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FBI alerta para falsos policiais e agentes do governo, e golpe contra estrangeiros é o que mais tira dinheiro por vítima

O golpe de quem se passa por autoridade gerou quase 61 mil queixas e US$ 1,6 bilhão em perdas desde 2025, segundo o FBI. A modalidade que mira imigrantes, com ameaça de extradição e videochamada feita com IA, somou US$ 140 milhões, e já tem versão com falsos consulados brasileiros.

Redação Brazuca News 19 de September de 2026, 21:12 2 visualizações
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FBI alerta para falsos policiais e agentes do governo, e golpe contra estrangeiros é o que mais tira dinheiro por vítima
Foto: Lê Minh / Pexels License

O FBI publicou na quinta-feira (17) um alerta sobre criminosos que se passam por policiais e funcionários de governo para arrancar dinheiro e dados pessoais. Entre janeiro de 2025 e julho de 2026, o IC3, centro do FBI que recebe denúncias de crimes na internet, registrou quase 61 mil queixas desse tipo de golpe, com perdas acima de US$ 1,6 bilhão.

O dado que mais interessa ao brasileiro nos Estados Unidos está no meio do comunicado. Uma das modalidades mira comunidades de imigrantes, estrangeiros e estudantes internacionais. Os golpistas fingem ser policiais ou diplomatas do país de origem da vítima e ameaçam com extradição ou com o cancelamento do passaporte. Foram 1.809 queixas e mais de US$ 140 milhões em perdas no período.

Poucas vítimas, muito dinheiro.

O site britânico The Register fez a conta: o golpe contra estrangeiros representa menos de 3% das queixas, mas perto de 10% de todo o prejuízo. Na média geral, cada queixa corresponde a mais de US$ 26 mil perdidos.

Segundo o FBI, essa versão é difícil de checar porque envolve supostas autoridades no exterior, que a vítima não tem como procurar. Em alguns casos, os criminosos usam uniforme policial falso e cenários que imitam repartições públicas.

A tecnologia entra aqui. O alerta afirma que a inteligência artificial permite aos golpistas aparecer como policiais e funcionários de governo em videochamadas com as vítimas.

Como o golpe funciona

O primeiro contato costuma ser uma ligação inesperada, mas também chega por mensagem de texto e e-mail. De acordo com o FBI, os criminosos falsificam números de telefone, endereços de e-mail, nomes de servidores e credenciais de órgãos reais, inclusive do próprio IC3.

A pressão segue um roteiro. O golpista fala em tom urgente e agressivo, se recusa a conversar com outra pessoa, mantém a vítima na linha o tempo todo e manda não contar nada à família, ao banco ou à polícia. O pagamento é pedido em cartão pré-pago, transferência bancária, criptomoeda, dinheiro entregue a um portador ou depositado em caixa eletrônico de cripto.

Os links também enganam. O FBI descreve endereços quase idênticos aos oficiais, com uma letra trocada ou terminados em ".com" no lugar de ".gov".

As outras versões do golpe

A variante mais comum acusa a vítima de um crime e cobra para "retirar as acusações", sob ameaça de prisão. Há ainda:

  • Falta a júri ou audiência, com ameaça de mandado de prisão: 6.833 queixas e quase US$ 36 milhões perdidos;
  • Médicos ameaçados de perder a licença profissional: 3.322 queixas e mais de US$ 37 milhões;
  • Passaporte, carteira de motorista ou licença "vencendo", com cobrança para renovar: 496 queixas e mais de US$ 348 mil.

A FTC, agência federal de defesa do consumidor, lista outra variante que atinge imigrantes em cheio: alguém liga dizendo ser do USCIS, fala de um problema no pedido ou na petição de imigração e cobra para resolver. Na versão com a Receita Federal americana, o IRS, o golpista pode ameaçar a vítima de prisão ou deportação.

A versão brasileira: falsos consulados.

O Itamaraty já alertou para o mesmo roteiro em português. Em 15 de junho, o Ministério das Relações Exteriores publicou aviso sobre novas denúncias de ligações fraudulentas em nome de consulados brasileiros nos Estados Unidos, feitas de números que parecem ser do Brasil, dos EUA e do Distrito Federal.

Segundo o ministério, os golpistas dizem que a pessoa está sendo investigada pela polícia no Brasil e que o nome dela foi usado em fraudes financeiras. Também enviam cartas supostamente assinadas por autoridades consulares, pedindo explicações sobre crimes no Brasil. O MRE lembra que as repartições consulares não atuam em investigação de crimes.

O Consulado-Geral em Washington foi taxativo em seu alerta: o consulado "não faz contatos telefônicos com mensagens de urgência, não solicita dados pessoais sob qualquer pretexto e não ameaça com medidas administrativas".

Uma delegacia da PF de mentira.

O cenário falso descrito pelo FBI tem um exemplo brasileiro. Em julho, a Interpol divulgou o balanço da Operação First Light 2026, feita de 15 de janeiro a 30 de abril em 97 países e territórios, com 5.811 presos e US$ 293 milhões interceptados. Em Essuatíni, na África, os agentes encontraram uma réplica realista de uma delegacia brasileira, com uniformes, placas e equipamentos falsos.

Os criminosos se apresentavam como agentes da Polícia Federal em videochamadas e convenciam as vítimas a transferir dinheiro para "guarda". Segundo o Metrópoles, 82 pessoas foram presas no país africano e 31.014 contas bancárias foram bloqueadas.

O que fazer?

O FBI resume a regra: "Autoridades policiais e de governo nunca vão contatar o público por telefone ou mensagem de texto para exigir qualquer tipo de pagamento ou pedir informações pessoais ou sensíveis". Com base nas orientações do FBI, da FTC, do USCIS e do Itamaraty:

  • Desligue e não pague. Nenhum órgão aceita cartão pré-pago, gift card, cripto ou portador. O USCIS informa que não aceita Western Union, MoneyGram, PayPal, Venmo nem gift card, e que só cobra taxas pela conta myUSCIS;
  • Não confie no identificador de chamadas, que pode ser falsificado. Ligue de volta pelo número do site oficial;
  • Confira se o link ou e-mail termina em ".gov" ou ".gov.br" no caso do Itamaraty;
  • Na dúvida sobre o consulado, use os contatos do Portal Consular;
  • Se já pagou, avise o banco na hora, corte o contato e registre queixa em ic3.gov, guardando telefones, e-mails, comprovantes e mensagens. A FTC recebe denúncias em ReportFraud.ftc.gov.

Se passaram dados pessoais.

O Consulado-Geral em Washington orienta registrar boletim na delegacia mais próxima, citando roubo de identidade, avisar as agências de crédito TransUnion, Experian e Equifax, fazer o registro no Comunica PF e informar o consulado. A FTC indica o site IdentityTheft.gov para quem teve dados expostos.

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