O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi reeleito neste domingo (25) com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% do senador Flávio Bolsonaro (PL). Com 100% das seções apuradas, Lula somou 64.256.232 votos e Flávio, 59.826.041, uma diferença de 4.430.191 votos, segundo os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reunidos pela Bloomberg Línea. Será o quarto mandato de Lula na Presidência.
Flávio disse na noite de domingo que não reconhece o resultado e que vai pedir a anulação da eleição. O presidente do TSE, ministro Kassio Nunes Marques, afirmou ter "absoluta segurança de todo o processo eleitoral". Entre os brasileiros que votaram nos Estados Unidos, o placar foi o inverso do nacional: Flávio teve 62,65% dos válidos, e dois em cada três eleitores aptos não foram às urnas, segundo a CNN Brasil.
O resultado nacional é uma virada. Flávio terminou o 1º turno, em 4 de outubro, na frente. Segundo o Poder360, Lula se tornou o primeiro candidato a vencer um 2º turno presidencial depois de terminar a primeira votação atrás do adversário no atual período democrático. Ele recebeu mais de 10,3 milhões de votos a mais do que no 1º turno.
A participação também cresceu. Compareceram 128,2 milhões de eleitores, o equivalente a 80,8% dos 158,7 milhões aptos, de acordo com a Bloomberg Línea. A abstenção caiu de 21,08% no 1º turno para 19,21%, segundo o Poder360 e a Agência Senado. Lula ficou à frente em 13 estados, e Flávio venceu em outros 13 e no Distrito Federal.
Flávio contesta a prorrogação; TSE defende a apuração
O principal alvo das críticas de Flávio é a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), que adiou o fechamento das urnas das 17h para as 19h (horário de Brasília). Segundo o InfoMoney, Zanin atendeu a um pedido da campanha de Lula, motivado por dificuldades no transporte de eleitores. A campanha de Flávio também havia pedido à Justiça Eleitoral a prorrogação da votação em municípios de São Paulo, do Paraná e de Santa Catarina, alegando problemas de deslocamento provocados pelas chuvas.
"É impossível reconhecer o resultado dessa eleição no contexto em que essas coisas aconteceram", declarou Flávio. "Vamos pedir a anulação dessas eleições." O senador questionou o fato de a decisão ter partido de Zanin, que foi advogado de Lula antes de chegar ao Supremo, e afirmou: "Nossos fiscais do PL foram retirados de dentro da sala-cofre a partir do momento que essa eleição foi tomada." Segundo a Agência Senado, ele também disse que o que aconteceu no domingo "foi algo inaceitável". O InfoMoney registra que as acusações ainda não foram comprovadas.
Nunes Marques falou na sede do tribunal, em Brasília, sem responder a perguntas. "O TSE cumpriu a decisão nos estritos termos em que ela foi proferida", disse, segundo texto do Estadão Conteúdo publicado pelo InfoMoney. "Não houve nenhuma alteração advinda da decisão judicial." Em nota, o tribunal afirmou que a sala-cofre não é aberta à visitação e que dois representantes do PL acompanharam a totalização dos votos na Sala de Totalização. O TSE diz ter registros de presença e imagens desses fiscais, de acordo com o Poder360.
Os presidentes do Senado, Davi Alcolumbre, e da Câmara, Hugo Motta, reconheceram a vitória de Lula. "O presidente terá uma grande missão: unir o Brasil, pacificar o Brasil", disse Alcolumbre, segundo o SBT News. Motta elogiou a segurança do processo eleitoral e "a rapidez da apuração".
Lula promete governar também para quem votou contra ele
No primeiro pronunciamento depois da confirmação, Lula tratou a disputa como encerrada. "Na medida que a gente ganha as eleições, a gente não tem mais adversário", afirmou, segundo o Poder360. De acordo com a Agência Senado, ele disse que "ninguém é obrigado a gostar do presidente eleito, mas ele foi eleito para governar para todos". Sobre a relação com o Congresso eleito, declarou: "Eu não escolhi o Congresso; foi o povo que escolheu, e é com ele que eu vou trabalhar."
