A Comissão Federal de Comércio (FTC) anunciou nesta terça-feira um acordo de US$ 12 milhões com a Humboldt Merchant Services, empresa que processa pagamentos de cartão. A acusação é de que a companhia sabia que estava abrindo caminho para golpes — e abriu assim mesmo.
Segundo a FTC, a Humboldt processou pagamentos para mais de mil comerciantes que eram empresas de fachada, criadas para servir de disfarce a operações fraudulentas de cobrança não autorizada. Entre elas estava a Legion Media, esquema que a própria FTC derrubou em 2024.
Por que uma processadora importa nessa história?
Golpe de cobrança não autorizada só funciona se alguém aceitar rodar o dinheiro. O golpista precisa de uma conta de comerciante para conseguir passar cartão. A processadora é justamente quem abre essa porta — e quem deveria fechá-la quando os sinais aparecem.
E os sinais apareceram. A FTC afirma que os comerciantes atendidos pela Humboldt tinham taxa de contestação de cobrança (chargeback) quase dez vezes acima do limite considerado aceitável no setor. Chargeback alto é a definição operacional de “os clientes estão dizendo que não autorizaram isso”.
Em vez de cortar, segundo a acusação, a empresa fez o contrário: distribuiu as contas suspeitas entre faixas de identificação bancária (os BINs) classificadas como de menor risco, uma manobra que aumenta a chance de a transação passar sem disparar os sistemas antifraude.
“A Humboldt estava processando pagamentos para empresas, apesar de sinais de alerta indicando que elas estavam aplicando golpes em consumidores”, afirmou Katherine White, diretora adjunta do Escritório de Proteção ao Consumidor da FTC.
O que o acordo determina
Além dos US$ 12 milhões destinados a ressarcimento de consumidores, a ordem, apresentada na Corte Distrital Federal do Distrito Leste de Michigan, proíbe permanentemente a empresa de:
- Praticar ou facilitar lavagem de cartão de crédito;
- processar pagamentos para empresas de fachada, para comerciantes na lista MATCH da Mastercard, para alvos de ação de autoridades e para lojas online cujo único endereço seja uma caixa postal de terceiros;
- prestar informação falsa para obter processamento de pagamento;
- Ajudar a driblar sistemas de monitoramento de fraude e risco.
Em resposta, a Humboldt afirmou que a conduta questionada ocorreu principalmente entre 2021 e 2023, sob gestão anterior, e que não fez qualquer admissão de irregularidade, tendo cooperado com a investigação.
O que fazer no seu cartão
Cobrança não autorizada raramente aparece como um valor alto e óbvio. O padrão é o oposto: valores pequenos, nome de empresa que você não reconhece, repetidos todo mês. É o tipo de coisa que passa despercebida por meses em quem não confere a fatura linha a linha.
Três providências práticas. Primeira: confira a fatura do cartão e o extrato do banco todo mês, inclusive as cobranças pequenas. Segunda: se aparecer algo que você não reconhece, conteste com o banco ou a operadora do cartão — é esse pedido de contestação que gera o chargeback e, no agregado, o rastro que a fiscalização segue. Terceira: denuncie em ReportFraud.ftc.gov, que aceita relato em português e não pergunta status migratório.
Vale repetir o lembrete padrão da FTC, porque ele derruba a maioria dos golpes: nenhum órgão do governo americano liga exigindo dinheiro, fazendo ameaça de prisão ou deportação, ou garantindo prêmio.
Onde confirmar?
- Federal Trade Commission — “FTC Takes Action Against Payment Processor Humboldt Merchant Services” (https://www.ftc.gov/news-events/news/press-releases/2026/09/ftc-takes-action-against-payment-processor-humboldt-merchant-services-knowingly-facilitating-payment)
- PYMNTS — “FTC Blocks Humboldt From High-Risk Merchants in $12 Million Settlement” (https://www.pymnts.com/legal/2026/ftc-blocks-humboldt-from-high-risk-merchants-12-million-dollar-settlement)
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