dreno histórico, o atraso de 301 dias e as respostas do DOTI, do conselho e da PCL.

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