Como votaram os brasileiros nos EUA
Os Estados Unidos têm o maior eleitorado brasileiro no exterior, com 265.047 eleitores aptos. No domingo, 87.407 foram às urnas (32,98%) e 177.640 não votaram, segundo a correspondente da CNN Brasil em Nova York, Priscila Yazbek. A abstenção de 67,02% ficou 4,53 pontos abaixo da registrada no 1º turno, mas 5,58 pontos acima dos 61,44% do 2º turno de 2022.
Flávio recebeu 53.718 votos no país, e Lula, 32.023, uma diferença de 21.695 votos. Entre os dois turnos, os candidatos ganharam praticamente o mesmo número de eleitores nos EUA: Flávio teve 8.714 votos a mais, e Lula, 8.688. Nos válidos, Flávio passou de 61,10% para 62,65%, e Lula, de 31,68% para 37,35%. Em 2022, Jair Bolsonaro havia vencido nos EUA com 65,39%, contra 34,61% de Lula.
A votação no país é dividida em 11 jurisdições consulares, e o mapa ficou partido. Flávio venceu em seis: Orlando, com 81,01% dos válidos, Miami (76,64%), Boston (71,58%), Atlanta (70,13%), Hartford (65,45%) e Houston (63,10%). Boston deu a ele a maior votação absoluta, com 13.605 votos. Lula liderou em cinco: San Francisco (65,18%), Chicago (63,84%), Washington (57,56%), Los Angeles (55,03%) e Nova York (52,40%), onde teve 6.307 votos, o maior número dele no país.
No conjunto do exterior, o resultado foi outro. Lula teve 53,86% dos válidos (200.154 votos) e Flávio, 46,14% (171.497), segundo a CNN Brasil. Compareceram 381.443 eleitores, 41,63% do eleitorado fora do Brasil, e a abstenção caiu de 62,69% no 1º turno para 58,37%. Lula foi o mais votado em 62 países, e Flávio, em 39.
A reação nos Estados Unidos
O presidente Donald Trump não havia comentado o resultado até o início da manhã desta segunda-feira (26), segundo a revista Time. No domingo, ele disse que acompanhava a eleição e não declarou apoio a nenhum dos candidatos, de acordo com a Associated Press.
Donald Trump Jr., filho do presidente, criticou a prorrogação da votação. "Se um governo conservador no Brasil fizesse isso, todo mundo na grande imprensa dos EUA perderia a cabeça", escreveu, segundo a Al Jazeera (em tradução livre). O deputado democrata Ro Khanna afirmou que Trump "precisa respeitar os resultados", e o senador Bernie Sanders parabenizou Lula. A presidente do México, Claudia Sheinbaum, e o primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, também cumprimentaram o presidente reeleito.
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), que vive nos Estados Unidos desde 2025, divulgou nesta segunda um vídeo em inglês em que pede a estrangeiros que não reconheçam o resultado. "Esta é uma mensagem para vocês: não reconheçam estas eleições, porque ainda mais fatos estão surgindo agora", disse, na tradução do Poder360. Segundo o site, ele afirmou que houve fraude sem apresentar provas.
O que vem a seguir
Pelo calendário eleitoral, 18 de dezembro é a data limite para a diplomação dos eleitos, segundo o Diário do Nordeste. A posse de Lula está marcada para 5 de janeiro de 2027, em sessão do Congresso Nacional, data definida pela Emenda Constitucional 111, de 2021, de acordo com o InfoMoney. Como houve reeleição, as regras de transição entre governos previstas na Lei 10.609, de 2002, não se aplicam. Flávio disse que levará o pedido de anulação ao TSE.
Para o eleitor que mora nos EUA e não votou no domingo, o prazo para justificar a ausência no 2º turno vai até 8 de janeiro de 2027, segundo o Times Brasil. O pedido pode ser feito pela internet, no aplicativo e-Título ou no Sistema Justifica. Para quem faltou ao 1º turno, o prazo termina em 3 de dezembro.
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