Darline Graham venceu na terça-feira (25) o segundo turno da prévia republicana para o Senado na Carolina do Sul, com 52,5% dos votos contra o deputado federal Ralph Norman. Ela disputará em 3 de novembro a vaga que ocupa desde julho.
A cadeira ficou vaga com a morte do senador Lindsey Graham, em 11 de julho, por parada cardíaca. Dois dias depois, o governador Henry McMaster nomeou Darline Graham, irmã do senador, para o cargo. Ela tomou posse em 14 de julho e tornou-se a primeira mulher a representar a Carolina do Sul no Senado.
Uma sucessão fora do roteiro.
O caso da Carolina do Sul tem uma particularidade que confunde até eleitor experiente. Lindsey Graham havia vencido a prévia republicana comum, em 9 de junho, e morreu antes da eleição geral. Foi preciso montar uma prévia especial, realizada em 11 de agosto, na qual nenhum candidato alcançou a maioria.
Daí o segundo turno de terça-feira, entre Darline Graham e Ralph Norman, deputado pelo 5º distrito do estado.
Do lado democrata, a indicada é Annie Andrews, que venceu a prévia com 61,5% dos votos sobre Brandon Brown, ex-administrador do Paine College.
Geórgia decidiu uma vaga na Câmara
No mesmo dia, o 13º distrito da Geórgia escolheu quem completa o mandato do deputado David Scott, morto em 22 de abril, aos 80 anos. Ele representava o distrito desde 2002 e buscava o 13º mandato consecutivo.
Everton Blair, ex-presidente do conselho escolar do condado de Gwinnett, venceu com 9.891 votos, ou 53,9%, contra 8.443 votos de Marcye Scott, filha do falecido deputado.
O primeiro turno, em 28 de julho, tinha invertido a ordem: Marcye Scott ficou em primeiro, com 46,1%, e Blair em segundo, com 37,4%. O republicano Caesar Gonzales teve 8,7%. Pela lei da Geórgia, quando ninguém alcança a maioria, os dois mais votados vão ao segundo turno, independentemente de partido — foi por isso que a disputa final ficou entre dois democratas.
Quem vence uma eleição especial assume apenas os meses restantes do mandato, e não um mandato completo de dois anos.
Números pequenos, efeito real
Chama atenção a participação. No primeiro turno da Geórgia, a soma dos votos dos três candidatos ficou em pouco mais de 20 mil, num distrito com cerca de 584 mil eleitores registrados, segundo o levantamento consultado. No segundo turno, os dois candidatos somaram cerca de 18,3 mil votos.
É o padrão de eleição fora do calendário: comparecimento baixo e resultado decidido por uma fatia pequena do eleitorado. O efeito, porém, é integral — a cadeira vale o mesmo na hora de votar no plenário.
Por que isso interessa a quem se naturalizou
Estas disputas ajudam a explicar três coisas que aparecem na cédula americana e não têm equivalente direto no sistema brasileiro.
A primeira é a nomeação. Quando um senador morre ou renuncia, a maioria dos estados permite que o governador nomeie um substituto até a próxima eleição — foi o que aconteceu na Carolina do Sul. Não há eleição imediata.
A segunda é a prévia partidária. Antes da eleição geral, cada partido escolhe seu candidato em votação própria, e em vários estados só quem está registrado naquele partido pode votar nessa etapa. Quem se registra como independente costuma ficar de fora.
A terceira é o segundo turno. Ele não existe em toda parte nem para todo cargo: é regra estadual. Na Geórgia, vale inclusive entre candidatos do mesmo partido.
O calendário até novembro
A eleição geral é em 3 de novembro. Na Carolina do Sul, a disputa pelo Senado colocará Darline Graham contra Annie Andrews. Na Geórgia, o novo deputado assume a vaga aberta pela morte de David Scott pelo tempo que resta do mandato.
Para quem vota em Colorado ou em Washington, o efeito prático dessas corridas é indireto: elas mexem na composição do Congresso, que decide orçamento, imigração e saúde. O passo local continua o mesmo — conferir o registro eleitoral e o endereço cadastrado no site da secretaria de Estado antes de as cédulas serem despachadas.
Como fica a disputa da Carolina do Sul?
A eleição geral de 3 de novembro colocará Darline Graham, hoje senadora nomeada, contra a democrata Annie Andrews. Quem vencer completa o mandato que estava em curso.
A sequência de etapas do estado neste ano — prévia comum em junho, morte do titular em julho, nomeação da irmã dois dias depois, prévia especial em agosto e segundo turno duas semanas depois — é um caso raro de quantas engrenagens o sistema americano aciona para preencher uma cadeira antes da data marcada.
Vale registrar o que a nomeação não é: um mandato definitivo. O governador preenche o assento em caráter provisório e o eleitorado decide na urna seguinte, que neste caso é a de novembro.
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