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Lula e Trump conversam por 1h20 e reabrem a negociação sobre a tarifa de 25% que atinge o Brasil

O telefonema de sexta-feira (21) destravou o retorno das equipes à mesa. A sobretaxa aberta pela Seção 301 vale desde 15 de julho e deixou de fora café, carne bovina e frutas.

Redação Brazuca News 23 de August de 2026, 11:15 2 visualizações
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Lula e Trump conversam por 1h20 e reabrem a negociação sobre a tarifa de 25% que atinge o Brasil
Foto: Bilal Ahmed / Pexels License

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva ligou para o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na sexta-feira (21) para tratar das tarifas americanas sobre produtos brasileiros. A conversa durou 1 hora e 20 minutos, em tom “amistoso e cordial”, segundo o Palácio do Planalto, e terminou com o compromisso de recolocar as equipes dos dois governos na mesa de negociação, informou a Agência Brasil.

Lula disse a Trump que as tarifas resultantes das investigações do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR, “são infundadas” e prejudicam as duas economias. Trump concordou em preservar os laços comerciais e propôs que as equipes voltem a se reunir o quanto antes, de acordo com o relato do Planalto reproduzido pela Exame.

O que ficou combinado

A reunião entre os negociadores deve ocorrer na próxima semana, com data ainda a confirmar, segundo a Agência Brasil. Pelo lado brasileiro, a negociação fica com o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, representado por Márcio Elias Rosa, ao lado do Itamaraty. Pelo lado americano, o interlocutor é o USTR, comandado pelo embaixador Jamieson Greer.

A tarifa de 25% é o que ficou de fora.

A sobretaxa foi imposta com base na Seção 301 da lei de comércio de 1974, mecanismo que permite aos Estados Unidos retaliar práticas que Washington considere injustas. A alíquota de 25% passou a valer em 15 de julho de 2026, conforme a Gazeta do Povo.

Nem tudo entrou na conta. A CNN Brasil listou as exceções apresentadas pelo USTR: carne bovina, café, algumas frutas e castanhas, especiarias, petróleo e minérios metálicos ficaram fora da sobretaxa — justamente a lista que sustenta boa parte do que os mercados brasileiros nos Estados Unidos vendem na prateleira e no balcão.

O InfoMoney calcula que a sobretaxa de 25% recai sobre produtos que somaram cerca de US$ 5,8 bilhões em exportações brasileiras em 2025, e que um adicional de 12,5% atinge setores como madeira, móveis, máquinas, calçados, cerâmica e açúcar.

Os pontos que os EUA colocaram na mesa

A investigação do USTR reuniu frentes distintas de queixa: desmatamento ilegal, acordos tarifários preferenciais que o governo americano considera desvantajosos, propriedade intelectual, combate à corrupção, acesso ao mercado de etanol, comércio digital e serviços de pagamento eletrônico, além de importações associadas a trabalho forçado. A lista aparece nos relatos da Agência Brasil e da Gazeta do Povo.

O item mais citado nos documentos americanos é o Pix. O USTR sustenta que o arranjo brasileiro prejudica empresas americanas de pagamento eletrônico e questiona o papel duplo do Banco Central, que regula o sistema e, ao mesmo tempo, o opera.

A Lei da Reciprocidade segue engatilhada.

O Brasil abriu formalmente um procedimento com base na Lei da Reciprocidade Econômica, que autoriza o governo a preparar contramedidas comerciais. O processo ainda está em análise e pode ser interrompido se a negociação avançar, registraram a Agência Brasil e o InfoMoney. É a carta que Brasília mantém sobre a mesa enquanto conversa.

Crime organizado e Ucrânia entraram na conversa.

Além do comércio, os dois presidentes falaram sobre segurança. Lula propôs ampliar a cooperação contra o crime organizado, mas manteve a recusa em classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas, argumentando que a legislação brasileira já dá as ferramentas necessárias. Ele citou a estratégia de asfixiar financeiramente as facções, com cerca de R$ 17 bilhões em ativos bloqueados, e o plano de transformar 138 presídios em unidades de segurança máxima, segundo a Exame e o InfoMoney.

Os dois também trataram da guerra entre Rússia e Ucrânia e defenderam uma solução negociada. Lula criticou a paralisia do Conselho de Segurança da ONU e propôs uma reunião extraordinária para tratar das crises em curso.

O que isso muda para quem vive nos EUA?

Para o consumidor brasileiro nos Estados Unidos, o efeito da tarifa aparece de forma desigual. Café e carne bovina, dois itens de peso na mesa da comunidade, ficaram fora da sobretaxa. Já produtos como calçados, móveis, cerâmica e açúcar estão na faixa taxada, e o custo extra tende a aparecer no preço final ou na redução da variedade que chega às lojas de produtos brasileiros.

Para quem importa em pequena escala — dono de mercadinho, distribuidor, importador de bebidas e doces —, a reabertura da negociação significa que a alíquota atual não está congelada. Nada muda, porém, até que as equipes se reúnam e anunciem um resultado.

O que vem a seguir

O próximo marco é a reunião entre os negociadores dos dois países, prevista para esta semana e ainda sem data confirmada. Enquanto isso, a tarifa de 25% continua valendo, e o procedimento brasileiro de reciprocidade segue aberto, sem contramedidas anunciadas.

Onde confirmar?

  • Agência Brasil — “Ministros do Brasil e EUA vão retomar negociação comercial” (21/08/2026).
  • Exame — “Lula liga para Trump e afirma que tarifas contra o Brasil são infundadas” (21/08/2026).
  • InfoMoney — “Lula liga para Trump, contesta tarifaço e acerta retomada de negociações com os EUA” (21/08/2026).
  • CNN Brasil — “Escritório Comercial dos EUA propõe taxar em 25% importações brasileiras”
  • Gazeta do Povo — “Tarifa EUA-Brasil: entenda a opção de Trump e a Seção 301”

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