Entrar
Brazuca News

A informação que conecta brasileiros e latinos nos EUA

Voltar
Local - Denver/CO

Trem da Front Range: eleitor decide em novembro imposto de 33 centavos a cada US$ 100 gastos

O conselho do distrito ferroviário da Front Range votou nesta sexta-feira, em Pueblo, a resolução que leva ao eleitor de Denver e de mais 29 municípios um imposto de vendas de 0,333% e US$ 580 milhões em dívida para pagar o trem Colorado Connector.

Redação Brazuca News 28 de August de 2026, 21:19 1 visualizações
Compartilhar
Trem da Front Range: eleitor decide em novembro imposto de 33 centavos a cada US$ 100 gastos
Foto: tslui / Pexels License

O conselho do Front Range Passenger Rail District colocou em votação às 9h desta sexta-feira, no Transportation Technology Center, em Pueblo, a resolução que leva ao eleitor de Denver e de mais 29 municípios um imposto de vendas de 0,333% para bancar o Colorado Connector — o trem de passageiros planejado para ligar Fort Collins a Pueblo pelo corredor da Interstate 25.

A Resolução 2026-32 pede duas autorizações de uma vez: o imposto sobre vendas e uso, estimado em US$ 295 milhões por ano, e US$ 580 milhões em dívida, cujo custo total de pagamento chega a US$ 785 milhões. Para alcançar a cédula de novembro, o texto precisa de dois terços dos votos do conselho.

Quanto pesa na compra do dia a dia?

A alíquota proposta equivale a cerca de um terço de centavo por dólar gasto, ou 33 centavos a cada US$ 100 de compra sujeita ao imposto. Para efeito de comparação, o Colorado cobra hoje 2,9 centavos por dólar de imposto estadual sobre vendas, segundo o The Colorado Sun.

O valor parece pequeno na etiqueta, mas incide sobre quase tudo o que se compra dentro do distrito e por prazo longo — a arrecadação pagaria construção, operação e manutenção da linha, e a projeção do distrito prevê valores maiores nos anos seguintes.

Quem paga é quem sequer vota.

O distrito reúne 30 municípios, entre eles Pueblo, Colorado Springs, Sterling Ranch, Littleton, Denver, Westminster, Broomfield, Louisville, Boulder, Longmont, Loveland e Fort Collins. O imposto valeria apenas nas comunidades onde estão previstas estações permanentes do Colorado Connector, e não no estado inteiro: quem mora longe de uma estação planejada não paga nem vota na proposta.

O desenho atual saiu da Lei SB26-172, sancionada em 26 de maio deste ano. A norma redefiniu as fronteiras do distrito, deixando de fora cidades como Greeley, Lone Tree, Monument e Castle Rock, e passou a exigir que qualquer pergunta de imposto ou de dívida plurianual seja submetida aos eleitores registrados da área correspondente. O texto teve como patrocinadores principais os senadores Nick Hinrichsen e Cathy Kipp e os deputados estaduais Andrew Boesenecker e Amy Paschal.

A primeira fase já tem dinheiro.

Uma parte do projeto sai do papel independentemente do resultado da urna. O serviço inicial, orçado em US$ 332 milhões, prevê três idas e voltas por dia entre Denver, Boulder e Fort Collins a partir de 2029, com recursos do fundo estadual de inovação em transporte e de verba do RTD que estava reservada para linhas do FasTracks ao norte de Denver nunca construídas. A operação dessa fase custaria de US$ 30 milhões a US$ 36 milhões por ano.

O que o imposto compraria além disso?

O sistema completo é orçado em US$ 2,7 bilhões. Se o eleitor aprovar a cobrança, o distrito projeta levar o trem a todas as estações da linha em até cinco anos, alcançando Littleton, Colorado Springs e Pueblo ao sul. A operação anual do sistema inteiro custaria entre US$ 85 milhões e US$ 116 milhões, e US$ 1,5 bilhão seriam destinados a estações e às necessidades de transporte das cidades que recebem as paradas.

A ambição do distrito não para na fronteira estadual. O gerente-geral, Sal Pace, afirmou que a agência trabalha com um plano de chegar ao Novo México e a Cheyenne, no Wyoming.

Quem andaria nesse trem?

As projeções apresentadas pelo distrito estimam 2.300 viagens por dia no trecho entre Denver e Fort Collins. Só 11% delas seriam a trabalho: a maior fatia é de deslocamentos para entretenimento e eventos esportivos, seguidos por visitas a familiares. A operação ficaria a cargo da Amtrak.

Para o brasileiro que mora na região metropolitana e trabalha em turnos ou sem carro próprio, o ponto prático está no que o trem substitui. Hoje, ir de Denver a Boulder, Longmont ou Fort Collins sem automóvel depende de ônibus regional em horários limitados. Três idas e voltas diárias, na primeira fase, ainda ficam longe de um serviço de alta frequência.

Porque a palavra final é do eleitor.

A Constituição do Colorado obriga a consulta. Pela regra do TABOR, o Taxpayer's Bill of Rights, novos impostos e autorizações de dívida só valem depois de aprovados nas urnas. A lei estadual acrescenta outra trava: antes de levar a pergunta ao eleitor, o distrito precisa certificar que fez todo esforço razoável para obter recursos federais, estaduais ou de autoridade de finalidade específica.

O que vem a seguir

Aprovada a resolução pelo conselho, a disputa deixa a fase de planejamento e vira campanha eleitoral até a votação de novembro. Se o eleitor disser sim, a cobrança financia a expansão para o sul e a operação do sistema. Se disser não, resta o serviço inicial já financiado entre Denver, Boulder e Fort Collins, previsto para 2029.

Quem mora em um dos 30 municípios do distrito verá a pergunta na cédula de novembro e deve encontrá-la também no folheto oficial de informações ao eleitor, o aviso exigido pela Constituição estadual antes de qualquer votação sobre imposto.

Comentários

Faça login para comentar

Entrar

Seja o primeiro a comentar!