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Saúde e Bem Estar

FIV nos EUA passa de US$ 29 mil por ciclo e empurra casais para clínicas na Europa

Reportagem da KFF Health News mostra americanos tratando na Grécia por uma fração do preço, com alta de 37% na procura em 2025. No Colorado, plano de empresa grande é obrigado a cobrir três ciclos.

Redação Brazuca News 30 de August de 2026, 11:23 2 visualizações
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FIV nos EUA passa de US$ 29 mil por ciclo e empurra casais para clínicas na Europa
Foto: Artem Podrez / Pexels License

Um ciclo de fertilização in vitro nos Estados Unidos passa de US$ 29 mil, e a conta chega perto de US$ 54 mil quando entram teste genético dos embriões, armazenamento e o parto. O número aparece em reportagem publicada em 28 de agosto pela KFF Health News, que acompanhou casais americanos fazendo o tratamento na Europa por uma fração desse valor.

Na Grécia, um ciclo com os próprios óvulos da paciente custa entre US$ 3 mil e US$ 4 mil, sem contar a medicação. A clínica Serum, de Atenas, cobra menos de US$ 6 mil pelo procedimento. Mesmo somando passagem e hospedagem, a diferença sobra.

O tamanho da conta

A reportagem conta o caso de Emilie e Justin Solomon, da Flórida. Justin teve câncer de testículo, e o casal recorreu à fertilização in vitro. Nos Estados Unidos, o orçamento chegou a US$ 40 mil. Na Grécia, o tratamento saiu por cerca de US$ 12 mil, valor que inclui medicação, fertilização, armazenamento e a transferência dos embriões. Eles fizeram o procedimento no verão de 2024 e em outubro de 2025, e o filho nasceu neste ano.

O caminho deixou de ser exceção. Segundo Jakub Dejewski, presidente da European Fertility Society, o número de americanos que escolheram clínicas europeias cresceu mais de 37% em 2025 na comparação com o ano anterior. Grécia e Espanha concentram a procura.

O salto de US$ 29 mil para perto de US$ 54 mil na conta americana vem justamente dos acréscimos: o teste genético dos embriões, o armazenamento e o parto. É por isso que comparar preço de tratamento entre dois países exige olhar o que cada orçamento inclui, e não só o número da primeira linha.

Por que o seguro raramente cobre

Tratamento de fertilidade fica de fora da maioria dos planos de saúde americanos, e o paciente paga do próprio bolso. Quando há cobertura, ela costuma vir de exigência estadual, e cada estado escreveu a sua regra.

Pelo levantamento da RESOLVE, associação nacional de infertilidade, 25 estados têm alguma lei sobre cobertura de infertilidade e 15 obrigam o plano a cobrir fertilização in vitro. No resto do país, a cobertura depende do que o empregador decidir oferecer.

O que o Colorado exige

O Colorado está entre os estados com regra própria. A lei estadual, em vigor desde 2023, obriga planos de grupo grande, de empresas com mais de 100 funcionários, a cobrir três ciclos completos de coleta de óvulos, com transferências de embriões ilimitadas. A seguradora também não pode impor ao tratamento de fertilidade limites diferentes dos que aplica a outros benefícios.

Antes de contar com a cobertura, vale checar dois pontos com o RH: se o plano é regulado pelo estado e qual é o tamanho do grupo contratante. A mesma lista da RESOLVE mostra por que a resposta muda tanto de um caso para o outro: parte dos estados obriga a cobrir só o diagnóstico e o tratamento de infertilidade em geral, e apenas uma parcela chega a incluir a fertilização in vitro com número definido de ciclos.

Como funciona o roteiro na Europa?

O modelo descrito pela KFF Health News combina consulta a distância, exames feitos no país de origem e viagem apenas para as etapas presenciais, a coleta e a transferência. Penny Ampatzi, cofundadora e diretora da clínica Serum, atende esse fluxo de pacientes estrangeiros em Atenas.

Do lado americano, parte do setor privado tenta segurar a demanda com preço menor. William Kiltz, vice-presidente de marketing da CNY Fertility, e Tarita Pakrashi, diretora médica da mesma rede em Norfolk, na Virgínia, aparecem na reportagem falando desse mercado de custo reduzido dentro dos Estados Unidos.

As regras que pegam o paciente estrangeiro

Tratar fora do país traz limites jurídicos que não aparecem no folheto da clínica. Na Grécia, segundo a reportagem, o armazenamento do embrião tem prazo, o anonimato do doador é padrão, a seleção de sexo é restrita, há limite para o número de embriões transferidos e o acesso à gestação por substituição é restrito para quem não mora no país.

Há ainda a papelada de quem pretende trazer os embriões congelados para os Estados Unidos depois. A documentação precisa ser resolvida antes da viagem.

O que perguntar antes de fechar?

Para o brasileiro que mora aqui e considera tratar fora, na Europa ou no Brasil, a lista de perguntas é a mesma: o que está dentro do preço fechado, quantas viagens o protocolo exige, o que acontece se o ciclo falhar, quem acompanha a paciente na volta e o que a clínica entrega por escrito sobre a guarda dos embriões.

Vale também alinhar o calendário com o trabalho. Um protocolo de fertilização in vitro depende de datas rígidas de exame e coleta, e remarcar viagem internacional costuma custar mais do que a diferença de preço do tratamento.

O que vem a seguir

A procura por clínica fora do país tende a seguir enquanto a conta americana não cair. Uma mudança mais ampla dependeria de exigência federal de cobertura, que hoje não existe, ou de novas leis estaduais somadas às 25 já em vigor.

Onde confirmar?

  • KFF Health News, reportagem de 28 de agosto de 2026: kffhealthnews.org/health-care-costs/ivf-tourism-fertility-in-vitro-fertilization-high-costs-pregnancy-parenthood-greece/
  • RESOLVE: The National Infertility Association, cobertura por estado: resolve.org/learn/financial-resources/insurance-coverage/insurance-coverage-by-state/

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