O dólar entrou na última semana antes do primeiro turno da eleição presidencial, marcado para domingo, 4 de outubro, cotado a R$ 5,18. A moeda americana fechou a sexta-feira, 25 de setembro, em R$ 5,1834 no mercado à vista, com queda de 0,19% no dia, alta de 0,74% na semana e recuo de 5,57% no acumulado do ano, segundo a InfoMoney. A cotação oficial PTAX de venda, usada como referência em contratos e por casas de câmbio, ficou em R$ 5,1991, contra R$ 5,5024 no último dia útil de 2025, de acordo com o Banco Central.
A conta interessa a quem mora nos Estados Unidos e manda dinheiro para o Brasil. Um envio de US$ 1.000 pela cotação de sexta rende cerca de R$ 5.183 do outro lado. Os cenários que os grandes bancos publicaram na última semana mostram que esse valor pode variar em mais de R$ 1.300 conforme o que acontecer depois da urna.
Goldman Sachs: de R$ 4,50 a R$ 5,80
O relatório mais comentado é o do Goldman Sachs, assinado pela estrategista sênior de moedas Teresa Alves e divulgado na quarta-feira, 24. Segundo o Money Times, o banco calcula que o real carrega hoje um prêmio de desconfiança fiscal de 5,3%. Se o mercado enxergar compromisso com o ajuste das contas públicas depois da eleição, esse prêmio desaparece e o dólar pode cair a R$ 4,80, chegando a R$ 4,50 se o ambiente externo também ajudar.
No sentido oposto, sem ajuste fiscal, o banco vê o prêmio voltando ao patamar de dezembro de 2024 e o dólar em cerca de R$ 5,80, uma depreciação de 14%. O cenário intermediário, com o prêmio de setembro de 2024, dá R$ 5,40. "Pensamos que mudanças na política após a eleição, e não o resultado em si, podem levar o BRL a esses diferentes níveis", escreveu Alves, em trecho reproduzido pelo Money Times.
O site Seu Dinheiro, que também leu o relatório, acrescenta o tamanho do problema: o prêmio de desconfiança chegou a cerca de 19% em dezembro de 2024, e o déficit nominal do governo passa de 9% do PIB, o maior em 25 anos.
Itaú aposta em R$ 5,30 no fim do ano
O Itaú, maior banco privado do país, atualizou seu cenário entre os dias 25 e 27 e projeta o dólar a R$ 5,30 no fim de 2026 e a R$ 5,50 no fim de 2027, segundo a Forbes Brasil. O banco cortou a previsão de crescimento do PIB deste ano de 1,9% para 1,7%, vê a inflação oficial em 5,1% em 2026 e a taxa Selic parada em 13,75% até dezembro, com queda a 12,50% no fim de 2027. A dívida pública chegaria a 87,4% do PIB no fim de 2027.
"Mais adiante, a necessidade de um ajuste fiscal relevante para a estabilização da dívida pública segue como uma constante", diz o relatório do banco, citado pela Forbes. O economista-chefe do Itaú, Diogo Guillen, disse à Agência Estado que o real teve desempenho melhor em setembro, mas que "o cenário internacional segue sendo fator de pressão".
Mercado vê R$ 5,20 em dezembro
O boletim Focus, pesquisa semanal do Banco Central com mais de cem instituições, mostra na última rodada disponível, com dados de 18 de setembro, mediana de R$ 5,20 para o dólar no fim de 2026 e de R$ 5,275 para o fim de 2027. Entre as instituições que atualizaram suas projeções nos cinco dias úteis anteriores, a mediana para este ano era um pouco mais baixa, R$ 5,16. A rodada desta segunda-feira ainda não constava na base oficial no momento desta apuração.
Marcelo Fonseca, economista-chefe da gestora CVPAR, deu à Agência Estado uma faixa ainda mais larga: o dólar pode chegar a R$ 6,00 em um cenário desafiador ou ficar abaixo de R$ 5,00 em um contexto benigno. "Nos últimos dias, houve um movimento de alta do dólar no mundo", observou.
Por que o dólar subiu na semana
A pressão da semana passada veio de fora e de dentro. Nos Estados Unidos, indicadores fortes e discurso duro do Federal Reserve empurraram os juros dos títulos do Tesouro para cima, e o índice do dólar frente às principais moedas fechou a semana com ganho de cerca de 0,80%, acumulando alta superior a 1,50% em setembro, segundo a Agência Estado. Investidores seguem posicionados para nova alta de juros americanos em outubro, relata a InfoMoney.
No Brasil, o IPCA-15 de setembro, prévia da inflação oficial, subiu 0,70%, acima da previsão de 0,53%, e acumula 4,47% em 12 meses. A Agência Estado lembra ainda que o fim de trimestre costuma trazer sazonalidade ruim para o real.
Gestores falam em seguro
Entre os gestores brasileiros, o tom é de proteção. Luis Stuhlberger, da Verde Asset, disse em evento da Monte Bravo no dia 24 que mantém parte do patrimônio em dólar como seguro contra um cenário extremo. "Se tiver uma crise em que o governo diminua o juro na marra, fique desesperado e te impeça de comprar dólar, jogue o IOF em 10%. São situações em que vale ter um seguro", afirmou, segundo o Seu Dinheiro. Ele recomenda de 30% a 50% do patrimônio no exterior.
A InfoMoney ouviu outros especialistas na sexta-feira, 26, e o recado foi parecido. "O investidor não se protege do cenário médio, se protege do cenário ruim", disse Ricardo Trevisan, presidente da Gravus Capital. A TAG Investimentos recomenda um mínimo de 30% em dólar. A mesma reportagem calcula que, para igualar o retorno da renda fixa brasileira, o dólar precisaria subir cerca de 10% em 12 meses.
Quanto vale cada cenário para quem remete
Aplicados a uma remessa de US$ 1.000, e sem contar taxas e spread da casa de câmbio, os números publicados na semana dão a seguinte régua:
- cotação de sexta-feira, 25: cerca de R$ 5.183;
- cenário otimista do Goldman Sachs: R$ 4.500;
- projeção do Itaú para o fim de 2026: R$ 5.300;
- cenário pessimista do Goldman Sachs: R$ 5.800.
Para quem faz o caminho inverso, convertendo aposentadoria ou aluguel recebido em reais para pagar contas em dólar, a lógica se inverte: o cenário que favorece quem envia é o que prejudica quem recebe.
O que vem a seguir
A semana tem o boletim Focus desta segunda-feira, dados de inflação e de emprego nos Estados Unidos e, no domingo, 4 de outubro, o primeiro turno. Se nenhum candidato alcançar maioria, o segundo turno é em 25 de outubro. Pela leitura dos bancos, o câmbio vai reagir menos ao nome do eleito e mais aos primeiros sinais sobre as contas públicas.
Onde confirmar
- InfoMoney · Dólar hoje fecha a R$ 5,18, com eleição, exterior e IPCA-15 no foco (25/09/2026)
- Money Times · O que precisa acontecer para o dólar cair a R$ 4,50, ou subir a R$ 5,80, segundo o Goldman Sachs (24/09/2026)
- Forbes Brasil · O Que Mudou nas Projeções Econômicas do Itaú para 2026 e 2027 (27/09/2026)
- O Povo / Agência Estado · Dólar recua no dia a R$ 5,18 com exterior, mas avança 1,10% na semana (25/09/2026)
- Seu Dinheiro · Luis Stuhlberger está fazendo seguro em dólar e você também deveria (27/09/2026)
- Banco Central do Brasil · Cotação PTAX e boletim Focus, APIs oficiais (consultadas em 28/09/2026)
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