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Abstenção de brasileiros nos EUA chega a 71,55% no 1º turno; quem faltou tem até 3 de dezembro para justificar

Dos cerca de 265 mil eleitores cadastrados nos EUA, só 75.389 votaram em 4 de outubro, e Nova York saltou de 59,49% para 73,98% de abstenção. O voto no 2º turno, em 25 de outubro, continua obrigatório, e a falta sem justificativa pode travar o passaporte.

Redação Brazuca News 11 de outubro de 2026, 16:32 2 visualizações
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Abstenção de brasileiros nos EUA chega a 71,55% no 1º turno; quem faltou tem até 3 de dezembro para justificar
Foto: Edmond Dantès / Pexels License

Os Estados Unidos reúnem o maior eleitorado brasileiro fora do país, e no 1º turno de domingo, 4 de outubro, a maior parte dele não foi às urnas: a abstenção chegou a 71,55%, segundo levantamento da CNN Brasil com dados do TSE. Para quem tem título no exterior e faltou, ficam duas tarefas: justificar a ausência até 3 de dezembro e se organizar para o 2º turno, no domingo 25 de outubro, quando o voto segue obrigatório.

Dos 265.022 eleitores cadastrados nas 11 jurisdições consulares dos EUA, 75.389 votaram e 189.633 não compareceram, de acordo com a CNN Brasil. No 1º turno de 2022, a abstenção no país tinha ficado em 63,36%. A alta foi de 8,19 pontos percentuais.

Como votaram os brasileiros nos EUA

Entre os que votaram, Flávio Bolsonaro (PL) teve 45.004 votos e Luiz Inácio Lula da Silva (PT), 23.335, segundo o Poder360. A vantagem de 21.669 votos fez dos EUA o país onde o senador teve sua maior votação fora do Brasil. O Japão veio em seguida para Flávio, com 24.601 votos.

No conjunto do exterior, o resultado se inverteu. Com 100% das urnas apuradas, Lula somou 157.387 votos (47,57% dos válidos) e Flávio, 143.900 (43,49%), segundo os números do TSE publicados pelo Metrópoles. O petista liderou em 64 dos 102 países com votação e o senador em 37, contando três territórios (Taiwan, Guiana Francesa e Hong Kong), de acordo com o Poder360, que registrou ainda um empate, em Guiné-Bissau. Em Portugal, segundo maior eleitorado brasileiro fora do país, Lula teve 26.401 votos e Flávio, 19.412.

Somados os votos do Brasil e do exterior, a disputa foi para o 2º turno: com 99,99% das seções totalizadas, Flávio tinha 47,03% dos votos e Lula, 45,16%, segundo o Metrópoles.

Onde a ausência foi maior

Hartford, em Connecticut, teve a maior taxa de abstenção entre as jurisdições americanas, com 78,75%. Chicago (77,68%) e San Francisco (74,85%) aparecem na sequência, segundo a CNN Brasil. Em números absolutos, Boston concentrou o maior contingente de faltosos: 36.968 eleitores.

O salto mais forte foi em Nova York. A abstenção passou de 59,49% em 2022 para 73,98% neste ano, alta de 14,49 pontos. Dos 38.953 eleitores cadastrados na jurisdição, 10.134 votaram e 28.819 não apareceram.

Além dessas cinco cidades, os EUA tiveram seções nas jurisdições de Atlanta, Houston, Los Angeles, Miami, Orlando e Washington.

O fenômeno se repetiu fora dos EUA em escala menor. Dos 916.534 brasileiros aptos a votar no exterior, 341.766 compareceram (37,31%) e 574.345 se abstiveram, segundo a CNN Brasil.

Medo do ICE e local mais distante

A CNN Brasil relaciona o aumento da abstenção nos EUA ao receio de brasileiros em situação migratória irregular de encontrar agentes do ICE, a polícia de imigração americana, durante a votação. Antes do encerramento das urnas, o cônsul-geral do Brasil em Nova York, embaixador Adalnio Ganem, já previa esse efeito.

“Creio que há uma certa preocupação da população brasileira com segurança, sobretudo os não documentados, então pode ser que haja uma quebra maior, uma abstenção maior”, afirmou Ganem à CNN Brasil.

Segundo fontes do governo citadas pela CNN Brasil, associações de brasileiros procuraram consulados em todo o país antes da eleição para relatar o temor da comunidade e perguntar sobre possíveis ações do ICE nos locais de votação. Em Nova York, brasileiros apontaram também a distância como obstáculo: neste ano, a votação saiu de Manhattan e foi para um campus universitário no Queens.

O que fazer se você faltou no 1º turno

A falta de 4 de outubro não impede o voto em 25 de outubro. O TSE informa que cada turno conta como uma eleição separada e que quem não votou no 1º pode votar normalmente no 2º.

A justificativa precisa ser feita à parte. Pelo calendário do TSE, quem faltou no 1º turno tem até 3 de dezembro de 2026. Quem também faltar no 2º turno terá de apresentar um novo pedido, até 8 de janeiro de 2027.

  • Pelo celular: no aplicativo e-Título, na opção “Justificar ausência”.
  • Pelo computador: no Autoatendimento Eleitoral (Título Net), no portal do TSE, com a mesma opção.
  • Sem justificativa aceita: a regularização passa pelo pagamento da multa de R$ 3,51 por turno, segundo o TSE.

O TSE esclarece que quem tem título na Zona Eleitoral do Exterior só precisa justificar ausência nas eleições para presidente, as únicas em que vota fora do país. Essa zona, identificada pela sigla ZZ e vinculada ao TRE do Distrito Federal, é a estrutura que recebe as justificativas desse eleitorado, de acordo com o Metrópoles.

Quem tem título registrado no Brasil e estava nos EUA no dia da votação também justifica pelo e-Título ou pelo Título Net. Outra opção, segundo o TSE, é procurar qualquer cartório eleitoral em até 30 dias após voltar ao Brasil, com um documento que comprove a ausência.

Enquanto não vota, não justifica nem paga a multa, o eleitor fica impedido de obter passaporte ou carteira de identidade, segundo reportagem da BBC News Brasil. A exceção, de acordo com a BBC, é quem mora no exterior e precisa de um novo passaporte para voltar ao Brasil. A mesma pendência impede a posse em cargo público, a participação em concurso público e a renovação de matrícula em escola ou universidade pública.

Há ainda o risco ao próprio título. O TSE alerta que a ausência a três eleições consecutivas, sem justificativa nem pagamento das multas, pode levar ao cancelamento da inscrição eleitoral. Como cada turno conta como uma eleição, faltar em 4 e em 25 de outubro já soma duas ausências.

Como vai ser o 2º turno

O processo de votação no exterior no 2º turno é o mesmo do 1º, segundo a CNN Brasil. O voto é obrigatório para alfabetizados de 18 a 70 anos com domicílio eleitoral no exterior e facultativo para jovens de 16 e 17 anos, maiores de 70 e não alfabetizados. No 1º turno, as seções funcionaram das 8h às 17h no horário local, de acordo com o Poder360.

Os locais das seções no exterior são divulgados pelo TRE-DF e ficam, na maioria, em consulados e embaixadas, mas também podem funcionar em hotéis e escolas, segundo a CNN Brasil. Só vota fora do país quem tem o título vinculado à Zona Eleitoral do Exterior: o prazo para transferir o domicílio eleitoral para esta eleição terminou em 6 de maio. Quem tem título no Brasil e estiver viajando pelos EUA em 25 de outubro não pode usar uma seção brasileira instalada aqui, porque não existe voto em trânsito internacional.

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